Sitiado
Nazaré
No topo da falésia da Nazaré, o Sitiado serve polvo frito crocante e atum selado com vista panorâmica sobre a praia. Um bar de tapas no bairro do Sítio que justifica a subida de funicular.
O Sítio da Nazaré é o tipo de bairro onde os turistas chegam para ver o miradouro, tiram três fotografias e descem de funicular. Um erro. É precisamente aqui em cima, longe da confusão da praia, que se encontra uma das melhores mesas de petiscos da costa. O Sitiado ocupa um espaço na Rua Amadeu Gaudêncio 2, com uma varanda que dá directamente para a baía, e quando dizemos "dá para a baía", não estamos a falar de um vislumbre entre prédios. Estamos a falar de uma panorâmica completa sobre a Praia da Nazaré, daquelas que fazem parar a conversa a meio.
O Sitiado define-se como restaurante e bar de tapas, mas na prática funciona como uma taberna moderna com ambição. O conceito é simples e bem executado: petiscos tradicionais portugueses com toques contemporâneos, servidos sem cerimónia mas com cuidado. O polvo frito e o atum selado são os pratos que mais saem, e saem por boas razões. O polvo chega crocante por fora e tenro por dentro, sem a borracha que assombra metade dos restaurantes da costa. O atum, se vier bem passado, peça para repetir e diga que o quer mal passado. Faz diferença.
Os preços situam-se no escalão médio (€€), o que para a zona do Sítio é razoável. Não é a tasca onde se almoça por sete euros, mas também não é o restaurante de hotel que cobra trinta por uma dourada sem graça. Está no sítio certo, perdoe-se o trocadilho, entre qualidade e acessibilidade.
Para quem não conhece a Nazaré, o Sítio é o bairro que fica no topo da falésia, separado da vila baixa por um funicular que funciona desde 1889. É aqui que está o Forte de São Miguel Arcanjo, de onde se observam as ondas gigantes do Canhão da Nazaré durante o inverno. Fora da época das ondas, o Sítio mantém um ritmo próprio: mais calmo, mais residencial, com a Igreja da Nossa Senhora da Nazaré a dominar a praça principal.
Chega-se ao Sítio de carro (há estacionamento razoável junto à igreja), de funicular desde a zona baixa, ou a pé por uma subida íngreme que demora uns quinze minutos e faz suar. O funicular é a opção mais prática e custa poucos euros. Se vier de carro desde Lisboa, a A8 deixa-o a menos de uma hora e meia.
Peça o polvo frito sem hesitar, é o prato que justifica a subida até ao Sítio. O atum selado é a segunda escolha óbvia, especialmente se apreciar peixe com textura. Acompanhe com o que houver de legumes grelhados ou salada, que costumam ser frescos e bem temperados. Se houver tábua de queijos ou enchidos como entrada, é uma boa forma de começar enquanto espera.
Para beber, pergunte o que têm de vinhos regionais. A zona da Estremadura (agora oficialmente Lisboa DOC) tem vinhos brancos frescos que casam bem com petiscos de mar. Uma cerveja artesanal, se tiverem, também funciona.
Se a ementa tiver opções que não reconhece, arrisque. O formato de tapas e petiscos permite experimentar sem comprometer a carteira nem o estômago. É essa a beleza do conceito.
Tente reservar, sobretudo em época alta e ao fim de semana. O espaço não é enorme e a varanda com vista enche depressa. Ligue para o +351 262 087 512 ou tente contactar através da página de Facebook, que é a presença online principal do restaurante. Para horários actualizados, confirme directamente, os horários podem variar conforme a época do ano.
Se conseguir lugar na esplanada, fique na esplanada. A vista compensa qualquer brisa. Mas se estiver vento forte (e no Sítio há vento forte com frequência), o interior é acolhedor e funciona bem.
Combine a visita com uma manhã no mercado da Nazaré e a zona do peixe seco, subindo depois ao Sítio para almoçar. Ou faça ao contrário: almoce no Sitiado e desça depois para explorar as praias menos conhecidas da zona. Qualquer das opções resulta num dia bem passado.
O Sitiado não tenta reinventar a cozinha portuguesa. Pega no que já funciona, bom peixe, bom polvo, boas porções para partilhar, e serve-o com competência num dos sítios mais bonitos da costa. Não é o restaurante mais barato da Nazaré, nem precisa de ser. É o tipo de mesa onde se fica mais tempo do que se planeava, a pedir mais um prato e mais um copo, porque a vista não deixa ninguém com pressa de ir embora.