Albufeira: Escapadinhas de Um Dia e Como Chegar Lá
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Albufeira: Escapadinhas de Um Dia e Como Chegar Lá

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A melhor coisa que pode fazer em Albufeira é, por vezes, sair de Albufeira. Silves a vinte e cinco minutos, Lagos a quarenta e cinco, Monchique aos novecentos metros. Um guia honesto sobre escapadinhas de um dia, com auto-estradas, portagens, e onde almoçar.

Há uma verdade incómoda sobre Albufeira que ninguém escreve nos folhetos: a melhor coisa que pode fazer aqui é, por vezes, sair daqui. Não me interprete mal. A cidade velha tem aquele encanto de azulejo desbotado que ainda funciona às nove da manhã, antes das hordas saírem dos hotéis com os chinelos a estalar no calcetão. Mas o Algarve é uma região pequena, e a partir de Albufeira tem um raio de uma hora de carro que cobre praticamente tudo o que importa: cidades árabes esquecidas no interior, vilas piscatórias que ainda cheiram a sardinha e diesel, capitais distritais que ninguém visita porque acham que são só aeroporto.

Este guia é para quem percebeu isso. Para quem alugou um apartamento com kitchenette em Olhos de Água e quer fugir do buffet do hotel pelo menos três dias por semana. Vou dizer-lhe o que apanhar, o que conduzir, onde estacionar (sim, isso importa), e onde comer quando chegar. Sem rodeios.

Antes de Sair: Aproveite o Que Tem em Casa

Uma nota antes de o despachar para a auto-estrada. Se ainda não fez o circuito dos miradouros de Albufeira, não saia da cidade sem ele. O Miradouro do Pau da Bandeira é o cartão postal oficial, com a falésia ocre a cair sobre o areal da Praia do Peneco. Faça-o ao nascer do sol, antes das sete e meia, e terá o sítio quase só para si. Depois desça até ao Miradouro Rossio, mais discreto, com aquele banco partilhado por reformados que jogam ali sueca há trinta anos. E para fechar, o Miradouro Rua Latino Coelho, o mais íntimo dos três, perfeito para o fim de tarde quando o sol se põe sobre os telhados brancos.

Se preferir ver Albufeira em movimento antes das escapadinhas, considere o tour de e-bike pela Bikesul: cobre as falésias, as praias e o centro histórico sem o suor que a topografia exigiria a pé. E numa noite chuvosa, ou para um dia em que não queira sair de Albufeira, há a aula de cozinha portuguesa na MIMO Algarve, que vale o dinheiro só pelo facto de aprender a fazer arroz de marisco como deve ser, e não a versão de cantina turística.

Silves: A Capital Árabe Que Toda a Gente Esquece

Silves está a vinte e cinco minutos de Albufeira pela A22, peagens incluídas (cerca de dois euros, pague com Via Verde se puder). De carro é o caminho óbvio. De transportes públicos, há autocarros da Vamus que param na rodoviária, mas saem espaçados e leva-lhe quase uma hora. Vá de carro.

O que faz Silves diferente do resto do Algarve é a cor. Enquanto a costa é branca, Silves é vermelha, tijolo aterracotado por todo o lado, herança directa de oito séculos de domínio árabe. Foi a capital do Algarve mouro, chamavam-lhe Xelb, e tinha mais habitantes do que Lisboa no século XII. Hoje tem dezasseis mil pessoas e uma das melhores tabernas do sul do país.

Comece pelo castelo. Entrada à volta dos três euros (confirme localmente), aberto das nove às seis no Inverno e até às sete no Verão. Não é o castelo mais espectacular de Portugal, mas as muralhas vermelhas contra o céu azul valem a foto, e as cisternas árabes lá dentro são genuinamente impressionantes. Desça depois pela rua principal até à Sé, que tem aquela mistura desajeitada de gótico e barroco que só faz sentido em Portugal.

Para almoço, esqueça os restaurantes do largo da Sé. Vá ao Café Inglês, sim, o nome é horrível, mas o pátio com a buganvília vale por si. Ou então atravesse a ponte velha e procure as tasquinhas perto do mercado municipal. Peça lulas grelhadas e uma jarra de tinto da casa. Não peça mais nada. É o suficiente.

