Praia da Arrifana
Aljezur
Enquanto a EN125 engasga com trânsito e as praias centrais transbordam, Aljezur guarda uma versão mais calma do Algarve de agosto. Basta saber a que horas evitar a Praia da Arrifana e onde comer sem fila.
Às 4h da manhã, na Casa da Montanha, recebe um localizador GPS e começa a subir os 2.351 metros do Pico para ver o nascer do sol acima das nuvens. Depois: vinho crescido em currais de pedra negra, cachalotes ao largo das Lajes e a maior festa da ilha na última semana de agosto.
Esqueça as filas de Portimão. A melhor sardinha do Algarve come-se em Aljezur, com pão a apanhar a gordura, vinho tinto fresco no balde e o vento da serra a limpar o fumo. Um guia honesto sobre quando vir, onde comer e o que pedir.
Em Junho, as melhores praias do Algarve não estão em Albufeira: estão em Aljezur, na Costa Vicentina, onde a água é fria, o vento é real, e ainda se almoça sem reserva. Um guia opinativo da Arrifana, Bordeira e Amoreira, com pequeno-almoço na Mioto e batata-doce a sério.
Aljezur é o tipo de sítio que faz esquecer que o Algarve tem resorts. Enquanto a costa sul empilha espreguiçadeiras, aqui a Costa Vicentina abre-se em falésias escuras, praias largas e um vento que não pede licença. A vila, dividida entre a parte velha, trepada no morro do castelo, e a zona mais recente junto à estrada nacional, mantém uma escala que permite percorrê-la a pé em meia hora. Mas é esse meio caminho entre a praia e a serra de Monchique que dá a Aljezur um carácter próprio.
O castelo, construído pelos mouros no século X e conquistado por D. Paio Peres Correia em 1249, vale sobretudo pela vista: de um lado, a ribeira serpenteando até ao mar; do outro, os montes cobertos de mato mediterrânico. Não é um castelo de salas e torreões, são muralhas e silêncio. Mais abaixo, o Museu Municipal, junto à igreja matriz, ajuda a perceber a ocupação islâmica da região e a importância da batata-doce na economia local.
A batata-doce, aliás, é a estrela de Aljezur. Cultivada nos terrenos arenosos perto da ribeira, tem DOP e protagoniza um festival próprio em novembro, o Festival da Batata-Doce, que enche a vila durante um fim de semana. Fora da época do festival, encontra-a em bolos, licores e como acompanhamento em vários restaurantes da zona.
A Praia da Arrifana, já no nosso guia, é a mais conhecida: aldeia de pescadores reconvertida, escola de surf, e um pôr do sol que justifica o desvio. Mas vale explorar mais. A Praia de Monte Clérigo, a norte, tem menos ondulação e um punhado de restaurantes com peixe grelhado junto à areia. A Praia da Amoreira, onde a ribeira de Aljezur encontra o mar, forma uma lagoa natural que aquece mais rápido, boa opção para famílias ou para dias de vento forte.
Dois a três dias é o tempo certo. Um dia para praias, outro para caminhar um troço da Rota Vicentina, o Trilho dos Pescadores entre Arrifana e Monte Clérigo é exigente mas espetacular, e um terceiro para a vila, o castelo e um almoço sem pressa. Aljezur funciona bem como base para explorar a Costa Vicentina sem a agitação de Lagos ou Sagres.
A melhor altura para vir é setembro e início de outubro: o mar ainda está acessível, o calor abranda e os preços de alojamento baixam. Em pleno agosto, mesmo aqui, estacionar perto das praias exige paciência.