Miradouro do Pau da Bandeira
Albufeira
Empoleirado sobre a Praia dos Pescadores, é o melhor postal de Albufeira e não custa nada. Apanhem as escadas rolantes, cheguem 40 minutos antes do pôr do sol e guardem o telemóvel pelo menos cinco minutos.
Há uma regra não escrita em Albufeira: toda a gente acaba no Miradouro do Pau da Bandeira, mesmo quem jura que veio só pela praia. Está empoleirado na falésia, por cima da Praia dos Pescadores e da Cidade Velha, e oferece aquilo que os bares com vista cobram a peso de ouro: a baía inteira, a curva dourada da costa e o mar a perder de vista. A diferença é que aqui não há conta no fim.
A morada é R. Sacadura Cabral 23, 8200-176 Albufeira. Não se enganem com o número de porta, porque o miradouro não é um edifício, é uma plataforma debruçada sobre o vazio, com guarda corpos e bancos onde as pessoas se sentam a não fazer absolutamente nada durante uma hora. E ainda bem.
O grande truque está nas escadas rolantes mesmo ao lado. Albufeira é construída numa encosta e a Cidade Velha fica lá em baixo, junto ao mar, enquanto a parte alta da cidade fica, bem, em cima. Os turistas teimosos sobem a pé e chegam vermelhos e arrependidos. As escadas rolantes ligam os dois níveis e deixam o miradouro a poucos passos. Se vierem de carro, esqueçam: o centro histórico é um labirinto de ruas estreitas e estacionamento é uma dor de cabeça. Deixem o carro num dos parques da parte alta e desçam a pé.
Do miradouro consegue ver a Praia dos Pescadores diretamente por baixo, com os barcos coloridos encalhados na areia, herança dos tempos em que Albufeira era uma aldeia de pesca antes de ser uma máquina de verão. É o tipo de detalhe que torna este sítio mais do que uma vista bonita.
Vou ser direto: ao meio dia, no pico de agosto, isto é um forno com gente a empurrar se para a fotografia. A luz está dura, o calor é brutal e não há sombra que chegue. O miradouro está sempre aberto, não tem horário nem porta, mas isso não significa que todas as horas sejam iguais.
O momento é ao fim da tarde. O sol baixa sobre a água, a falésia ganha aquele tom de mel que dá nome à costa, e a temperatura torna se humana. Cheguem trinta a quarenta minutos antes do pôr do sol para apanhar lugar no parapeito. É grátis, é público e portanto é disputado. Se quiserem o sossego, experimentem ao início da manhã, quando só lá estão os locais a passear o cão e a luz vem do lado certo.
O miradouro funciona melhor como início ou fim de um passeio, não como destino isolado. Mesmo abaixo está a Cidade Velha, com as suas ruas de calçada, esplanadas e lojas. A poucos minutos a pé tem outros miradouros que valem o desvio: o Miradouro da Rua Latino Coelho e o Miradouro do Rossio, cada um com o seu ângulo da mesma baía. Fazer os três de seguida é a melhor maneira de perceber a geografia da cidade num par de horas.
Se quiserem ir mais fundo na Albufeira que existe para além do neon, vale a pena ler o nosso guia das melhores praias da zona e o artigo sobre tradições e festas algarvias, que explica porque é que esta cidade é muito mais do que a fama da movida sugere.
Não há telefone, não há site oficial, não há nada para confirmar diretamente. É um daqueles lugares que não precisa de gestão nem de marketing porque a vista trata de tudo. Façam só uma coisa por mim: guardem o telemóvel durante cinco minutos e olhem mesmo para a baía antes de a fotografarem. Albufeira mudou muito nas últimas décadas, mas deste sítio ainda se percebe porque é que alguém, há séculos, decidiu construir uma cidade exatamente aqui.