Se for com crianças, e este é um aviso importante, leve sapatos confortáveis. O calcetário é assassino com carrinhos de bebé. Para uma análise honesta de Silves em modo família, recomendo este guia honesto sobre Silves com crianças que cobre as armadilhas e os pequenos triunfos.

Faro: A Capital Que Ninguém Visita

Faro está a quarenta minutos pela A22. Toda a gente passa por Faro, ninguém fica. É um erro. Faro tem o melhor centro histórico do Algarve depois de Tavira, uma ria com flamingos cor-de-rosa, e a melhor capela dos ossos do país a sul do Tejo.

Comece pela Cidade Velha, entrada pelo Arco da Vila, que tem um ninho de cegonhas no topo durante todo o ano. Lá dentro encontra o claustro da Sé (entrada cerca de quatro euros, vale só pela vista da torre sobre a ria), o museu municipal numa antiga capela renascentista, e ruas estreitas em xadrez de calcetário onde os gatos dormem nas portas das casas. É pequena, dá-se a volta em uma hora.

O verdadeiro tesouro é a Capela dos Ossos, anexa à Igreja do Carmo, fora das muralhas. Mil duzentas e quarenta e cinco caveiras de frades carmelitas dispostas como mosaico nas paredes. Há uma inscrição à entrada que diz: "Pára aqui a considerar que a este estado hás-de chegar". Memento mori barroco no estado mais puro. Entrada é simbólica, dois euros e qualquer coisa.

Para almoço, evite a marina e suba até à zona da Sé, onde há tasquinhas escondidas em ruas que parecem becos. Peça atum de cebolada, é o prato mais subestimado do Algarve. Para perceber a vida cultural local longe dos clichés turísticos, este guia da cultura local em Faro é o melhor ponto de partida que conheço.

Lagos: Para o Dia em Que Quer Mar Bonito

Lagos está a quarenta e cinco minutos para oeste pela A22. É a Albufeira que Albufeira não consegue ser: cidade histórica genuína, com muralhas do século XVI ainda de pé, praias de cortar a respiração a cinco minutos a pé do centro, e marina sem ter aquele ar de operação imobiliária dos anos noventa.

O plano básico: estacione no parque do estádio (gratuito, vinte minutos a pé do centro) ou no parque pago perto da marina (cerca de um euro à hora). Suba pela Rua da Barroca, atravesse a Praça Gil Eanes com a sua estátua excêntrica de Dom Sebastião que parece um astronauta, e desça até ao Mercado Municipal. Aí é a hora do café da manhã: peça uma bica e um pastel de feijão, que aqui sabe a marzipã com avó.

Depois desça até à Ponta da Piedade. Pode ir de carro (estacionamento difícil em Agosto, fácil em Maio) ou caminhar pela costa, são uns trinta minutos com paragens fotográficas obrigatórias. As falésias aqui são as mais espectaculares do sul de Portugal, melhores até que as de Albufeira, e dizer isto magoa-me um bocado.

Para almoço, esqueça os restaurantes virados para o mar. Volte ao centro e vá às tasquinhas perto do mercado. Sardinhas assadas se for de Junho a Setembro, atum vermelho fora de época. Se quiser perceber a cidade como um local, e não como um turista a passar uma tarde, este guia de bairros de Lagos divide a cidade pelos seus quatro ou cinco caracteres distintos. Vale a leitura no carro durante o regresso.

Olhão e Tavira: O Algarve Que Ainda Trabalha

Olhão está a cinquenta minutos para leste, Tavira a uma hora e dez. Faça os dois no mesmo dia, é perfeitamente factível, ou escolha um se preferir não correr.

Olhão é uma cidade de pescadores que ainda cheira a peixe. Os mercados municipais, dois pavilhões gémeos de tijolo vermelho na frente ribeirinha, abrem das oito ao meio-dia, segunda a sábado. Vá num sábado de manhã. O pavilhão da esquerda é peixe (carapaus saltam ainda da caixa de gelo), o da direita é fruta e legumes. Peça aos vendedores que cortem e amanhem o peixe, fazem-no de graça. Volte a Albufeira com um saco térmico cheio.

