Douro

Os socalcos de xisto do Douro são Património da Humanidade, mas o vale que os turistas de um dia vêem a partir de Pinhão é apenas o início. Para lá de Peso da Régua, o Douro Superior guarda amendoeiras em flor, miradouros vertiginosos e vinhos DOC que rivalizam com qualquer região do mundo.

O Douro é, antes de tudo, um rio que esculpiu uma paisagem durante milénios. Os socalcos de xisto que sobem das margens não são decoração, são o resultado de gerações de trabalho braçal, pedra sobre pedra, para plantar vinha onde a lógica dizia que não era possível. Quando a UNESCO classificou o Alto Douro Vinhateiro como Património da Humanidade em 2001, reconheceu exactamente isto: uma paisagem moldada pela teimosia humana.

O que define o Douro

A região estende-se ao longo do rio, desde o Baixo Corgo até ao Douro Superior, e cada zona tem personalidade própria. Peso da Régua funciona como porta de entrada, é onde muitos visitantes chegam de comboio e onde se concentram os serviços. Pinhão, poucos quilómetros acima, é o postal ilustrado: a estação de comboio com painéis de azulejos, as quintas históricas nas encostas em redor, os barcos rabelos ancorados no cais.

Mas o Douro que surpreende está mais a leste. São João da Pesqueira, no ponto mais alto sobre o rio, oferece miradouros como o de São Salvador do Mundo que deixam qualquer pessoa em silêncio. Torre de Moncorvo, já no Douro Superior, é terra de amendoeiras que florescem em Fevereiro, um espectáculo que poucos turistas conhecem porque chegam todos no Verão. Sabrosa reivindica ser terra natal de Fernão de Magalhães, e Lamego tem a escadaria barroca do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, com quase 700 degraus.

O que comer

A gastronomia duriense é de montanha e de rio. A bôla de Lamego, um pão recheado com carne de porco e presunto, é obrigatória e encontra-se em qualquer padaria da cidade. O arroz de lampreia aparece entre Janeiro e Abril, quando a lampreia sobe o rio. Os enchidos fumados, especialmente a alheira, são omnipresentes nas tascas da região.

Nos meses mais frios, o cabrito assado no forno domina as ementas. E para acompanhar, vinho tinto do Douro, não Porto, mas os DOC Douro que nas últimas duas décadas ganharam reputação internacional. Quintas como a do Crasto, Vallado ou Vale Meão produzem tintos que competem com qualquer região vinícola do mundo.

Quando ir

A maioria dos visitantes chega entre Junho e Setembro, quando o calor no vale é brutal, facilmente 40°C em Julho e Agosto. Os melhores meses são Maio, quando as vinhas estão verdes e as temperaturas agradáveis, e Outubro, durante as vindimas. Em Setembro e Outubro, muitas quintas abrem as portas para programas de vindima onde se pode participar na apanha da uva.

A Primavera traz outro Douro: as amendoeiras em flor no Douro Superior (Fevereiro-Março), os campos verdejantes, e muito menos gente. O Inverno é frio e silencioso, mas tem a sua beleza, especialmente para quem quer provar os vinhos sem multidões.

O que a maioria erra

O erro mais comum é tratar o Douro como excursão de um dia a partir do Porto. Chegar de manhã, almoçar numa quinta, provar vinho, voltar. Isto é ver a superfície. O Douro revela-se a quem dorme pelo menos duas noites, acorda cedo, vê a neblina levantar-se do rio, caminha pelos socalcos, conversa com quem trabalha a vinha.

Outro erro: limitar-se às quintas mais comerciais junto a Pinhão. O Douro Superior, para lá de São João da Pesqueira, é onde a paisagem se torna mais dramática e os preços mais honestos. E o comboio da Linha do Douro continua a ser a melhor forma de chegar, a viagem Porto-Pinhão, ao longo do rio, é uma das mais bonitas da Europa.