Vila Real de Santo António é, provavelmente, a cidade mais geométrica de Portugal. Construída em apenas dois anos por ordem do Marquês de Pombal, inaugurada em 1776, a malha urbana é uma grelha perfeita onde praticamente não existe uma curva, cada esquina forma um ângulo reto exacto. Se conhece a Baixa Pombalina de Lisboa, imagine essa lógica aplicada a uma cidade inteira no extremo oriental do Algarve, com o rio Guadiana a correr mesmo ali ao lado e Espanha visível do passeio ribeirinho.
O que distingue VRSA do resto do Algarve
Enquanto o Algarve central vive de praias e resorts, Vila Real de Santo António vive da sua posição fronteiriça. A Avenida da República acompanha a margem do Guadiana com edifícios de outra era, incluindo o Grande Hotel Guadiana, cuja fachada Art Nouveau destoa de tudo o resto. A Praça Marquês de Pombal, com o seu chão de calçada portuguesa em padrão radial e as laranjeiras alinhadas, é o coração da grelha: ampla, luminosa, e quase sempre com mais espaço do que pessoas.
A poucos minutos a pé do centro, o ferry para Ayamonte custa menos de dois euros e demora quinze minutos. É uma das fronteiras mais baratas e rápidas da Europa, leve o passaporte. Do lado espanhol, tapas e cervejas a preços que fazem esquecer o Algarve turístico.
O que comer e quanto tempo ficar
A gastronomia aqui é de rio e mar: arroz de lingueirão, cataplana de amêijoas, peixe grelhado acabado de pescar. Para sobremesa, o Dom Rodrigo, um doce conventual de gema de ovo, açúcar e amêndoa, embrulhado em papel de prata, é a especialidade local que vale a pena procurar nas pastelarias do centro.
Um dia chega para explorar o centro histórico, almoçar com calma e ainda apanhar o ferry até Espanha. Dois dias permitem chegar a Cacela Velha, a poucos quilómetros, com o seu miradouro sobre a Ria Formosa, um dos panoramas mais bonitos do Algarve oriental, já presente no nosso guia. A melhor altura para visitar é entre Abril e Junho, quando o calor ainda não aperta e as praias de areia branca, parte de uma faixa contínua de 12 km, estão quase vazias.
Para quem é esta cidade
VRSA não é para quem procura vida nocturna ou animação constante. É para quem gosta de cidades com uma ideia clara por trás, neste caso, a utopia iluminista de Pombal transposta para o sul —, de comer peixe fresco sem reserva, e de cruzar fronteiras a pé por menos do que um café em Lisboa.