Tesouros Escondidos de Faro
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A Covilhã é a cidade portuguesa onde se vive melhor com vinte euros por dia, se souberes onde ir. Um guia honesto: cafés a oitenta cêntimos, prato do dia abaixo dos dez euros, e o truque do funicular que poucos turistas conhecem.
Esquece o São João do Porto e o Santo António de Lisboa. Em Sabrosa, junho é vizinhos a arrastar grelhadores para a Rua de Cima, sardinha a 1,50€ e vinho da casa que é mesmo da casa. Um guia honesto, sem floreados, para fazer as festas como local.
Procurou praias do Algarve em Junho e aterrou em Torre de Moncorvo, no Douro Superior. Não foi engano: a 25 minutos da vila há praias fluviais quase vazias, vinho a cinco euros e a maior igreja matriz construída em Portugal entre os séculos XVI e XVII. Esqueça Albufeira por três dias.
Sete dias para ver o Norte sem correr: Porto a pé, Braga sem fila, um dia inteiro no Douro e jantar de despedida em Cedofeita por trinta euros para dois. Junho é a janela, e este é o roteiro honesto.
A Guarda muda de cidade três vezes por dia conforme a luz. Este é o guia honesto dos miradouros, das horas certas, e dos meses em que a fotografia funciona. Ignore o meio-dia. Vá ao crepúsculo de Outubro.
Na cidade mais alta de Portugal, a luz tem horários rígidos e quem chega às duas da tarde volta para casa convencido de que não vale a pena. Este é o guia honesto dos miradouros, das horas certas e da única forma de fotografar a Guarda como deve ser.
Em Portugal continental, a Guarda é a cidade mais alta. Também é onde a tradição da lã sobreviveu melhor. Um guia honesto sobre o cobertor de papa, o burel, o queijo da Serra e o que evitar gastar.
Três dias de festa em Junho, cerejas a €5/kg directamente do produtor, e uma rota de aldeias na encosta da Gardunha que mudam de feição em quinze dias. Um guia honesto à Festa da Cereja do Fundão e à Cova da Beira, sem clichés rurais.
Em Junho, Sagres tem cerca de três semanas em que o vento norte ainda não se instalou e a água já não congela os pés. Um guia honesto sobre que praia escolher, a que horas remar, e onde comer entre sessões.
Doze quilómetros pelo Planalto Mirandês, sete lagares escavados na rocha há dois mil anos, e quase ninguém pelo caminho. Um guia honesto para caminhar Mogadouro com botas decentes, mapa em papel e uma reserva n'A Casa do Gi.
Quatro noites de junho em que o centro histórico de Loulé fecha aos carros e abre os palcos a mais de cem concertos do Mediterrâneo, África e mundo árabe. Onde dormir, onde comer arroz de polvo antes do primeiro concerto, e porque é que os palcos pequenos são sempre os melhores.
A maioria dos visitantes chega a Tomar pelo Convento de Cristo e vai-se embora ao fim do dia, convencida que viu a cidade. Não viu. A Tomar real começa às 18h, quando os autocarros partem, e este é o guia honesto para a encontrar.