Tesouros Escondidos de Faro
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A maioria faz Olhão em noventa minutos: mercado, marisco, ferry. Mas a cidade interessante começa quando se vira as costas à água e se sobe à torre da igreja, aos terraços brancos da Barreta e ao miradouro que nenhum turista de fim de semana encontra.
Em Estremoz, o mármore que faz estátuas em Carrara é o degrau onde te sentas a descalçar a areia. Um passeio a pé pela cidade alta, da maior praça do Alentejo até à Torre das Três Coroas, com paragens para sericaia e dicas honestas de horários.
Toda a gente vem ao mercado de sábado e vai-se embora ao almoço. Mas Estremoz só se entrega ao domingo à tarde: as figureiras a pintar barro, as piscinas cheias de gente da terra e as praias fluviais à sombra. O guia do outro Estremoz.
Spoiler: praias fluviais em Angra do Heroísmo não existem. O que existe são piscinas naturais de lava com água de aquário. Da Silveira aos Biscoitos, mais onde comer lapas e provar a alcatra da Terceira.
Esqueça o íman do galo de Barcelos. Em Penafiel, o bom souvenir é uma assadeira de louça preta saída de uma cova de fumo em Galegos da Serra, ou uma garrafa de verde escolhida a dedo na Quinta da Aveleda. Um guia honesto para trazer algo que dure.
O Porto despreza Penafiel pela janela do comboio, e está errado. Vinho verde a sério na Quinta da Aveleda, cabras numa torre, românico sob nova luz e um miradouro feito para não fazer nada. 24 horas ao ritmo de quem cá vive.
Toda a gente passa por Penafiel a caminho do Douro e quase ninguém calça as botas. Erro. Do passeio plano no Parque da Cidade às descidas duras ao rio Sousa, eis os trilhos da cidade organizados por dificuldade e paisagem, com prova de vinho verde como recompensa.
A única praia de areia dourada da Madeira é meio batota: a areia veio de barco do Norte de África. Mas para quem viaja com filhos, essa confissão soa a excelente notícia. Porque é que Machico, plana e tranquila, é a base ideal para férias em família na ilha mais vertical do Atlântico.
Em 1810, o exército de Napoleão chegou às colinas a norte de Torres Vedras e simplesmente não conseguiu passar. Hoje pode percorrer a pé os fortes que salvaram Lisboa, começando pelo imponente Forte de São Vicente.
A duas horas e meia de Lisboa, o Atlântico chega frio e com opinião própria. Praias largas sem multidões, peixe que ainda sabe a mar e um estuário perfeito para kayak ao pôr do sol: porque a Costa Vicentina não é o Algarve, e ainda bem.
No verão, o Porto passa o dia a fugir do sol e a noite a celebrá-lo. Um guia opinativo para trabalhar com o calor: jardins de manhã, elétrico 1 até à Foz com peixe grelhado em Matosinhos, fugas de comboio e noites que só começam à meia-noite.
Ondas no areal negro de Santa Bárbara ao nascer do sol, chá colhido em encostas viradas ao Atlântico e dois banhos de água quente no mesmo dia. Ribeira Grande não se faz com pressa, e é por isso que vale a pena.