Portimão

Portimão é mais do que a porta de entrada para a Praia da Rocha, é uma cidade de rio, sardinha grelhada no cais e um dos melhores museus do Algarve. Dois dias bastam para perceber porque funciona o ano inteiro.

Portimão carrega o peso de uma reputação injusta. Para muitos, é apenas a porta de entrada para a Praia da Rocha, um sítio de passagem entre o aeroporto de Faro e o areal. Mas quem para, quem sobe a Rua Direita a pé e se senta numa esplanada junto ao rio Arade, descobre uma cidade com estômago próprio.

Uma cidade que se come, não se contempla

Portimão construiu-se à volta do peixe. As antigas fábricas de conservas ao longo da ribeira definiram a economia durante décadas, e o Museu de Portimão, instalado numa dessas fábricas recuperadas, é das melhores surpresas museológicas do Algarve. Mas o legado mais vivo está no cais, onde os restaurantes de sardinha assada continuam a fazer o que sempre fizeram: grelhar peixe sobre carvão, servir com batata cozida e salada de tomate, e não pedir desculpa pela simplicidade. A zona ribeirinha, entre a marina e a doca, é onde a cidade respira melhor, longe dos blocos de apartamentos que marcam o horizonte a sul.

O Arade como bússola

O rio dá a Portimão algo que a maioria das cidades algarvias não tem: profundidade geográfica. Daqui partem barcos para Silves, para as grutas da costa, para a Ria de Alvor. A margem oposta, Ferragudo, é visível da cidade e funciona como contraponto, uma aldeia piscatória onde o tempo ainda resiste. Esta relação com o rio muda a perspectiva: Portimão não é só praia, é estuário, é porto, é passagem entre o interior e o mar.

Quando ir e quanto tempo ficar

Dois a três dias bastam para conhecer a cidade sem a esgotar. Maio, junho e setembro são os meses certos, sol garantido, restaurantes sem filas de espera, e o rio com a luz certa ao final da tarde. Em agosto, a sardinhada anual transforma o cais num festival popular que vale a pena se gostar de multidões e fumo de carvão, e vale a pena evitar se não gostar. Fora de época, Portimão tem uma honestidade rara no Algarve: é uma cidade que funciona o ano inteiro, com mercado municipal activo, cafés frequentados por locais e uma rotina que não depende de turistas para existir.

Comece pelo Museu de Portimão, almoce sardinha no cais, caminhe até à Praia da Rocha pelo passeio ribeirinho. Depois decida se quer ficar mais um dia. Provavelmente vai querer.