A maioria dos turistas passa por Faro a caminho das praias. Aterram no aeroporto, metem-se num transfer e seguem para Albufeira ou Lagos sem olhar para trás. É um erro. Faro é a capital do Algarve e comporta-se como tal, tem universidade, tem vida própria fora da época alta, tem um centro histórico murado que funciona como uma pequena cidade dentro da cidade.
A Cidade Velha e o que está lá dentro
Entra-se pela Porta da Vila, um arco do século XVIII com azulejos e um ninho de cegonhas no topo (as cegonhas são parte da paisagem urbana de Faro, estão por toda a parte, nos telhados das igrejas e nos postes de luz). Lá dentro, a Cidade Velha é um punhado de ruas calcetadas que se percorrem em meia hora. A Sé Catedral, do século XIII com reconstruções sucessivas, tem uma torre que vale a subida pela vista sobre a Ria Formosa. O Museu Municipal, instalado no antigo Convento de Nossa Senhora da Assunção, guarda mosaicos romanos encontrados na região e uma colecção que conta a história do Algarve desde a pré-história.
Para lá das muralhas
A Rua de Santo António é a artéria pedonal onde os farenses fazem as suas compras e tomam café. É aqui e nas ruas adjacentes que se encontram pastelarias como a Gardy, onde os pastéis de amêndoa e os folares são feitos com a seriedade que o Algarve reserva para a doçaria. O Mercado Municipal, junto ao porto, é o sítio certo para perceber o que se come na região, peixe e marisco da Ria Formosa, fruta do Barrocal, ervas aromáticas.
A Ria Formosa à porta
Faro é a principal porta de entrada para o Parque Natural da Ria Formosa, um sistema lagunar que se estende por 60 quilómetros de costa. Do cais comercial partem barcos para a Ilha Deserta e para a Ilha de Faro, praias de areia fina com pouca construção. Na maré baixa, vêem-se os viveiros de ostras e amêijoas que alimentam os restaurantes da cidade.
Quanto tempo ficar
Dois dias chegam para conhecer o essencial: um dia para a cidade, outro para a Ria Formosa. Se vier na Semana Santa, reserve um dia extra, as procissões em Faro mantêm uma solenidade que já desapareceu de muitas cidades portuguesas. O Verão é quente e cheio; Setembro e Outubro são os meses ideais, com água ainda morna e menos gente. Para comer, comece pelas cataplanas e pelo peixe grelhado nos restaurantes junto ao jardim Manuel Bívar, e deixe os doces de amêndoa e figo para a sobremesa, são a assinatura do Algarve.