Ilha & Montanha - Turismo Rural
Santana
Santana é a Madeira rural e vertical, floresta Laurissilva, levadas escavadas na rocha e socalcos agrícolas no norte da ilha. Reserve dois dias para as caminhadas, a sidra local e a arquitectura de pedra que os autocarros turísticos não param para ver.
Em Santana, na costa norte da Madeira, chove quase 1.880 mm por ano, e foi essa chuva que desenhou as famosas casas triangulares de colmo. Um roteiro a pé pela vila, da igreja ao Núcleo de Casas Típicas, com levadas e boas camas à mistura.
Em Santana vende-se um palheiro de miniatura em plástico a três euros, a poucos metros dos originais em madeira e colmo que ainda estão de pé. Vale a pena saber a diferença antes de comprar.
Santana é muito mais do que casas de colmo para fotografar. Um percurso de quatro quilómetros pelo centro histórico revela muros de basalto, balcões de castanho torneado e vestígios de moinhos de água que contam a história de uma vila construída contra o vento.
Santana não tem praias de areia dourada, tem rocha vulcânica, piscinas naturais e quilómetros de costa sem multidões. Guia prático para quem quer mergulhar no Atlântico sem ter de disputar espaço na toalha.
Santana é o lado da Madeira que a maioria dos visitantes só conhece de passagem, param para fotografar as casas de colmo, compram um bolo de mel e seguem caminho. É um erro. Este município no norte da ilha, classificado como Reserva da Biosfera pela UNESCO desde 2011, merece pelo menos dois dias de atenção séria.
Sim, as tradicionais casas triangulares com telhado de palha são o postal de Santana. As que estão junto ao centro da vila, no parque temático, foram restauradas para visitação e dão uma ideia da escala, são casas onde viviam famílias inteiras, com o gado no andar de baixo. Mas a verdadeira arquitectura de Santana revela-se nas freguesias em redor: casas de pedra com varandas de madeira, eiras suspensas sobre o vale, e muros de basalto que seguram os poios, os socalcos agrícolas que definem a paisagem do norte.
A floresta Laurissilva, que cobre grande parte do interior do município, é o que resta de um ecossistema que cobria o sul da Europa há milhões de anos. A levada do Caldeirão Verde, que parte do Parque Florestal das Queimadas, é uma das caminhadas mais impressionantes da Madeira, são cerca de 13 km ida e volta por túneis escavados na rocha e ao longo de canais de irrigação centenários até uma cascata de 100 metros. Não é um passeio casual: leve lanterna e roupa impermeável.
A gastronomia de Santana é a da Madeira rural. Procure a carne de vinha d'alhos, o bolo do caco com manteiga de alho, e a espetada em pau de louro. A sidra, produzida localmente com maçãs da região, é menos conhecida do que o vinho Madeira mas vale a prova, especialmente durante a Festa da Sidra, que acontece em setembro no Largo do Município. Os mercados locais vendem inhames, maracujá e anonas cultivados nos poios da zona.
O norte da Madeira é mais húmido e fresco do que o sul, o que significa vegetação mais densa e menos turistas. De maio a outubro o tempo é mais estável para caminhadas. Dois a três dias permitem explorar as levadas, visitar o Rocha do Navio, uma reserva natural acessível por teleférico até à fajã junto ao mar, e percorrer as freguesias com calma. Santana não é um destino de praia ou de vida nocturna. É um sítio para andar a pé, comer bem e dormir com a janela aberta sobre o vale.