Porto Covo é uma aldeia de pouco mais de mil habitantes que, fora de agosto, funciona no seu próprio ritmo. O Largo Marquês de Pombal, uma praça do século XVIII desenhada segundo a geometria pombalina, com casas brancas de barras azuis e portas vermelhas, é o centro de tudo. À volta, meia dúzia de ruas paralelas, uma igreja pequena e os restaurantes onde se come o peixe que ainda vem daqui.
O mar em três versões
A Praia Grande é a mais acessível: larga, com bandeira azul e nadador-salvador no verão. Para quem prefere águas mais protegidas, a Praia dos Buizinhos fica abaixo do miradouro, encaixada entre falésias, desce-se por escadaria e o vento quase não chega lá. Mais a sul, a Praia da Ilha do Pessegueiro abre-se numa faixa de areia extensa em frente à ilha, com o forte seiscentista no promontório a vigiar a costa. A ilha propriamente dita, com ruínas romanas e um segundo forte inacabado, é visível de qualquer ponto da falésia, mas o acesso é só de barco ou kayak.
Caminhar antes (ou em vez) de ir à praia
Porto Covo é o ponto de partida do Trilho dos Pescadores da Rota Vicentina, um dos trilhos costeiros mais reconhecidos da Europa. A primeira etapa segue pela arriba até Vila Nova de Milfontes, sempre rente ao mar, passando pela Ilha do Pessegueiro. Mesmo quem não quer fazer a etapa completa pode caminhar a primeira hora, as falésias e a vista sobre a ilha justificam o esforço. O trilho está bem sinalizado e é percorrível entre setembro e junho sem o calor brutal do verão alentejano.
Onde e quando
A Cervejaria Marquês, junto ao Largo, é uma referência para marisco e peixe grelhado, convém reservar em julho e agosto. O Restaurante Ti Joaquim é outra escolha habitual dos locais. Em termos de timing, junho e setembro são os meses ideais: dias longos, mar já acessível e a aldeia ainda sem a pressão de agosto. Dois a três dias chegam para explorar as praias, caminhar um troço da Rota Vicentina e jantar sem pressa. Quem fica só uma noite perde metade do ponto: Porto Covo funciona melhor quando se entra no ritmo lento, quando se percebe que aqui o programa é não ter programa nenhum.