Tavira é a cidade do Algarve que os algarvios recomendam quando lhes perguntam onde ir. Enquanto Albufeira e Lagos disputam os mesmos turistas, Tavira mantém um ritmo próprio, mais lento, mais real, e francamente mais interessante para quem quer perceber o que é o Algarve quando não está a tentar impressionar ninguém.
Uma cidade construída em camadas
O Rio Gilão divide Tavira em duas e une-a ao mesmo tempo. A ponte romana, reconstruída várias vezes, mas sempre ali, é o ponto de referência que toda a gente usa. De um lado, o mercado municipal e o jardim junto ao rio. Do outro, as ruas que sobem até ao Castelo de Tavira e à Igreja de Santa Maria do Castelo, onde se diz que estão enterrados os sete cavaleiros que reconquistaram a cidade aos mouros em 1242.
O que distingue Tavira visualmente são os telhados de tesoura, quatro águas, que não se veem com esta densidade noutro sítio do Algarve. Olhe para eles a partir das muralhas do castelo e percebe-se que a cidade tem uma identidade arquitectónica que não foi inventada para turistas.
O que fazer com dois ou três dias
Tavira pede pelo menos duas noites. Um dia para a cidade em si, o castelo, a Câmara Obscura na Torre de Tavira, o passeio ao longo do rio, as igrejas que surgem em cada esquina (são mais de trinta). Outro dia para a Ilha de Tavira, acessível de barco a partir do cais, com uma das melhores praias do sul de Portugal: extensa, com areia fina e sem construção à vista.
Se estiver de carro, o Parque Natural da Ria Formosa fica à porta. Os trilhos entre salinas e esteiros são planos e fáceis, bons para manhãs antes do calor apertar.
Comer em Tavira
O atum é rei aqui, Tavira foi durante séculos um centro de pesca de atum e a tradição sobrevive na gastronomia. Estejão de atum, muxama (atum seco e curado), e as variações que cada restaurante adapta à sua maneira. Fora do atum, há as conquilhas à Bulhão Pato e o polvo grelhado que encontra em praticamente qualquer tasca junto ao rio. O Mercado da Ribeira, reconvertido em espaço de restauração, é uma opção prática para almoçar sem compromisso.
Quando ir
Maio, Junho e Setembro são os meses certos, calor suficiente para praia, mas sem as multidões de Julho e Agosto. Em Fevereiro, se tiver sorte com as datas, as amendoeiras em flor no barrocal transformam as colinas à volta da cidade. No Verão, Tavira enche mais do que costumava, mas nunca ao ponto de perder a compostura.