Tesouros Escondidos de Faro
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Os grandes parques aquáticos ficam no Algarve, a três horas de Cascais. Mas entre falésias com mar a rugir, poças de maré, surf para iniciados e bate-voltas a Sintra e Lisboa, Cascais enche dias inteiros sem precisar de escorregas gigantes.
A Batalha não tem praia, e é exatamente por isso que devia dormir aqui. Acorde cedo, atravesse o Pinhal de Leiria e chegue a São Pedro de Moel antes das multidões, com o parque vazio e o mar calmo. Um guia honesto para usar o interior como base e fugir ao caos da costa.
O mosteiro mais caro de entrada é, ironicamente, o que menos precisas de pagar para apreciar. Da fachada cor de mel ao pôr do sol no Baloiço da Torre, eis como fazer a Batalha por quase nada sem perder o essencial.
Não se surfa na Batalha, e ainda bem. A vinte minutos do monstro da Nazaré e a meia hora das ondas mansas de São Pedro de Moel, a vila é o campo-base perfeito para uma semana de mar: dorme em silêncio, paga menos e escolhe de manhã entre aprender ou só ver gigantes partir-se na falésia.
Toda a gente fotografa o Mosteiro da Batalha ao meio-dia e fica com um postal esquecível. Este guia diz-lhe a que horas subir aos miradouros, onde apanhar a luz cor de mel, e onde almoçar entre fotografias.
Quase tudo nas lojas de recordações junto à Sé foi feito a milhares de quilómetros daqui. Em Braga, a melhor recordação talvez nem se compre: faz-se, entre o barro do Ateliê Cobalto e uma garrafa de vinho verde de produtor pequeno.
Braga não tem mar, mas todo o bracarense tem a sua praia. O truque está em saber escolher entre o rio Cávado em Adaúfe e o Atlântico em Apúlia, e sobretudo a que horas lá chegar. Um guia honesto para fugir às multidões.
Da Sé ao amanhecer ao vinho verde no Miradouro do Picoto, passando por uma frigideira em casa que serve desde 1796 e um pudim Abade de Priscos que não vais esquecer. Um dia em Braga ao ritmo de quem cá vive, sem corridas.
Braga senta-se numa bacia rodeada de montes: tem o plano do Cávado para principiantes e rampas para Bom Jesus e Sameiro que fazem chorar gente de lycra cara. Um roteiro de bicicleta com paragens para hambúrguer, comida de rua e pizza pelo meio.
O Algarve em julho é uma operação militar de trânsito e preços inflacionados. A 500 km, Chaves oferece praias fluviais gratuitas, água doce e fresca, e uma posta à brasa sem reserva. A aposta contra-corrente que vale a viagem.
Em julho, Mirandela atinge os 38 graus à sombra e as ruas esvaziam-se ao meio-dia. O segredo não é resistir ao calor, é contorná-lo: madrugar nos miradouros, refugiar-se no Tua ao fim da tarde e jantar alheira só depois das nove.
A estação de comboios fica a cinco minutos do mercado e os ferries para as ilhas partem do cais ao lado. Olhão é a melhor base do sotavento algarvio: aqui ficam as escapadas que valem a pena, de Faro às ilhas da Ria Formosa, com horários, preços e opiniões sem rodeios.