Lamego

Lamego tem 686 degraus barrocos, uma das melhores colecções de arte sacra do país e a bôla, massa de pão recheada de presunto fumado que se come em cada esquina. Dois dias e estômago disponível é tudo o que precisa.

Lamego é uma cidade de granito e silêncio produtivo, plantada na margem sul do Douro, a meia encosta entre o rio e o céu. Não compete com o Porto ou Lisboa pela atenção do visitante, e é exactamente por isso que funciona. Aqui, o ritmo é outro: passeiam-se ruas sem multidões, come-se com tempo e desce-se (ou sobe-se) escadarias barrocas sem fila.

A escadaria e o que está antes dela

Os 686 degraus do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios são o cartão de visita inevitável. A subida, entre azulejos, fontes e obeliscos, é mais teatro do que penitência, o Pátio dos Reis, com a sua fonte monumental sustentada por atlantes sobre golfinhos, vale a paragem a meio do fôlego. Mas Lamego não se esgota na escadaria. A Sé Catedral, fundada no século XII, mistura camadas de Românico, Gótico e Barroco com uma naturalidade que só o tempo permite. O Museu de Lamego, instalado no antigo Paço Episcopal, guarda uma das melhores colecções de arte sacra do país, os painéis de Vasco Fernandes, sozinhos, justificam a visita. E o castelo, lá em cima, oferece uma vista desimpedida sobre os socalcos do Douro.

A mesa como argumento

Se há uma razão sensorial para vir a Lamego, chama-se bôla. A bôla de Lamego, massa de pão fofa recheada de carne de porco curada ou presunto, é um dos grandes petiscos do Norte. Encontra-se em praticamente todas as padarias e pastelarias da cidade, e cada uma defende a sua versão. O presunto de Lamego, fumado e curado lentamente, é outro produto com denominação própria e merece ser levado para casa. Nos restaurantes, espere arroz de cabidela, cabrito assado e espumante da região, porque sim, Lamego produz espumante, e bom.

Quando ir e quanto tempo ficar

Dois dias chegam para conhecer o essencial sem pressa. De final de Agosto a 9 de Setembro, as Festas de Nossa Senhora dos Remédios, conhecidas como a Romaria de Portugal, transformam a cidade: a Procissão do Triunfo, a 8 de Setembro, em que a imagem da Senhora é puxada por juntas de bois, é uma tradição única no mundo católico. Fora das festas, a Primavera e o início do Outono são ideais, luz boa, temperaturas amenas e os vinhedos do Douro em plena mudança de cor.