A Nazaré divide-se em três: a Praia, o Sítio e a Pederneira. A maioria dos visitantes fica pela Praia, o areal largo, os restaurantes ao longo da Avenida da República, as toalhas de mesa quadriculadas. Não é mau ponto de partida, mas a Nazaré que interessa está mais acima e mais ao lado.
O Sítio e o promontório
O funicular sobe ao Sítio em poucos minutos. Lá em cima, o Forte de São Miguel Arcanjo é o miradouro de onde se filmam as ondas gigantes do Canhão da Nazaré, entre outubro e março, quando as ondulações do Atlântico Norte atingem o canyon submarino, as vagas podem ultrapassar os 20 metros. Mesmo fora da temporada de swell, a vista sobre a costa justifica a subida. A Igreja de Nossa Senhora da Nazaré, no largo principal do Sítio, é o centro da romaria de setembro, uma das mais antigas da região Centro.
O que comer sem rodeios
A Nazaré é terra de peixe, sempre foi. A caldeirada nazarena, densa e com batata, é diferente das versões do Algarve. O peixe seco ao sol nos estendais junto à praia já não é tão comum como há 30 anos, mas ainda se vê em algumas ruas laterais entre a Praça Sousa Oliveira e o mercado. Sardinhas grelhadas no verão, carapaus de escabeche o ano todo. Nos restaurantes junto ao mar, peça o que entrou nesse dia, a carta fixa importa menos do que o que o barco trouxe.
Quando ir e quanto tempo ficar
Para ondas gigantes: novembro a fevereiro, mas confirme as previsões de swell antes de marcar viagem, não há garantias. Para praia e banhos: julho e agosto, com a ressalva de que a água é fria e o areal enche. O ponto ideal é setembro ou início de outubro: menos gente, mar ainda tolerável, os estendais de peixe de volta. Dois dias chegam para ver tudo com calma, Praia, Sítio, Pederneira, uma refeição decente, uma manhã no Forte. Se ficar mais tempo, São Martinho do Porto fica a 15 minutos e tem uma baía quase fechada, perfeita para crianças.
A Nazaré não precisa de adjetivos. É uma vila piscatória que ficou famosa pelas ondas, sim, mas que continua a funcionar como vila piscatória, e isso é o que a torna concreta. Venha pelo espetáculo do mar, fique pela caldeirada.