Prova de Vinhos e Amêndoa na Quinta Vale do Sabor, Moncorvo
A prova Vinhas do Sabor na Quinta Vale do Sabor custa 35 euros, dura uma hora e inclui três vinhos Quinta Vale D. Maria num terraço sobre o vale. Depois, a rota completa-se na vila com a amêndoa coberta de Moncorvo, uma das 7 Maravilhas Doces de Portugal. Marque o primeiro horário da manhã: no Douro Superior, o Verão não perdoa provas às três da tarde.
Torre de Moncorvo tem cerca de 1.530 hectares de vinha, uma fatia considerável do Douro Superior, e no entanto quase ninguém pensa nesta vila quando planeia enoturismo. É um erro que joga a seu favor: enquanto o Cima Corgo enche autocarros, aqui prova-se vinho com o vale do Sabor inteiro só para si. A base desta rota é real e reserva-se online: a prova Vinhas do Sabor na Quinta Vale do Sabor, a propriedade que o grupo Aveleda dedica aos vinhos Quinta Vale D. Maria, mesmo à saída da vila, na antiga Estrada Nacional 325, também conhecida como Via Panorâmica. O resto da rota, a parte da amêndoa, monta-se a pé no centro histórico. Explico como.
A prova na Quinta Vale do Sabor: o que é, quanto custa
A experiência chama-se Prova Vinhas do Sabor e inclui um percurso panorâmico de 360 graus pela propriedade seguido de prova de três vinhos. Custa 35 euros por pessoa, dura cerca de uma hora e aceita grupos de 1 a 20 pessoas, com cancelamento gratuito até 24 horas antes. A quinta tem 42 hectares plantados sobre a encosta do vale do rio Sabor, com Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz, algumas parcelas com 35 anos. A prova acontece num terraço virado para a vinha, e é aqui que a experiência ganha à maioria das provas do Douro: não há armazém escuro nem sala de recepção com ar de aeroporto. Está-se literalmente em cima da paisagem que se bebe.
Funciona todos os dias das 9h às 19h, excepto segundas e terças. Reserve com antecedência: a equipa é pequena e as visitas são marcadas, não se aparece à porta a contar com sorte. Contactos: (+351) 939 149 299 ou [email protected]. A reserva online faz-se pela Winalist ou por contacto directo.
Vá de manhã. A sério.
O Douro Superior em Julho e Agosto passa dos 40 graus sem pedir licença, e o terraço da quinta, com toda a sua vista, não é sítio para provar tintos encorpados às três da tarde. Marque o primeiro horário da manhã, entre as 9h e as 10h, quando a encosta ainda guarda o fresco da noite e a luz atravessa o vale do Sabor na diagonal. A alternativa é o fim do dia, depois das 18h, quando o sol desce e o xisto começa a devolver o calor acumulado, o que até tem o seu encanto se levar água e paciência. Já escrevemos sobre esta lógica de horários no nosso guia de Torre de Moncorvo em Julho: aqui o Verão vive-se de manhã cedo e ao cair da noite, e a prova de vinhos não é excepção.
O que se prova
São três vinhos da casa Quinta Vale D. Maria, uma das referências sérias do Douro Superior. A selecção exacta varia, por isso confirme directamente com o operador se tem interesse num vinho específico. Na loja da quinta encontra garrafas entre os 10 e os 145 euros, além de produtos locais. O meu conselho de sempre: não compre na primeira emoção pós-prova. Aponte o que gostou, dê uma volta pela loja, e leve uma garrafa do escalão intermédio, que é onde esta casa costuma dar mais vinho pelo dinheiro.
A segunda metade da rota: a amêndoa, na vila
A quinta trata do vinho. A amêndoa trata-se a três minutos de carro, no centro histórico de Torre de Moncorvo. A amêndoa coberta de Moncorvo, esse doce de amêndoa envolvida em açúcar trabalhado à colher durante horas sobre tachos de cobre, foi eleita uma das 7 Maravilhas Doces de Portugal, e continua a fazer-se de forma artesanal por poucas mãos. Procure-a nas doçarias e lojas de produtos locais da vila; há uma loja municipal de produtores no centro, e as variedades clássicas são a branca, a morena e a de chocolate. Prove a branca primeiro: é a mais difícil de fazer bem e a que melhor mostra a diferença entre trabalho artesanal e imitação industrial.
Enquanto está no centro, aproveite o que a vila tem de melhor num raio de 200 metros. A Basílica Menor de Nossa Senhora da Assunção é desproporcionadamente grande para a vila que a rodeia, e é fresca lá dentro, o que em pleno Verão vale tanto como o património. O Museu do Ferro e da Região de Moncorvo explica a outra vida desta terra, a do minério da Serra do Reboredo, e dá contexto ao que se vê da estrada a caminho da quinta.
Como organizar o dia
- 9h30: prova Vinhas do Sabor na quinta, com a manhã ainda fresca.
- 11h: centro histórico, basílica, museu, compra de amêndoa coberta.
- 13h: almoço na vila. Posta e cabrito dominam as ementas; confirme horários, porque aqui almoça-se cedo e as cozinhas fecham sem cerimónia.
- Tarde: sesta ou sombra. Se insistir em programa, a praia fluvial da Foz do Sabor fica a 15 minutos.
Dicas práticas
- Vá de carro. Não há transporte público útil até à quinta, e a Via Panorâmica faz jus ao nome, com vinha e amendoal a perder de vista.
- Leve chapéu e água mesmo para uma prova de uma hora. O percurso panorâmico é ao ar livre.
- Sapato fechado ou ténis: pisa-se terra de quinta, não mármore de sala de provas.
- Se vier na época das amendoeiras em flor, entre final de Fevereiro e Março, a paisagem muda por completo. Temos um roteiro de primavera dedicado às amendoeiras que combina bem com esta prova.
- Quem conduz prova pouco: os tintos do Douro Superior raramente ficam abaixo dos 14 graus. A quinta vende garrafas, leve a prova para casa.
Vale os 35 euros?
Vale, com uma condição: que perceba o que está a comprar. Não é um espectáculo de enoturismo com teleférico e queijos em tábua de ardósia. É uma hora numa encosta do Sabor, três vinhos sérios e uma vista que noutro ponto do Douro custaria o dobro e viria com multidão incluída. O melhor momento, para mim, é o final do percurso panorâmico, quando se chega ao terraço e o vale abre de repente. Se o silêncio do Douro Superior lhe disser alguma coisa, é ali que o encontra, de copo na mão. E a amêndoa coberta na mala do carro é a única lembrança de viagem desta região que ninguém em casa vai fingir que agradece.