Algarve

O Algarve tem três regiões distintas, litoral, barrocal e serra, mas a maioria dos visitantes só conhece uma. Entre a cataplana de amêijoas em Olhão e a aguardente de medronho em Monchique, há um sul de Portugal que não aparece nos folhetos.

O Algarve é a região mais visitada de Portugal e, por isso mesmo, a mais mal compreendida. A maioria dos turistas conhece a faixa entre Albufeira e Portimão, os resorts, os campos de golfe, os bares de praia, e assume que isso é tudo. Não é. O Algarve tem pelo menos três regiões distintas comprimidas numa faixa de 150 quilómetros, e ignorar duas delas é o erro mais comum de quem visita o sul.

O litoral que já conhece (e o que falta)

Sim, as falésias douradas entre Lagos e Albufeira são extraordinárias. A Ponta da Piedade, a Praia da Marinha, os arcos naturais de Benagil, tudo isto é real e vale a visita, de preferência fora de Julho e Agosto, quando o trânsito na EN125 transforma qualquer deslocação numa provação. Mas o litoral algarvio não acaba aqui.

A costa vicentina, a oeste de Sagres e subindo por Aljezur, é outro mundo: praias selvagens com ondulação atlântica forte, aldeias com meia dúzia de restaurantes e nenhum resort. A Praia da Arrifana e a Praia do Amado são destinos de surf sérios, não parques temáticos. E a leste, a partir de Olhão e Tavira, a Ria Formosa oferece ilhas-barreira acessíveis de barco, Ilha da Culatra, Ilha de Tavira, Ilha da Armona, com praias quilométricas e quase desertas fora da época alta.

A serra que ninguém visita

O interior do Algarve é a região mais esquecida do turismo português. A Serra de Monchique sobe até aos 902 metros na Fóia, com florestas de sobreiros e medronheiros que nada têm a ver com a paisagem costeira. Monchique é conhecida pela aguardente de medronho, destilada artesanalmente em alambiques de cobre, e pelas caldas termais que já os romanos frequentavam. Silves, a antiga capital moura do Algarve, tem um castelo em arenito vermelho que domina o vale e uma história que precede Lisboa como centro de poder no sul da Península Ibérica.

O que comer

A cozinha algarvia é a mais subvalorizada de Portugal. Enquanto o Porto tem a francesinha e Lisboa o pastel de nata, o Algarve tem pratos que raramente saem da região. A cataplana, o tacho de cobre abaulado onde se cozinham amêijoas com chouriço, ou peixe com batata, é o ícone, mas há mais. O arroz de lingueirão em Olhão, as conquilhas à bulhão pato em Quarteira, o atum de cebolada em Tavira (herança directa da tradição da pesca do atum com armação). Os figos secos recheados com amêndoa e chocolate são a merenda que se compra nos mercados de Loulé e Olhão, dois dos melhores mercados municipais do país.

A doçaria à base de amêndoa e figo é omnipresente: os morgados, os Dom Rodrigos embrulhados em papel de prata, os bolos de alfarroba. A alfarrobeira, aliás, é a árvore que define a paisagem do barrocal algarvio, a faixa calcária entre o litoral e a serra.

Quando ir

O Algarve tem mais de 300 dias de sol por ano, o que torna o inverno surpreendentemente agradável, temperaturas entre 12°C e 18°C, amendoeiras em flor entre Janeiro e Fevereiro, preços de alojamento a um terço do verão. Março a Junho é a melhor janela: praias acessíveis, mar ainda fresco mas suportável, restaurantes sem filas de espera. Setembro e Outubro mantêm o calor com menos gente. Julho e Agosto funcionam se tiver alojamento reservado e paciência para o trânsito.

Em Agosto, Silves celebra a Feira Medieval, com reconstituições históricas dentro das muralhas do castelo. O Festival MED em Loulé, em Junho, traz música do Mediterrâneo ao centro histórico. São os dois eventos culturais mais relevantes da região.