Silves

Antiga capital moura do Algarve, Silves tem um dos castelos mais bem conservados do país e um centro histórico que funciona melhor fora da época alta. Meio dia chega para o essencial, mas um dia inteiro permite explorar o rio Arade e comer sem pressas.

Silves foi capital do Algarve antes de o Algarve existir como o conhecemos. Quando os árabes governavam o sul da Península Ibérica, esta cidade, então chamada Xelb, era um centro de poesia, comércio e poder que rivalizava com Lisboa. Hoje, a escala mudou, mas a paisagem urbana ainda carrega essa memória: o castelo de arenito vermelho domina o horizonte e a catedral gótica, a Sé de Silves, mantém-se de pé como a mais importante do Algarve medieval.

Porque ir a Silves

A maioria dos visitantes do Algarve fica colada à costa. Silves fica a apenas 8 quilómetros do litoral, mas o ambiente é outro: menos resort, mais interior algarvio, com laranjais a descer pelas encostas até ao rio Arade. É o tipo de sítio onde se almoça bem por menos de 12 euros, onde o mercado municipal ainda funciona como mercado de verdade, e onde as ruas ficam silenciosas a meio da tarde.

O Castelo de Silves merece a visita, a estrutura é uma das mais bem conservadas do país, com muralhas que se percorrem por cima e uma cisterna almóada no interior. A entrada é acessível e a vista sobre a serra e o rio justifica a subida. Logo abaixo, a Sé Catedral mistura elementos góticos com vestígios de uma antiga mesquita, e vale a pena entrar mesmo que igrejas não sejam o seu forte.

O que comer e quando ir

Silves não tem a oferta gastronómica de Faro ou Loulé, mas tem personalidade. As bifanas são uma instituição local, o Bifanas do Marinho é prova disso. Para quem quer algo mais demorado, procure restaurantes junto ao rio que servem peixe do rio e cataplanas. A laranja de Silves tem denominação própria e aparece em tudo, dos sumos frescos aos doces regionais.

A melhor altura para visitar é entre março e junho, ou em setembro e outubro, calor suficiente para andar a pé sem o peso do verão algarvio. Em agosto, a Feira Medieval de Silves transforma o centro histórico num evento de grandes dimensões, com figurantes, bancas e espetáculos. É divertido, mas é também a semana mais cheia do ano, portanto escolha com consciência.

Quanto tempo ficar

Meio dia chega para o castelo, a Sé e um almoço. Mas se quiser explorar a Cruz de Portugal, um cruzeiro manuelino classificado como monumento nacional, e descer até ao rio, um dia inteiro é mais honesto. Silves funciona bem como paragem entre a costa e a serra de Monchique, especialmente se estiver a conduzir pelo interior do Algarve.