Albufeira sem Multidões: As Melhores Praias para Fugir do Caos
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Albufeira sem Multidões: As Melhores Praias para Fugir do Caos

· · Albufeira

Albufeira tem dezenas de praias e a maioria dos turistas só conhece duas. Um guia honesto sobre quando chegar, onde estacionar, e como ter a Praia dos Arrifes quase só para si, mesmo em pleno Agosto.

Albufeira em Agosto é aquilo que toda a gente diz que é: ruidosa, suada, cheia de despedidas de solteiro inglesas a cambalear pela Rua da Oura às três da manhã. Se a vossa ideia de férias inclui jugs de sangria fluorescente e DJs a gritar o nome de Birmingham, há sítios melhores para ler este artigo. Para os restantes, aqui vai uma verdade incómoda: a culpa do caos não é de Albufeira. A culpa é de quem só vê dois quilómetros de areia em cada lado da Praia dos Pescadores e decide que isso é tudo.

A verdade é que Albufeira tem dezenas de praias. Algumas estão a dez minutos de carro do centro, escondidas atrás de falésias cor de tijolo, e em Julho podem ter trinta pessoas espalhadas por trezentos metros de areia. Não é segredo, nem joia escondida, nem nada de mítico. É apenas geografia, somada ao facto de que a maioria dos turistas não anda mais de 800 metros do hotel. Este guia é para quem está disposto a andar.

A regra das nove da manhã (e porque é que ninguém a cumpre)

Vou poupar-vos teoria. Há uma única regra honesta para fugir às multidões em Albufeira no Verão: estar com a toalha no chão antes das nove e meia da manhã. Mesmo a Praia da Falésia, que tem seis quilómetros de extensão e em Agosto parece a Avenida da Liberdade, é perfeitamente civilizada às oito. Os autocarros chegam por volta das onze. Os turistas dos resorts às onze e meia. Se chegarem às dez, ainda apanham um parque de estacionamento gratuito e um sítio na primeira fila.

Os locais sabem isto. É por isso que à hora a que vocês saem do pequeno-almoço do hotel, eles já estão a sair da praia para almoçar em casa. Inverter o horário muda tudo. Acordem cedo, façam a praia até às doze, almocem com calma, durmam a sesta, e voltem por volta das cinco da tarde, quando a luz fica âmbar e a maré começa a baixar. Os ingleses já estão a beber Aperol. Vocês têm a praia outra vez.

Praia da Falésia: grande, sim, mas escolham o lado certo

A Praia da Falésia é a única praia gigante do concelho e, por isso, é a melhor opção quando há vento de Levante a empurrar todos para o lado abrigado. O erro clássico é entrar pelo acesso de Olhos de Água ou pelo Pine Cliffs, onde está toda a gente. Conduzam até ao acesso da Praia da Falésia em Açoteias, na ponta nascente. Custa três euros estacionar (em Agosto), há um restaurante de praia decente para o almoço, e depois caminhem mil metros para leste pela areia. A multidão evapora.

O outro segredo é que a maré baixa transforma a Falésia. Com a água longe, abre-se uma faixa enorme de areia firme onde se pode correr, andar de bicicleta, ou simplesmente caminhar duas horas com os pés na água até Vilamoura sem encontrar mais que pescadores. Verifiquem as tabelas de marés antes de irem. É o melhor conselho gratuito que vos posso dar.

As pequenas: Praia do Castelo, Praia da Coelha, Praia dos Arrifes

Saindo do centro de Albufeira para oeste, há uma sequência de praias pequenas, separadas por falésias, que recebem uma fração dos visitantes. Não há nada de espiritual nelas. São apenas pequenas, com estacionamento limitado, e isso afasta os autocarros. A Praia do Castelo tem uma escadaria íngreme, areia dourada e duas formações rochosas que parecem barbatanas de tubarão. A Praia da Coelha, ao lado, tem mais sombra natural durante a manhã. A Praia dos Arrifes, um pouco mais a oeste, é a minha favorita: três enseadas separadas por arcos de rocha, água transparente, e um bar de praia simples onde a sandes de bifana custa o que deve custar uma sandes de bifana.

Conselho prático: estacionem em Sesmarias, no parque grande à entrada da Vila Sésamo, e desçam a pé. São cinco minutos. Tentar conduzir até ao fim do caminho é uma má ideia em Julho e Agosto.

Praia de São Rafael: a postal, mas cheguem cedo

A Praia de São Rafael é a praia que aparece em todas as fotografias de Albufeira: arcos de rocha, água turquesa, falésia ocre. Por isso mesmo, é também a praia onde nunca devem ir entre as onze e as quatro. Cheguem às oito e meia. Tomem o pequeno-almoço no bar da praia (o galão é honesto, a torrada com manteiga também). Saiam ao meio-dia. Voltem outro dia.

Se a Praia de São Rafael estiver impossível, a Praia do Castelo (não confundir com a referida acima, mas a outra mais a oeste, perto da Galé) e a Praia da Galé Oeste oferecem o mesmo tipo de cenário com metade dos visitantes. A Galé Oeste é particularmente generosa em areia: kilómetros e quilómetros sem que ninguém vos importune.

