Torre de Moncorvo

Capital da amêndoa no norte de Portugal, Torre de Moncorvo ganha vida entre fevereiro e março com a floração das amendoeiras nos vales da Vilariça e do Sabor. Fora da época, é uma base tranquila para explorar o Douro Superior, com gastronomia de borrego Terrincho, migas e as célebres Amêndoas Cobertas.

Torre de Moncorvo é o maior concelho do Douro Superior e, durante quase todo o ano, uma terra sossegada onde os dias correm ao ritmo das estações. Mas entre fevereiro e março, quando as amendoeiras florescem em massa nos vales da Vilariça e do Sabor, a paisagem transforma-se num manto branco e rosado que justifica, por si só, a viagem. Moncorvo é o maior produtor de amêndoa do norte de Portugal, e a floração não é um evento de nicho: é o acontecimento do ano, com feira, mercado e animação cultural nas ruas da vila.

O que encontra no centro da vila

A Igreja Matriz, ou Basílica Menor de Nossa Senhora da Assunção, título concedido pelo Papa Francisco em 2022, domina o centro histórico. É o maior templo religioso de Trás-os-Montes, construído entre 1544 e meados do século XVII, com uma torre sineira de 30 metros em granito. Lá dentro, o Tríptico da Vida de Santa Ana, um retábulo maneirista do século XVI vindo de uma oficina de Antuérpia, é uma das peças de arte sacra mais valiosas de toda a região. Vale a pena pedir para ver o museu de arte sacra no interior.

A poucos minutos a pé, o Museu do Ferro e da Região de Moncorvo conta a história das minas de ferro que marcaram o concelho, Moncorvo tem um dos maiores depósitos nacionais, explorado sobretudo no século XIX. É um museu pequeno, mas bem montado, que dá contexto ao território.

À mesa e no campo

A gastronomia de Moncorvo assenta em produtos com denominação de origem: o Borrego Terrincho (raça churra da Terra Quente) aparece em caldeiradas, assados e ensopados em praticamente todos os restaurantes da vila. As migas, de peixe do rio, de tomate com bacalhau frito, ou de espargos, são prato obrigatório. Na Taberna do Carró encontra casulas com butelo e posta à mirandesa; no O Lagar, o cabrito e o bacalhau são referências seguras.

Para sobremesa, as Amêndoas Cobertas de Moncorvo são uma instituição: feitas à mão durante oito dias seguidos, com açúcar trabalhado num ponto especial sobre amêndoas torradas em bacia de cobre. São consideradas uma das 7 Maravilhas da Doçaria Portuguesa.

Quando ir e quanto tempo ficar

Para as amendoeiras em flor, venha entre a última semana de fevereiro e meados de março, as datas variam com o clima. Fora dessa janela, Moncorvo funciona bem como base para explorar o Douro Superior: a Ecopista do Sabor, com 34 km entre Pocinho e Carviçais, é excelente para caminhadas ou bicicleta. A Foz do Sabor, onde o rio encontra o Douro, tem zona de recreio, café e acesso ao rio para banhos no verão. Um dia inteiro chega para a vila; dois dias permitem explorar os miradouros da via panorâmica e o vale da Vilariça com calma.