Pangeia Restaurante
Nazaré
A maior parte do café na primeira linha da praia é mau, morno e caro. Saiba o que pedir (bica, meia de leite ou galão), onde fugir da multidão e porque o melhor café de Nazaré se bebe lá em cima, no Sítio, com vista para o farol.
Toda a gente vem a Nazaré olhar para as ondas gigantes. Mas há uma vila que se faz a pé, do Sítio à Pederneira, com três níveis de dificuldade e uma falésia que castiga quem esquece o corta-vento.
As ondas gigantes são para o Instagram. Com crianças, a verdadeira Nazaré é o ascensor de 1889 que sobe a falésia, o peixe a secar nas redes e o gelado ao fim da tarde na Avenida. Um guia honesto, sem romantismos.
Em pleno agosto, a Praia da Nazaré tem toalhas a meio metro umas das outras e chapéus de sol a oito euros. Há cinco praias a vinte minutos onde isso não acontece, e este guia honesto diz quais, quando ir, e onde almoçar a seguir.
A Nazaré divide-se em três: a Praia, o Sítio e a Pederneira. A maioria dos visitantes fica pela Praia, o areal largo, os restaurantes ao longo da Avenida da República, as toalhas de mesa quadriculadas. Não é mau ponto de partida, mas a Nazaré que interessa está mais acima e mais ao lado.
O funicular sobe ao Sítio em poucos minutos. Lá em cima, o Forte de São Miguel Arcanjo é o miradouro de onde se filmam as ondas gigantes do Canhão da Nazaré, entre outubro e março, quando as ondulações do Atlântico Norte atingem o canyon submarino, as vagas podem ultrapassar os 20 metros. Mesmo fora da temporada de swell, a vista sobre a costa justifica a subida. A Igreja de Nossa Senhora da Nazaré, no largo principal do Sítio, é o centro da romaria de setembro, uma das mais antigas da região Centro.
A Nazaré é terra de peixe, sempre foi. A caldeirada nazarena, densa e com batata, é diferente das versões do Algarve. O peixe seco ao sol nos estendais junto à praia já não é tão comum como há 30 anos, mas ainda se vê em algumas ruas laterais entre a Praça Sousa Oliveira e o mercado. Sardinhas grelhadas no verão, carapaus de escabeche o ano todo. Nos restaurantes junto ao mar, peça o que entrou nesse dia, a carta fixa importa menos do que o que o barco trouxe.
Para ondas gigantes: novembro a fevereiro, mas confirme as previsões de swell antes de marcar viagem, não há garantias. Para praia e banhos: julho e agosto, com a ressalva de que a água é fria e o areal enche. O ponto ideal é setembro ou início de outubro: menos gente, mar ainda tolerável, os estendais de peixe de volta. Dois dias chegam para ver tudo com calma, Praia, Sítio, Pederneira, uma refeição decente, uma manhã no Forte. Se ficar mais tempo, São Martinho do Porto fica a 15 minutos e tem uma baía quase fechada, perfeita para crianças.
A Nazaré não precisa de adjetivos. É uma vila piscatória que ficou famosa pelas ondas, sim, mas que continua a funcionar como vila piscatória, e isso é o que a torna concreta. Venha pelo espetáculo do mar, fique pela caldeirada.