Vila Nova de Milfontes existe naquele ponto exacto onde o rio Mira decide finalmente encontrar o Atlântico. É uma confluência que define tudo, a luz, a paisagem, o ritmo dos dias. A vila cresce a partir do seu castelo quinhentista, numa malha de ruas baixas que descem até ao rio de um lado e ao mar do outro. Não é grande, mas tem uma densidade de praias que desafia a lógica para uma terra deste tamanho.
Onde o rio encontra o mar
O estuário do Mira é o verdadeiro protagonista. A maré muda tudo: de manhã, a praia fluvial junto à Ponte pode ser um espelho calmo perfeito para famílias com crianças; à tarde, com a maré a encher, a corrente ganha força e o cenário transforma-se. Do outro lado do rio, a Praia das Furnas estende-se por quilómetros de areia praticamente deserta, acessível de barco ou pela estrada que contorna por Almograve. É o tipo de praia que em qualquer outro país da Europa teria um resort de cinco estrelas colado, aqui, tem dunas e silêncio.
A vila em si
O centro histórico organiza-se à volta do Castelo de Milfontes, construído no final do séc. XVI para defender o porto dos piratas norte-africanos. Hoje, funciona como alojamento. As ruas em redor, Rua dos Aviadores, Rua do Cais, concentram a maior parte dos restaurantes e cafés. Em noites de Verão, a zona do Largo do Rossio enche-se sem nunca parecer sufocante, com um ambiente que mistura famílias portuguesas de férias, surfistas e ciclistas da Rota Vicentina.
O que comer e quando ir
Milfontes é terra de peixe e marisco, mas o prato que merece atenção é o arroz de lingueirão, quando está na época, entre Março e Setembro. Os lingueirões são apanhados nos bancos de areia do estuário e aparecem nos menus dos restaurantes locais com uma frescura impossível de replicar em Lisboa. O polvo grelhado e as amêijoas à Bulhão Pato são apostas seguras em praticamente qualquer mesa.
A melhor altura para visitar é Junho ou Setembro. Agosto traz multidões, a vila triplica de população e o trânsito à entrada torna-se um teste de paciência. Em Junho, a água ainda está fria mas os dias são longos e a vila respira. Setembro oferece o melhor equilíbrio: mar mais temperado, menos gente, restaurantes ainda em pleno funcionamento. Dois a três dias é o tempo ideal, o suficiente para explorar as praias, percorrer um troço da Rota Vicentina e deixar-se ficar ao fim da tarde no paredão a ver o sol desaparecer sobre o estuário.