Santana: Artesanato que Vale a Pena Levar para Casa
Guia

Santana: Artesanato que Vale a Pena Levar para Casa

· · Santana

Em Santana, o vime cresce junto às ribeiras e o bolo de mel ainda se faz em casa. Um guia honesto sobre o que vale a pena comprar, e o que deve evitar, no artesanato madeirense.

Vou ser directo: noventa por cento das lojas de souvenirs na Madeira vendem exactamente a mesma coisa. Ímanes de frigorífico com casas de colmo, galos de cerâmica que não são sequer madeirenses, e garrafas de poncha com rótulos que parecem feitos em cinco minutos. Se é isto que procura, qualquer loja no Funchal serve. Mas se quer perceber o que realmente se faz em Santana, e levar para casa algo que tenha história, vale a pena sair da estrada principal e prestar atenção.

O Vime: A Matéria-Prima de Santana

A cestaria em vime é provavelmente o artesanato mais honesto da Madeira. Não há truques, não há máquinas, são mãos, vime húmido, e horas de trabalho repetitivo que exige uma precisão absurda. Em Santana e nos concelhos vizinhos do norte da ilha, o vime cresce naturalmente junto às ribeiras, e a tradição de o trabalhar remonta a séculos.

O que distingue uma peça boa de uma peça turística? Peso e acabamento. Um cesto bem feito é surpreendentemente leve para o seu tamanho, com um trançado uniforme e sem pontas soltas. Os artesãos mais experientes conseguem uma consistência que parece impossível para algo feito à mão. Os cestos grandes, os que serviam para transportar uvas ou peixe, são peças de museu, mas um cesto de pão ou um tabuleiro de fruta são perfeitamente transportáveis e custam entre 15€ e 40€, dependendo do tamanho e da complexidade.

A melhor forma de avaliar se está a comprar algo autêntico é simples: se o artesão está ali e consegue explicar como fez a peça, provavelmente é genuína. Desconfie de lojas que vendem vime ao lado de magnetes e t-shirts, o vime verdadeiro precisa de espaço e contexto.

Bordado da Madeira: Bonito, Mas Saiba o Que Está a Comprar

O bordado da Madeira tem certificação de origem e é, sem exagero, um dos trabalhos de agulha mais finos da Europa. Mas aqui vai a verdade inconveniente: a maioria das peças vendidas em lojas turísticas não são bordadas na Madeira. São importações asiáticas com um autocolante colado à pressa. A diferença de preço diz tudo, uma toalha de mesa genuína, bordada à mão, pode custar várias centenas de euros. Se encontrar "bordado da Madeira" por 20€, é porque não é bordado da Madeira.

Procure o selo do Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira (IVBAM). É um holograma pequeno, normalmente cosido à peça ou afixado numa etiqueta. Sem esse selo, não há garantia de autenticidade. Para peças mais acessíveis, um lenço bordado ou um conjunto de guardanapos são opções razoáveis que cabem na mala sem drama, conte com 30€ a 80€ para algo pequeno mas genuíno.

Em Santana, não vai encontrar a mesma concentração de lojas de bordado que existe no Funchal, mas isso até pode ser uma vantagem. As poucas peças que aparecem em feiras locais ou em casas de artesanato tendem a ser de produtores reais, não de intermediários.

As Casas de Colmo e o Que Representam

Não se pode falar de Santana sem falar das casas de colmo, as tradicionais casas triangulares com telhado de palha que descem até ao chão. São o símbolo do concelho e, honestamente, uma das imagens mais fotografadas da Madeira. As que se visitam junto ao centro da vila são preservadas como exemplos arquitectónicos, e vale a pena vê-las de perto para perceber a engenharia simples mas eficaz por trás da construção.

Agora, isto gera uma indústria inteira de miniaturas. E aqui o meu conselho é claro: se vai comprar uma miniatura de casa de colmo, compre uma feita em madeira por um artesão local, não uma de plástico fabricada na China. As versões artesanais são pintadas à mão, têm imperfeições bonitas, e custam entre 10€ e 25€. São o tipo de souvenir que fica bem numa prateleira e que realmente conta algo sobre o sítio de onde veio. Se estiver a planear um dia inteiro em Santana, reserve tempo para procurar estas peças com calma em vez de comprar a primeira que vir.

