Olhão como Base: As Melhores Escapadas de Um Dia
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Olhão como Base: As Melhores Escapadas de Um Dia

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A estação de comboios fica a cinco minutos do mercado e os ferries para as ilhas partem do cais ao lado. Olhão é a melhor base do sotavento algarvio: aqui ficam as escapadas que valem a pena, de Faro às ilhas da Ria Formosa, com horários, preços e opiniões sem rodeios.

Há uma vantagem em Olhão que poucos turistas percebem à chegada: esta não é uma cidade onde se fica fechado. A estação de comboios fica a cinco minutos do mercado, os ferries para as ilhas partem do cais mesmo ao lado, e a A22 leva-o a metade do Algarve antes do almoço. Olhão trabalha de manhã cedo, cheira a peixe grelhado ao meio-dia e, francamente, faz uma das melhores bases para explorar o sotavento algarvio sem pagar os preços inflacionados de Lagos ou Albufeira.

Antes de partir, porém, faça uma coisa: tome o pequeno-almoço com calma. Eu começo quase sempre no Cantaloupe Cafe, porque sair de casa às sete da manhã para apanhar um comboio sem um café decente é um erro que se paga o dia inteiro. E se tiver meia hora, suba à Torre da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário para ver, do alto, exatamente para onde vai. Os telhados cúbicos de Olhão, a Ria Formosa a brilhar lá ao fundo, as ilhas como traços de areia no horizonte. É o melhor mapa que vai ter o dia todo.

As ilhas da Ria Formosa: o passeio mais curto e o mais subestimado

Comecemos pelo óbvio, que toda a gente ignora por achar óbvio demais. A escapada mais barata e mais bonita a partir de Olhão não exige carro nenhum: são os ferries para a Armona e para a Culatra, que partem do cais junto aos mercados. A travessia para a Armona demora cerca de quinze minutos; para a Culatra (e o Farol) um pouco mais. Os bilhetes de ida e volta custam poucos euros, mas confirme os horários localmente, porque mudam conforme a época e há muito menos partidas no inverno.

A Armona é a ilha para quem quer praia sem confusão: desembarca-se, atravessa-se a ilha a pé por um caminho de areia entre casas baixas, e do outro lado está o Atlântico aberto. A Culatra é diferente, é uma comunidade piscatória a sério, com gente que vive ali o ano todo, barcos amarrados e restaurantes onde a amêijoa veio da ria que está a ver pela janela. Leve dinheiro, leve água, e não conte com sombra. Em julho e agosto vá no primeiro ferry da manhã ou já no fim da tarde, porque o sol da Ria Formosa não perdoa.

Se quer perceber a ria como deve ser, e não apenas usá-la como praia, vale a pena reservar a observação de aves na Ria Formosa com um guia local. Flamingos, garças, colhereiros, e em certas alturas do ano o caimão, aquela galinha-sultana azul que é praticamente o símbolo do parque natural. É o tipo de coisa que transforma um sapal aparentemente vazio numa das zonas húmidas mais ricas da Europa.

Faro: quinze minutos de comboio, um mundo de diferença

Faro está tão perto que muita gente nem a considera uma escapada, e é precisamente por isso que a recomendo. O comboio regional liga Olhão a Faro em cerca de quinze minutos e custa pouco mais de dois euros. Não há desculpa.

A maioria dos visitantes vê Faro pelo aeroporto e segue caminho, o que é uma pena, porque a Cidade Velha dentro das muralhas é uma das zonas históricas mais bem preservadas do Algarve. Entre-se pelo Arco da Vila, suba-se até à Sé, e perca-se nas ruas de calçada onde as cegonhas fazem ninho em cima das torres. Para ir além do circuito turístico e perceber o que faz de Faro uma cidade viva e não um postal, leia o nosso guia sobre a cultura local de Faro e as tradições do Algarve autêntico. Vai poupar-lhe horas de andar sem rumo.

Conselho prático: almoce longe da marina, onde os preços sobem para apanhar quem desembarca dos barcos. Caminhe dez minutos para dentro, para as ruas à volta do mercado municipal, e pague metade por peixe igualmente fresco. E reserve a tarde para um passeio de barco pela Ria Formosa a partir de Faro, se ainda não tiver feito o das ilhas de Olhão. É a mesma laguna, vista de outro ângulo.

