Café Saudade
Covilhã
O Café Primor é o ponto de encontro por defeito da Covilhã, esplanada generosa, café consistente e o pulso real de uma cidade entre a tradição têxtil e a energia universitária. Não tenta impressionar, e é por isso que funciona.
Há cafés que existem porque alguém quis abrir um negócio, e há cafés que existem porque uma cidade precisa de um sítio onde se encontrar. O Café Primor, na Rua João Alves da Silva 10, pertence firmemente à segunda categoria. Qualquer covilhanense sabe indicar o caminho, fica no centro, a poucos passos da zona pedonal, e é o tipo de sítio onde se entra para um café rápido e se acaba a ficar uma hora a ver o movimento da cidade passar.
A Covilhã é uma cidade que vive entre dois mundos: a memória da indústria têxtil que lhe deu corpo e a energia universitária que lhe deu fôlego novo. O Primor reflecte exactamente isso. Não é um café hipster nem um café de velha guarda, é um sítio onde um professor da UBI se senta ao lado de um reformado a ler o jornal, e nenhum dos dois acha estranho. A esplanada é generosa, virada para a rua, e nos dias em que a Serra da Estrela decide não mandar frio de mais, é ali que se quer estar. Dentro, o ambiente é funcional e despreocupado, sem decoração a tentar impressionar ninguém.
Se estiver a explorar o percurso entre os antigos teares e a arte urbana do WOOL, o Primor é um ponto de paragem natural. Fica mesmo no coração da cidade, e dali consegue reorganizar o resto do dia a pé.
Estamos na faixa do €, ou seja, isto não é sítio para gastar fortunas. Um café, uma torrada, um brunch tranquilo de fim-de-semana. O Primor faz bem o essencial: o café é consistente, os pequenos-almoços são honestos, e há sempre qualquer coisa para petiscar sem precisar de consultar um menu de dez páginas. Se procura pratos elaborados, não é aqui, e ainda bem. A Covilhã tem outros sítios para isso. Aqui vem-se pelo ritual, pela pausa, pelo gesto de sentar e respirar.
A região tem tradição de queijadas e doces conventuais, se o Primor tiver pastelaria local no balcão (e é provável que tenha), não hesite. Se não, peça recomendações ao staff, conhecem a cidade melhor do que qualquer guia.
Porque a Covilhã não se conhece só a olhar para murais e a subir à torre. Conhece-se a sentar num café e a perceber o ritmo da cidade. O Primor é exactamente isso, o sítio onde o ritmo se torna legível. Não é espectacular, não tenta ser. É consistente, acessível, e genuinamente local.
Se estiver a planear um roteiro de um dia até às Aldeias de Xisto, comece aqui. Um café no Primor, o mapa aberto no telemóvel, e a Serra como pano de fundo. É uma boa maneira de começar qualquer dia na Covilhã.
A morada, para quem não é de cá: Rua João Alves da Silva, número 10, 6200-118 Covilhã. No centro, sem complicações.