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Monchique
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Em Gouveia, come-se cabrito com míscaros a preços de há 20 anos, queijo Serra da Estrela à colher e rodízios serranos a 20 euros em Folgosinho. Este é o guia para comer onde comem os locais na vertente norte da Serra da Estrela.
Em Vila Real, os melhores restaurantes não têm website nem menu em inglês. Têm toalhas de papel, televisão no noticiário e feijoada à transmontana que justifica a viagem desde o Porto.
Na Rua Pedro Álvares Cabral, a artéria principal de Belmonte, duas pastelarias disputam a atenção da vila inteira. Na Monumental, a bifana com imperial custa menos de cinco euros e é o pequeno-almoço de metade da população. Na Hotspace, o bolo de canela é a estrela discreta de uma vitrina sem pretensões.
Uma das 50 melhores pizzarias da Europa está numa rua de Aljezur, o peixe grelhado no Pont'a Pé raramente passa dos 18 euros, e o mercado municipal ainda abre às 8h com batata-doce da Várzea. Na Costa Vicentina, come-se bem sem precisar de hipoteca.
Em Santa Maria, o vinho de cheiro é feito com uma uva proibida na UE e só existe para consumo doméstico. Combine-o com lapas grelhadas, alheira frita e uma caminhada nocturna pelo porto de Vila do Porto para uma noite açoriana como deve ser.
Em maio, as cracas estão gordas, as lapas no ponto e os restaurantes de Praia da Vitória ainda não encheram. Um roteiro de marisco, vinho verdelho dos Biscoitos e alcatra na segunda cidade da Terceira.
Em Mafra, o fradinho da Pastelaria Fradinho (feijão branco, amêndoa, ovo) é o doce que não pode perder. Mas há mais: do pão de deus da Sempre Quente ao specialty coffee em Ericeira, este é o roteiro honesto dos cafés que valem a paragem no concelho.
Esquece o medronho em garrafa decorativa e os almoços de três horas. A verdadeira Monchique come-se ao balcão, paga-se em dinheiro e fecha às nove. Um guia honesto para encontrar a serra que os locais não publicam no Instagram.
O xarém com conquilhas custa nove euros nas tascas certas e é o prato que separa quem conhece o Algarve real de quem só viu o postal. Um guia honesto à mesa de Faro, das pastelarias do centro às cataplanas que demoram quarenta minutos a chegar (e ainda bem).
Vila Real de Santo António não é cidade de passagem. É de ficar: um itinerário hora a hora pelas tascas onde se come atum de cebolada, conservas locais e estupeta com vinho do Alentejo, sem pressa e sem turistas a tirar fotos.
As ameixas têm certificação europeia desde 2003, a sericaia chega gretada como um deserto seco, e a açorda exige coentros que cheguem para um pequeno funeral. Um guia honesto sobre o que comer em Elvas, prato a prato, com avisos francos sobre o que evitar.
Caminha não tem cafés de especialidade nem latte art para fotografar. Tem balcões de madeira escura, jesuítas a sério e empregados que sabem o seu nome ao terceiro dia. Um guia honesto sobre onde beber café e o que pedir em cada sítio.