Sagres

Sagres é o Algarve sem artifícios: falésias verticais, surf na Praia do Tonel e peixe grelhado a mudar conforme a maré. Duas noites na primavera, com a Rota Vicentina à porta, são suficientes para perceber porque é que quem vem cá volta sempre.

Sagres é o tipo de sítio que divide opiniões. Para uns, não passa de uma aldeia ventosa no fim de uma estrada sem saída. Para outros, e são esses que voltam ano após ano, é exactamente essa condição de fim do mundo que a torna insubstituível. A Fortaleza de Sagres, no promontório batido pelo vento, é o cartão de visita óbvio, mas a verdade é que o lugar se revela melhor fora das muralhas.

O que faz Sagres diferente

Aqui não há passeio marítimo polido nem esplanadas a competir por espaço. Sagres vive entre o mar e a rocha, com uma escala que se percorre a pé em meia hora. A Praia do Tonel, mesmo debaixo da fortaleza, é das poucas praias no Algarve onde se surfa com as falésias como cenário, e onde o vento de norte pode arruinar ou fazer o dia, dependendo da direcção do swell. A Praia da Mareta, mais abrigada na baía, é a alternativa quando o Tonel está intratável.

O Cabo de São Vicente fica a menos de dez minutos de carro e merece a ida, sobretudo ao final da tarde. O farol, o último vendedor de salsichas assadas do continente europeu (uma tradição real e improvável), e a vastidão do Atlântico fazem o resto. Se puder, vá num dia de semana, os autocarros de excursão ao fim-de-semana tiram-lhe a magia.

Comer e beber

Sagres não tem uma cena gastronómica sofisticada, e está bem assim. O que tem são marisqueiras e restaurantes de peixe grelhado honestos, onde o peixe do dia muda conforme a maré. Os percebes, quando há, são obrigatórios. O cataplana de marisco é presença garantida nos menus e aqui, tão perto da costa vicentina, costuma ser bem feita. Para algo mais descontraído, há vários spots com ambiente de surf ao longo da Rua Comandante Matoso, a artéria principal da vila.

Quando ir e quanto tempo ficar

Duas noites chegam para absorver Sagres sem pressa. A primavera, Abril e Maio, é a melhor altura: luz espectacular, flora selvagem nos trilhos costeiros (a Rota Vicentina passa por aqui), e temperatura suficiente para a praia sem as multidões de Agosto. O vento é constante, tragam uma camada extra. No Inverno, Sagres transforma-se num retiro austero e bonito, com metade dos restaurantes fechados mas com ondas de classe mundial para quem surfa.

Se já conhecem o Algarve dos resorts e dos campos de golfe, Sagres é o contraponto necessário. Sem artifícios, sem entretenimento fabricado, só a costa mais dramática da Europa e tempo para estar com ela.