Lagos

Lagos é a cidade algarvia onde falésias douradas, história incómoda e cataplana convivem sem cerimónia. Fora de agosto, é um dos melhores pontos de partida para explorar a costa ocidental do Algarve.

Lagos tem uma relação complicada com o turismo. No verão, a Rua 25 de Abril transforma-se num rio de chinelos e gelados, e os bares da marina enchem-se de despedidas de solteiro britânicas. Mas quem passa por Lagos apenas em agosto não percebe a cidade, apenas a sua versão mais barulhenta.

Uma cidade que sobreviveu a tudo

O terramoto de 1755 destruiu quase tudo, mas não apagou o traçado medieval dentro das muralhas. A Igreja de Santo António, com a sua talha dourada excessiva e quase sufocante, é um dos interiores barrocos mais impressionantes do Algarve, e fica ao lado do Museu Municipal, onde se encontra a história menos confortável de Lagos: foi daqui que partiram as primeiras expedições de escravos africanos para a Europa, e o antigo mercado na Praça da República não deixa esquecer esse facto.

O que comer antes de decidir o resto

Antes de planear praias, sente-se num dos restaurantes da Rua dos Ferreiros ou da zona do Mercado Municipal. O cataplana de marisco não é exclusiva de Lagos, mas aqui faz-se com a naturalidade de quem a cozinha há gerações. Os percebes, quando há, são caros mas justificam-se. Para uma refeição sem complicações, procure uma bifana no centro, é difícil errar.

As praias que não aparecem nas fotos

A Praia de Dona Ana e a Ponta da Piedade são as mais fotografadas, e com razão, as falésias douradas e as grutas valem cada cliché. Mas em julho e agosto, chegar cedo é obrigatório. A Meia Praia, do outro lado da ribeira, é uma alternativa com mais espaço e menos escadas. Para quem tiver carro, a Praia da Luz fica a dez minutos e oferece um ambiente mais residencial.

Quando ir e quanto tempo ficar

Maio, junho e setembro são os meses certos: calor suficiente para praia, espaço nos restaurantes e preços que não triplicaram. Dois a três dias chegam para explorar o centro histórico, fazer uma saída de barco às grutas e experimentar dois ou três restaurantes a sério. Se ficar mais tempo, o interior do concelho, a barragem da Bravura, por exemplo, é uma surpresa honesta.

Lagos não precisa de adjectivos. É uma cidade com história pesada, comida directa e uma costa que fala por si.