Tavira: a vizinha elegante a leste

Vinte minutos de comboio para o lado oposto e chega-se a Tavira, que é o que Olhão seria se tivesse decidido vestir-se melhor. Onde Olhão é trabalho e peixe, Tavira é igrejas barrocas, uma ponte romana (que na verdade é medieval, mas ninguém quer estragar a lenda) e um castelo com jardim no topo. As duas cidades completam-se: faça Olhão de manhã, Tavira à tarde, e perceberá os dois lados do sotavento algarvio.

Em Tavira, suba ao castelo pela manhã antes do calor, atravesse a praça da República e, se for verão, apanhe o ferry para a Ilha de Tavira, outra língua de areia da Ria Formosa com praias enormes. O bilhete de comboio Olhão-Tavira ronda os dois a três euros e os comboios são frequentes. É das escapadas mais fáceis que existem.

Silves: o interior mouro, ideal com crianças

Para quebrar a rotina de praia e ria, vire-se para o interior. Silves, antiga capital do Algarve árabe, fica a oeste, e o castelo de arenito vermelho que a coroa é o mais impressionante da região. De carro são cerca de cinquenta minutos pela A22; de transportes públicos é mais complicado e demorado, por isso, se não conduzir, considere um tour organizado a partir de Faro.

Silves é surpreendentemente boa para famílias, com a subida ao castelo, a catedral gótica ao lado e o rio Arade lá em baixo para arrefecer os pés. Se vai com miúdos, o nosso guia honesto de Silves para famílias diz-lhe exatamente o que funciona e o que é perda de tempo, sem o otimismo forçado das brochuras. Vá fora das horas de maior calor: o castelo tem pouca sombra e o arenito reflete o sol como um forno.

Lagos: a escapada longa que compensa (com avisos)

Lagos fica do outro lado do Algarve, a uma hora e meia ou mais de carro, ou cerca de duas horas de comboio com mudanças. É a escapada mais ambiciosa a partir de Olhão e só a recomendo se sair cedo e fizer dela o dia inteiro. Mas as falésias douradas da Ponta da Piedade, as grutas marinhas e as praias escondidas justificam a viagem para quem quer ver o Algarve mais cénico.

O erro clássico é ficar na zona da marina e das esplanadas turísticas. Lagos é muito mais do que isso, e cada bairro tem o seu carácter. Antes de ir, espreite o guia de bairros de Lagos para saber onde comer bem e onde estão as ruas que valem a pena. Honestamente: se só tem um dia e gosta de tranquilidade, fique pelo sotavento (Faro, Tavira, as ilhas). Lagos é para quem aceita lidar com multidões em troca de um cenário espetacular.

O dia que se passa em Olhão (porque nem sempre é preciso ir embora)

Há dias em que a melhor escapada é não escapar. Se uma manhã estiver demasiado quente, ou se o comboio o intimidar, fique. Suba ao Miradouro do Cerro de São Miguel, o ponto mais alto da serra de Olhão, de onde se vê toda a Ria Formosa estendida até ao mar nos dias limpos. É uma pequena viagem dentro do concelho que muitos visitantes nunca fazem.

E se quer levar Olhão consigo para casa, inscreva-se no workshop de folar, a doçaria que se desfolha. Aprender a fazer este doce tradicional com as mãos é o oposto de um dia de comboios e horários: é ficar parado num sítio só, a perceber porque é que esta cidade sabe a peixe e a açúcar ao mesmo tempo.

Como organizar tudo: o resumo prático

  • Ilhas (Armona, Culatra, Farol): ferry do cais de Olhão, cerca de 15 minutos para a Armona. Bilhetes baratos, mas confirme horários localmente, sobretudo no inverno.
  • Faro: comboio regional, cerca de 15 minutos, pouco mais de 2 euros. A escapada mais fácil e a mais subestimada.
  • Tavira: comboio, cerca de 20 minutos, 2 a 3 euros. Combine com Olhão no mesmo dia.
  • Silves: melhor de carro (cerca de 50 minutos pela A22). De transportes é complicado; pondere um tour.
  • Lagos: hora e meia de carro ou cerca de duas horas de comboio com mudanças. Saia cedo.

O segredo de Olhão é precisamente este: é uma cidade que não pede que se fique, mas que recompensa quem volta sempre ao fim do dia. Faça a sua escapada, veja flamingos ou castelos mouros, e regresse a tempo do peixe grelhado no mercado. Não há melhor base no sotavento.

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