Restaurant Atrium
Albufeira
Albufeira é mais do que a Strip e os bares de praia, o centro antigo, as praias de falésia como São Rafael e a Falésia, e as cataplanas à beira-mar contam outra história. Vá entre Maio e Junho para evitar as multidões e aproveitar o melhor da costa.
Quando Albufeira aperta a 35 graus, há uma fuga de quase 500 quilómetros que vale cada minuto de estrada: rios glaciares, poças de água gelada e queijo de ovelha feito com flor de cardo. Guia prático para quem troca o Atlântico morno pelo frio da Serra da Estrela.
Onze freguesias, onze calendários, e uma cidade que parece duas. Da procissão de São Pedro à doçaria conventual de Setembro, este é o ano de Albufeira contado por quem não come sardinhas para a Instagram.
A melhor coisa que pode fazer em Albufeira é, por vezes, sair de Albufeira. Silves a vinte e cinco minutos, Lagos a quarenta e cinco, Monchique aos novecentos metros. Um guia honesto sobre escapadinhas de um dia, com auto-estradas, portagens, e onde almoçar.
Albufeira tem dezenas de praias e a maioria dos turistas só conhece duas. Um guia honesto sobre quando chegar, onde estacionar, e como ter a Praia dos Arrifes quase só para si, mesmo em pleno Agosto.
Albufeira divide opiniões, e isso, por si só, já diz alguma coisa. Para muitos, é sinónimo da Strip, dos bares com cocktails fluorescentes e das despedidas de solteiro britânicas. Mas reduzir Albufeira a isso é como julgar Lisboa pelo Bairro Alto às três da manhã. A cidade tem uma história que precede o turismo de massas por uns bons séculos, e quem se der ao trabalho de subir a partir da Praia dos Pescadores até ao centro antigo vai encontrar uma versão muito diferente.
A zona antiga de Albufeira, reconstruída depois do terramoto de 1755, organiza-se em ruas estreitas que descem em direcção ao mar. A Rua da Igreja Velha e os becos à volta da Igreja Matriz de Albufeira mantêm uma escala humana que contrasta com o betão dos resorts à volta. De manhã cedo, antes do calor, há bancas de fruta na Rua 5 de Outubro e cafés onde o galão ainda custa menos de dois euros. É aqui que se percebe que Albufeira tem residentes, não é só cenário.
São mais de vinte praias no concelho, e a tentação é fazer uma lista. Mas se tiver dois ou três dias, concentre-se: a Praia de São Rafael, a oeste, tem formações rochosas que justificam a caminhada desde o estacionamento. A Praia da Falésia, que se estende até Vilamoura, é a escolha certa para quem quer espaço, mesmo em Agosto, a extensão de seis quilómetros absorve as multidões. A Praia da Coelha, mais pequena e com acesso por escadas, funciona bem fora de época.
O peixe grelhado é o óbvio, e em Albufeira o óbvio funciona. Procure as cataplanas de tamboril ou amêijoas nos restaurantes afastados da marina, a zona da Praia dos Pescadores ainda tem casas de petiscos com preços razoáveis. A sardinha assada é melhor entre Junho e Setembro, quando está gorda. Os pastéis de Albufeira, feitos com amêndoa e fios de ovos, são o doce local que vale provar.
Quanto ao timing: Maio, Junho e Setembro são os meses em que Albufeira se torna suportável, temperaturas nos 25 graus, mar já acessível, e restaurantes que não exigem reserva com três dias de antecedência. Em Julho e Agosto, espere filas, trânsito e praias lotadas. Dois a três dias são suficientes, a não ser que queira usar Albufeira como base para explorar o Algarve central.
Dos miradouros já referenciados no boa.pt, Pau da Bandeira, Rossio e Rua Latino Coelho, o primeiro é o mais fotogénico ao final da tarde, quando a luz rasante apanha as falésias a oeste.