Tavira é mais polida, mais turística, mas merece a viagem. Tem trinta e sete igrejas (vinte e uma ainda activas), uma ponte romana, e o convento das Bernardas convertido em apartamentos. O ferry para a Ilha de Tavira sai do Cais das Quatro Águas, vai e volta por cerca de dois euros, e leva-o a uma das praias mais largas e selvagens do Algarve. Se for de Junho a Setembro, leve protector solar industrial e água. Não há sombra. Há um único restaurante de praia, é caro, leve sandes.

Monchique: A Serra Que Existe

Para os dias em que o mar lhe causa náuseas, suba à serra. Monchique está a quarenta e cinco minutos por estradas que serpenteiam por entre eucaliptais, e depois castanheiros, e finalmente até aos novecentos metros da Fóia, o ponto mais alto do Algarve. Em dias limpos vê-se a baía de Lagos a oeste e a costa marroquina a sul, mas confirme localmente se a calima do Sara não está a turvar tudo.

O plano: pequeno almoço cedo em Albufeira, conduza até Caldas de Monchique, uma termal pequena enfiada num vale com plátanos centenários. Bebe-se a água da nascente directa da torneira pública, sabe a cobre e a sal. Suba depois a Monchique vila, almoce frango piri-piri (sim, mesmo no interior, é a tradição local) ou ensopado de cabrito, e termine na Fóia para o pôr do sol. Volte por Portimão, dá uma rota circular e poupa-lhe o sobe-e-desce.

Como se Move: A Logística Sem Romantismo

Vou ser franco. Sem carro, o Algarve é frustrante. Os comboios da CP fazem a linha Lagos-Faro-Vila Real de Santo António, com paragem em Albufeira-Ferreiras (atenção, a estação fica a sete quilómetros do centro, há autocarro de ligação). Os horários são razoáveis em hora de ponta, miseráveis fora dela. Bilhete para Faro à volta dos três euros e cinquenta, viagem de quarenta minutos.

Os autocarros Vamus cobrem o resto, mas com frequências limitadas e tempos longos. Para Silves, Monchique, Olhão, esqueça os transportes públicos se for em família ou tiver pressa.

Aluguer de carro: reserve com antecedência em Agosto, há semanas em que os depósitos das rent-a-cars de Faro ficam vazios. Espere pagar entre vinte e cinco e quarenta euros por dia em época baixa, o dobro em Agosto. Conduzir é fácil, a A22 é praticamente sempre fluida, mas atenção às auto-estradas com portagens electrónicas, alguns alugueres têm sistemas próprios, outros obrigam-no a parar em postos de pagamento. Confirme no balcão.

Combustível: a gasolina anda nos um euro e setenta o litro, mais ou menos. Encha o depósito antes de subir a Monchique, há postos no caminho mas pagam-se mal o desvio.

Os Erros Que Não Deve Cometer

Primeiro: não tente ver Sagres e Cabo de São Vicente como bate-volta de Albufeira em Julho ou Agosto. São quase duas horas só de ida, em estradas que ficam congestionadas. Faça-o em Maio, ou faça noite em Sagres.

Segundo: não se desloque a Sevilha. Sei que tem essa ideia. Esqueça. São três horas em cada sentido, e Sevilha em Julho é uma sauna de quarenta e cinco graus. Vá noutra viagem.

Terceiro: não conduza ao pôr do sol pela A22 olhando para oeste. Acidentes acontecem por isso todos os dias. Saia trinta minutos antes ou trinta depois.

Quarto: não almoce nos restaurantes virados directamente para o mar nas vilas piscatórias. Estão lá para os turistas e cobram em conformidade. As tasquinhas escondidas duas ruas para o interior são metade do preço e o dobro da qualidade. Esta é a única regra geral que funciona em todo o Algarve.

Albufeira merece os seus dias. Mas o resto do Algarve também os merece, e está mais perto do que pensa.

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