O segredo das marés: Praia do Peneco e Praia dos Pescadores

Aqui vai uma observação contraintuitiva. As duas praias centrais de Albufeira, a Praia do Peneco e a Praia dos Pescadores, são vistas como turísticas e a evitar. Em Agosto ao meio-dia, sim. Mas em Maio, Junho, Setembro e Outubro, à tarde, com a maré baixa, são uma das melhores experiências da cidade. A maré baixa expõe uma faixa de areia tão larga que as multidões desaparecem visualmente. Vê-se o trabalho dos pescadores, ouve-se gaivotas em vez de música de festa, e ao pôr do sol pode-se subir os miradouros para ver tudo do alto.

Falando em miradouros, façam um favor a vocês mesmos: depois da praia, subam ao Miradouro do Pau da Bandeira ao fim da tarde. Há uma escada coberta que liga a Praia dos Pescadores ao topo da falésia, e a vista para a baía com os barcos coloridos justifica o esforço. Para um ângulo diferente, o Miradouro Rossio oferece o melhor enquadramento do centro histórico, e o Miradouro da Rua Latino Coelho tem bancos à sombra. Levem uma garrafa de água. Não levem o copo de plástico.

Como chegar lá: o problema do carro

Vou ser direto: alugar carro é a única solução decente para explorar as praias de Albufeira. Os autocarros locais existem mas são lentos e cheios. Os Ubers são caros em época alta. A bicicleta é uma alternativa séria, mas as falésias entre praias são duras e a temperatura em Julho a meio do dia transforma qualquer subida em punição.

Quem quiser mesmo combinar mobilidade com vistas, recomendo o tour de e-bike pelas falésias e praias com a Bikesul. A motor elétrico transforma as subidas brutais em algo civilizado, e o guia conhece atalhos que mesmo quem cá vive há anos desconhece. É uma boa forma de fazer o reconhecimento do território no primeiro ou segundo dia, antes de decidir a quais praias voltar.

Quando ir: o calendário honesto

Não há mistério. Julho e Agosto são insuportáveis em qualquer praia próxima do centro. Junho e Setembro são quase perfeitos: água acima dos vinte graus, multidões reduzidas, preços mais baixos. Maio e Outubro são óptimos para caminhadas pela costa e almoços de praia, embora a água esteja fresca. Novembro a Abril, Albufeira esvazia, muitos restaurantes fecham, e a cidade tem uma melancolia interessante. Pode ser um bom momento para conhecê-la, se não vierem só pelo banho.

Comer entre praias

O grande erro gastronómico em Albufeira é almoçar no restaurante mais próximo da praia onde estiveram. Os preços de praia, os menus traduzidos para sete línguas, as fotografias dos pratos: são tudo sinais de aviso. A regra é simples. Almocem ligeiro num bar de praia (sandes mista, salada, fruta) e jantem fora da zona turística. Há tascas decentes em Olhos de Água, em Ferreiras, em Paderne. Procurem onde estacionam carrinhas de obras ao meio-dia.

Para quem queira mergulhar a fundo na cozinha algarvia (e voltar a casa a saber fazer cataplana decente), a aula de cozinha na MIMO Algarve, no centro histórico, é uma das melhores formas de passar uma manhã ou tarde fora da praia. Não é barato, mas levam para casa receitas reais, dão-vos uma refeição completa, e poupam-vos o jantar caro do hotel.

Famílias: o que muda

Com crianças pequenas, as regras invertem-se. A Praia da Falésia ao fim da tarde é difícil para meninos pequenos por causa da extensão e do vento. As praias pequenas, com falésias a proteger do vento e ondulação reduzida, funcionam muito melhor. A Praia da Coelha, a Praia dos Arrifes, e em particular a Praia da Galé Leste (com águas mais calmas) são as minhas escolhas para famílias.

Se quiserem um dia inteiro fora da praia com miúdos, considerem uma viagem a Silves, a vinte minutos para o interior. O castelo, o mercado municipal e o rio criam um dia equilibrado, e a temperatura é mais civilizada do que junto ao mar. O nosso guia honesto de Silves com crianças tem o detalhe todo, incluindo onde almoçar sem ouvir as palavras "kids menu".

Para quem quer mais que praia

Há um problema típico de quem fica em Albufeira: passar uma semana inteira sem nunca conhecer o resto do Algarve. É um erro. Faro, a quarenta minutos para leste, é uma cidade real com vida própria, e merece pelo menos um dia. O nosso guia sobre a cultura local de Faro aponta para onde almoçar e quais tradições ainda funcionam fora da temporada turística. Lagos, a uma hora para oeste, é igualmente diferente, com falésias mais espectaculares e um centro histórico que ainda respira. Para perceber a cidade por bairros, vejam o nosso guia de bairros de Lagos.

O resumo, para quem só lê os fins de artigo

  • Cheguem à praia antes das nove e meia, ou depois das cinco da tarde.
  • Para multidões zero: Praia dos Arrifes, Praia da Coelha, Galé Oeste.
  • Para a postal sem caos: Praia de São Rafael ao nascer do sol.
  • Para o longe-de-tudo: ponta nascente da Praia da Falésia, com maré baixa.
  • Aluguem carro ou bicicleta eléctrica. Os autocarros não dão.
  • Evitem Julho e Agosto se puderem. Junho e Setembro são a janela boa.
  • Não almocem no primeiro restaurante a seguir à praia.

Albufeira não é o problema. O problema é fazer Albufeira como toda a gente. Façam diferente, e a cidade devolve um Algarve que ainda existe, debaixo do barulho.

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