Costa Vicentina

A Costa Vicentina é o último litoral selvagem do sul da Europa, falésias de xisto, percebes apanhados à mão e os trilhos da Rota Vicentina entre Odemira e Porto Covo. Uma costa onde o Atlântico ainda manda.

A Costa Vicentina é o último troço de litoral selvagem do sul da Europa. Enquanto o Algarve a sul se encheu de resorts e campos de golfe, esta faixa de costa entre o Alentejo e o extremo sudoeste resistiu. O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, criado em 1995, garantiu que as falésias de xisto, as praias sem construção e os caminhos de terra batida entre a vegetação rasteira se mantivessem praticamente intactos.

O que define esta costa

A Costa Vicentina não é um destino de praia no sentido convencional. Há praias extraordinárias, a Praia do Malhão, a Praia dos Alteirinhos, a Praia da Amália, mas o mar aqui é o Atlântico aberto, com ondulação forte e água fria mesmo em agosto. O que atrai as pessoas é outra coisa: as falésias cortadas a pique sobre o oceano, a Rota Vicentina com os seus dois percursos (o Trilho dos Pescadores junto à costa e o Caminho Histórico pelo interior), e uma sensação de espaço que já não existe em quase nenhum litoral europeu.

Cada uma das povoações ao longo da costa tem personalidade própria. Vila Nova de Milfontes, na foz do rio Mira, é a mais desenvolvida, tem restaurantes, uma fortaleza quinhentista e praias acessíveis dos dois lados do rio. Porto Covo é uma aldeia pequena com um centro de casas brancas e a Ilha do Pessegueiro ao largo. Zambujeira do Mar vive entre a calma do resto do ano e a explosão do Festival Sudoeste em agosto. Odemira, no interior, é a sede do concelho e serve como base logística, mas o vale do rio Mira que a atravessa merece uma visita por si só.

O que comer

A cozinha aqui mistura o Alentejo com o mar. Os percebes, apanhados nas rochas por mariscadores locais, são dos melhores de Portugal, e servidos em praticamente todos os restaurantes da costa entre abril e setembro. O polvo grelhado aparece em todo o lado, mas é a caldeirada de peixe e o ensopado de enguias do rio Mira que são verdadeiramente locais. No interior, o porco preto alentejano domina: carne de porco à alentejana com amêijoas, migas com entrecosto, e enchidos que se compram nos mercados de Odemira.

Nos restaurantes mais simples de Zambujeira e Porto Covo, o peixe grelhado do dia, robalo, dourada, sargo, continua a ser a melhor aposta. Peça sempre o que entrou nesse dia.

Quando ir

A maioria dos visitantes concentra-se entre julho e agosto, quando as temperaturas rondam os 28-30°C e a água sobe para uns ainda frescos 18-19°C. Mas os melhores meses para caminhar a Rota Vicentina são março a maio e setembro a outubro: temperaturas amenas, trilhos sem multidões e as falésias cobertas de flores silvestres na primavera.

Em agosto, Zambujeira do Mar transforma-se com o Festival Sudoeste, que traz dezenas de milhares de pessoas. Se procura tranquilidade, evite essa semana. Se procura um festival de música numa falésia sobre o Atlântico, não há nada igual.

O que a maioria dos turistas não percebe

O erro mais comum é tratar a Costa Vicentina como uma extensão do Algarve. Não é. Não há infraestrutura turística pesada, os acessos a muitas praias são por caminhos de terra, e à noite as opções de entretenimento são escassas fora de Vila Nova de Milfontes. Isso é precisamente o ponto. Quem vem à espera de conveniência vai frustrar-se. Quem vem à espera de um litoral que ainda funciona ao ritmo das marés e das estações vai encontrar exactamente isso.

Outra coisa: o vento. A nortada sopra com força, especialmente à tarde. Leve sempre um corta-vento para a praia, mesmo em pleno verão.