Pangeia Restaurante
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Pangeia Restaurante

O Pangeia fica na Pederneira, o bairro alto da Nazaré que a maioria dos turistas ignora. Com um terraço para 26 pessoas, vista panorâmica sobre o Atlântico e um polvo que justifica a subida, é o tipo de restaurante que obriga a reservar com antecedência.

Pangeia Restaurante: O Polvo que Justifica a Subida à Pederneira

A maioria dos turistas que chegam a Nazaré fica presa ao nível do mar. Plantam-se na Avenida da República, comem sardinhas num dos muitos restaurantes que se confundem uns com os outros, tiram uma selfie com o Atlântico atrás e vão-se embora a achar que já viram tudo. Erro. Para comer bem na Nazaré, é preciso subir.

O Pangeia fica na Pederneira, o bairro que se agarra à encosta acima da vila, na Rua Abel da Silva 50. É o tipo de sítio que não aparece no caminho de ninguém por acaso. Tem de se querer ir lá. De carro, são poucos minutos desde a zona baixa; a pé, é uma subida que se nota nas pernas mas que recompensa com vistas que fazem esquecer o esforço. Quando se chega ao terraço do Pangeia e se vê o Atlântico lá em baixo, a praia em arco, os telhados da Nazaré antiga, percebe-se imediatamente porque é que isto não é mais um restaurante à beira-mar.

O terraço e o espaço

O terraço exterior é pequeno, com capacidade para 26 pessoas sentadas. Isto é ao mesmo tempo a sua força e o seu problema: quando o tempo está bom (e na Nazaré, entre maio e outubro, está quase sempre), toda a gente quer aqueles lugares. Sem reserva, especialmente ao fim de semana, arrisca-se a ficar a olhar para as mesas de longe. Ligue antes: +351 917 934 726. Não há desculpa para não o fazer.

O interior é mais contido, mas funciona bem para quem prefere jantar sem vento. E sim, na Pederneira sopra. É uma colina virada para o oceano, não é uma estufa. Traga uma camada extra para noites de primavera ou outono.

O que comer

O Pangeia é conhecido pelo polvo, e com razão. A cozinha trabalha o marisco e o peixe com criatividade sem cair no erro de complicar demais. Não é cozinha de fusão forçada nem desconstrução pretenciosa. É produto bom, tratado com técnica e respeito, com apresentações que mostram que alguém ali pensa no prato antes de o montar. Se gosta de polvo, peça o polvo. É o prato que define a casa.

Para além do polvo, o menu foca-se no que o mar traz. Nazaré é, antes de tudo, uma vila piscatória, e o Pangeia honra isso. Se quiser perceber melhor a relação desta terra com o peixe, vale a pena ler o nosso guia sobre o mercado e o peixe seco da Nazaré, que dá contexto ao que depois aparece no prato.

O preço está na faixa dos €€€, ou seja, não é um almoço casual de toalha de papel. Espere contas que refletem a qualidade do produto e a localização. Para duas pessoas com vinho, não saia de casa sem orçamento para isso. Dito isto, paga-se pelo que se recebe: vista, produto fresco, cozinha cuidada.

Dicas práticas

  • Reserve sempre, especialmente para o terraço. A casa é pequena e popular.
  • Se vier de carro, há estacionamento razoável na zona da Pederneira, muito mais fácil do que na parte baixa da Nazaré.
  • Os horários não estão publicados de forma fixa. Confirme diretamente pelo telefone ou no site oficial antes de ir.
  • Vista casual-elegante. Não precisa de gravata, mas também não vá de chinelos.

Antes ou depois do jantar

Se o Pangeia for o ponto alto do seu dia na Nazaré, construa o resto à volta dele. De manhã, desça até à praia e ao Sítio para ver o canhão que gera as ondas gigantes. O nosso guia para espetadores do Canhão da Nazaré explica exatamente onde se posicionar e quando ir.

Depois do jantar, se ainda tiver energia, desça até ao Zulla Terrace Bar para um copo com vista. E se ficar mais dias na zona, o Sitiado é outra mesa que vale a subida, para um registo diferente.

O Pangeia não precisa do mar à porta para ser um restaurante de Nazaré. A Pederneira dá-lhe distância suficiente para ver a vila em perspetiva, literal e figurativamente. É o tipo de restaurante que faz pensar que talvez os melhores sítios para comer numa terra de pescadores não sejam os que estão ao nível da água.