Santana

Santana é a Madeira rural e vertical, floresta Laurissilva, levadas escavadas na rocha e socalcos agrícolas no norte da ilha. Reserve dois dias para as caminhadas, a sidra local e a arquitectura de pedra que os autocarros turísticos não param para ver.

Santana é o lado da Madeira que a maioria dos visitantes só conhece de passagem, param para fotografar as casas de colmo, compram um bolo de mel e seguem caminho. É um erro. Este município no norte da ilha, classificado como Reserva da Biosfera pela UNESCO desde 2011, merece pelo menos dois dias de atenção séria.

As casas de colmo e o que está para lá delas

Sim, as tradicionais casas triangulares com telhado de palha são o postal de Santana. As que estão junto ao centro da vila, no parque temático, foram restauradas para visitação e dão uma ideia da escala, são casas onde viviam famílias inteiras, com o gado no andar de baixo. Mas a verdadeira arquitectura de Santana revela-se nas freguesias em redor: casas de pedra com varandas de madeira, eiras suspensas sobre o vale, e muros de basalto que seguram os poios, os socalcos agrícolas que definem a paisagem do norte.

Laurissilva e levadas

A floresta Laurissilva, que cobre grande parte do interior do município, é o que resta de um ecossistema que cobria o sul da Europa há milhões de anos. A levada do Caldeirão Verde, que parte do Parque Florestal das Queimadas, é uma das caminhadas mais impressionantes da Madeira, são cerca de 13 km ida e volta por túneis escavados na rocha e ao longo de canais de irrigação centenários até uma cascata de 100 metros. Não é um passeio casual: leve lanterna e roupa impermeável.

O que comer

A gastronomia de Santana é a da Madeira rural. Procure a carne de vinha d'alhos, o bolo do caco com manteiga de alho, e a espetada em pau de louro. A sidra, produzida localmente com maçãs da região, é menos conhecida do que o vinho Madeira mas vale a prova, especialmente durante a Festa da Sidra, que acontece em setembro no Largo do Município. Os mercados locais vendem inhames, maracujá e anonas cultivados nos poios da zona.

Quando ir e quanto tempo ficar

O norte da Madeira é mais húmido e fresco do que o sul, o que significa vegetação mais densa e menos turistas. De maio a outubro o tempo é mais estável para caminhadas. Dois a três dias permitem explorar as levadas, visitar o Rocha do Navio, uma reserva natural acessível por teleférico até à fajã junto ao mar, e percorrer as freguesias com calma. Santana não é um destino de praia ou de vida nocturna. É um sítio para andar a pé, comer bem e dormir com a janela aberta sobre o vale.