O Que Comer e Beber Como Souvenir

Aqui está o melhor conselho que posso dar sobre souvenirs: os melhores são os que se comem. E na Madeira, há opções excelentes.

O bolo de mel da Madeira não é propriamente de mel, é de melaço de cana-de-açúcar, e é denso, escuro, e especiado com canela e erva-doce. A versão tradicional aguenta meses sem refrigeração, o que o torna perfeito para viagem. Compre-o inteiro e embrulhado, não em fatias pré-cortadas de supermercado. Na zona norte da ilha, incluindo Santana, ainda há quem o faça em casa para vender localmente, pergunte nos cafés ou nas mercearias pequenas.

Depois há o vinho Madeira, que é talvez o souvenir mais inteligente que pode levar. Um Sercial de 5 anos custa entre 15€ e 25€ e é um aperitivo seco e elegante que surpreende qualquer pessoa que o prove pela primeira vez. Um Malmsey (Malvasia) da mesma idade é doce e intenso, perfeito para sobremesa. Se quiser gastar mais, os vinhos de 10 ou 15 anos são extraordinários, mas já estamos a falar de 40€ a 80€. Em qualquer caso, compre em lojas especializadas ou directamente nas adegas do Funchal, as garrafas vendidas em lojas de souvenirs nem sempre são a melhor relação qualidade-preço.

A poncha é outro clássico, mas transportá-la é mais complicado. Algumas lojas vendem garrafas seladas, e a de maracujá é provavelmente a mais popular. Confirme localmente se a garrafa está bem selada antes de a meter na mala de porão.

Onde Ficar e Como Organizar o Dia

Santana merece mais do que uma paragem de duas horas a caminho de outra coisa. Se quiser explorar o artesanato local com calma, considere pernoitar no Aldeamento Turístico Casas de Campo do Pomar, que oferece alojamento em casas de campo tradicionais rodeadas de terreno agrícola. Acordar em Santana, sem pressa, muda completamente a experiência.

O Parque Temático da Madeira, no centro de Santana, tem uma secção dedicada ao artesanato e às tradições locais que, apesar do nome turístico, é surpreendentemente informativa. Não é o tipo de atracção que normalmente recomendo, mas o contexto que dá sobre a história do vime e da construção tradicional ajuda a perceber melhor o que se está a comprar.

Para quem combina Santana com caminhadas, e devia, as levadas da ilha são o complemento perfeito. A Levada do Caldeirão Verde, acessível a partir de Santana, é uma das mais espectaculares da Madeira. Faça o trilho de manhã, almoce na vila, e dedique a tarde a explorar lojas e oficinas.

O Que Não Comprar

Isto é tão importante como saber o que comprar. Evite:

  • Qualquer coisa com a palavra "Madeira" estampada em letras garrafais sobre uma imagem genérica, isso é marketing, não artesanato.
  • Licores "artesanais" em garrafas de plástico, se fosse artesanal, não estava em plástico.
  • Cerâmica que diz ser madeirense mas não tem marca de oleiro, a cerâmica da Madeira não é particularmente famosa, por isso muita da que se vende vem do continente ou de fora.
  • Réplicas de casas de colmo em resina, gaste um pouco mais e compre uma de madeira.

A Regra de Ouro

O melhor souvenir é aquele que não se encontra em mais nenhum sítio. Em Santana, isso significa vime trabalhado à mão, bolo de mel feito localmente, ou uma miniatura de casa de colmo esculpida por alguém que vive ali. Não precisa de gastar muito, precisa de prestar atenção e de fazer perguntas.

E se no regresso quiser explorar o resto da costa sul, Câmara de Lobos oferece um contraste interessante, um porto piscatório com uma energia completamente diferente do verde silencioso de Santana. Mas isso já é outra história.

artesanato Madeira souvenirs Santana vime bordado da madeira bolo de mel