Praia Grande de Porto Covo
Porto Covo
Porto Covo é uma aldeia de mil habitantes na costa alentejana, ponto de partida do Trilho dos Pescadores e porta de entrada para a Ilha do Pessegueiro. Fora de agosto, é o tipo de sítio onde dois dias passam sem se dar por isso, entre praias protegidas, peixe grelhado no Largo e falésias que não acabam.
A resposta curta é que Porto Covo não tem museus. A resposta longa envolve tanques de salga romanos comidos pelo mar, um forte nunca terminado e a explicação de por que isso é melhor do que qualquer sala com ar condicionado.
Porto Covo não tem museu, sala com ar condicionado nem bilheteira. Tem um forte do século XVII sem legendas, ruínas romanas debaixo de água na Ilha do Pessegueiro e uma vila caiada de branco e azul que conta a história melhor do que qualquer painel.
Porto Covo não tem parques aquáticos nem animação organizada, e é exatamente por isso que funciona tão bem com crianças: uma praia larga e protegida, um trilho curto que os miúdos aguentam, e um barco até à Ilha do Pessegueiro que rouba o dia a qualquer outra atração.
Porto Covo cabe inteira num dia de caminhada: do Largo Marquês de Pombal à Praia Grande, do cais de pescadores ao início do Trilho dos Pescadores com vista para a Ilha do Pessegueiro. Um roteiro a pé sem pressa, sem carro e sem GPS.
Porto Covo é uma aldeia de pouco mais de mil habitantes que, fora de agosto, funciona no seu próprio ritmo. O Largo Marquês de Pombal, uma praça do século XVIII desenhada segundo a geometria pombalina, com casas brancas de barras azuis e portas vermelhas, é o centro de tudo. À volta, meia dúzia de ruas paralelas, uma igreja pequena e os restaurantes onde se come o peixe que ainda vem daqui.
A Praia Grande é a mais acessível: larga, com bandeira azul e nadador-salvador no verão. Para quem prefere águas mais protegidas, a Praia dos Buizinhos fica abaixo do miradouro, encaixada entre falésias, desce-se por escadaria e o vento quase não chega lá. Mais a sul, a Praia da Ilha do Pessegueiro abre-se numa faixa de areia extensa em frente à ilha, com o forte seiscentista no promontório a vigiar a costa. A ilha propriamente dita, com ruínas romanas e um segundo forte inacabado, é visível de qualquer ponto da falésia, mas o acesso é só de barco ou kayak.
Porto Covo é o ponto de partida do Trilho dos Pescadores da Rota Vicentina, um dos trilhos costeiros mais reconhecidos da Europa. A primeira etapa segue pela arriba até Vila Nova de Milfontes, sempre rente ao mar, passando pela Ilha do Pessegueiro. Mesmo quem não quer fazer a etapa completa pode caminhar a primeira hora, as falésias e a vista sobre a ilha justificam o esforço. O trilho está bem sinalizado e é percorrível entre setembro e junho sem o calor brutal do verão alentejano.
A Cervejaria Marquês, junto ao Largo, é uma referência para marisco e peixe grelhado, convém reservar em julho e agosto. O Restaurante Ti Joaquim é outra escolha habitual dos locais. Em termos de timing, junho e setembro são os meses ideais: dias longos, mar já acessível e a aldeia ainda sem a pressão de agosto. Dois a três dias chegam para explorar as praias, caminhar um troço da Rota Vicentina e jantar sem pressa. Quem fica só uma noite perde metade do ponto: Porto Covo funciona melhor quando se entra no ritmo lento, quando se percebe que aqui o programa é não ter programa nenhum.