Santana: Praias Selvagens Longe das Multidões da Madeira
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Santana: Praias Selvagens Longe das Multidões da Madeira

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Santana não tem praias de areia dourada, tem rocha vulcânica, piscinas naturais e quilómetros de costa sem multidões. Guia prático para quem quer mergulhar no Atlântico sem ter de disputar espaço na toalha.

Vamos ser honestos desde o início: se procura areais intermináveis e espreguiçadeiras alinhadas, Santana não é para si. A costa norte da Madeira não faz promessas de postal de praia tropical, e é precisamente por isso que vale a pena.

O que Santana oferece é outra coisa: rocha vulcânica escura a cair no Atlântico, piscinas naturais escavadas pela força do mar, e a sensação rara de ter um pedaço de costa praticamente só para si. Enquanto a zona hoteleira do Funchal fervilha de cruzeiristas e a Calheta enche a sua praia artificial ao ponto de não caber mais uma toalha, o litoral de Santana continua a ser território de quem está disposto a procurar.

O que esperar da costa de Santana

A primeira coisa a entender é que na costa norte da Madeira, "praia" tem um significado diferente. Esqueça areia dourada. Aqui, fala-se de plataformas rochosas de basalto negro, de descidas íngremes até pequenas enseadas onde o mar entra com força, e de piscinas naturais que a erosão esculpiu ao longo de milénios. É bonito de uma forma crua e honesta, nada de cenário fabricado.

O concelho de Santana estende-se ao longo de vários quilómetros de costa entre São Jorge e Faial, com acessos ao mar dispersos e nem sempre sinalizados. É isso que mantém as multidões longe. Não há estacionamentos gigantes, não há bares de praia com música alta, não há vendedores ambulantes. Há rocha, mar e silêncio.

Onde entrar na água

As zonas balneares do norte da Madeira funcionam de forma diferente do sul. A água é mais fria, conte com 18 a 20 graus no verão, e o mar tende a ser mais agitado. Nos dias de ondulação forte do norte, esqueça. Mas quando o mar acalma, as piscinas naturais da costa de Santana são das melhores da ilha para um mergulho tranquilo.

A zona de São Jorge, na parte ocidental do concelho, tem acessos costeiros que os locais conhecem bem mas que raramente aparecem nos guias turísticos. Pergunte no café da vila, é mais fiável do que qualquer app. Já na direção de Faial, há plataformas rochosas onde é possível estender a toalha e passar uma manhã inteira sem ver mais do que meia dúzia de pessoas.

Uma nota importante: respeite sempre as condições do mar. A costa norte pode ser traiçoeira, e não há nadadores-salvadores nestas zonas mais remotas. Se o mar estiver agitado, aprecie a paisagem de cima, já vale a pena.

Piscinas naturais: a alternativa inteligente

Se prefere segurança e alguma infraestrutura, as piscinas naturais são a melhor opção ao longo de toda a costa norte. Várias localidades da Madeira investiram em arranjar e proteger estas formações rochosas, criando zonas de banho com acesso facilitado. Não é a mesma coisa que uma praia, mas num dia de calor, com a água do Atlântico a entrar fresca por entre as rochas, é difícil queixar-se.

O truque para evitar gente, mesmo nas piscinas mais conhecidas? Ir cedo. Às nove da manhã, tem a água toda para si. A partir das onze, começam a chegar os grupos organizados e as famílias com o cooler e os chapéus-de-sol. Quem madruga tem piscina natural.

Quando ir: a janela perfeita

Julho e agosto são os meses mais quentes e com menos chuva, mas também quando a Madeira recebe mais visitantes. Se quer praia (ou o equivalente madeirense de praia) sem multidões, junho e setembro são os meses ideais. As temperaturas já permitem banhos confortáveis, o mar tende a estar mais calmo, e os preços de alojamento baixam consideravelmente.

Maio e outubro são apostas mais arriscadas para banhos, mas perfeitas para explorar a costa a pé. Os trilhos costeiros perto de Santana oferecem vistas espetaculares sobre o oceano, e se combinar com as levadas da região, tem um dia completo entre montanha e mar.

Em termos de dia da semana: evite sábados e domingos no verão. Os madeirenses também vão à praia, e com razão. Terça a quinta são os dias mais tranquilos.

Como montar a logística

Santana fica a cerca de 35 minutos do Funchal pela Via Rápida e depois pela ER101. Carro alugado é praticamente obrigatório se quer explorar a costa com liberdade, os autocarros da Horários do Funchal chegam a Santana, mas os acessos ao mar ficam quase sempre fora das rotas principais.

Alugar carro na Madeira custa a partir de 25-30 euros por dia na época baixa, podendo duplicar em agosto. Reserve com antecedência no verão. E atenção: algumas descidas até à costa são por estradas estreitas e íngremes. Nada que um carro normal não aguente, mas se nunca conduziu em estradas de montanha, vá com calma.

Para quem quer fazer base em Santana durante vários dias, e recomendo, porque um dia não chega, o Aldeamento Turístico Casas de Campo do Pomar é uma opção sólida. Fica no interior do concelho, rodeado de verde, e dá-lhe uma base tranquila para explorar tanto a costa como a montanha sem depender do Funchal.

O que fazer quando o mar não colabora

Haverá dias, especialmente na costa norte, em que o mar simplesmente não deixa. Ondulação forte, vento, ou simplesmente aquela ressaca que faz o mar bater com violência nas rochas. Nesses dias, Santana tem muito que oferecer fora de água.

As famosas casas de colmo, as casas triangulares com telhado de palha que se tornaram símbolo do concelho, estão no centro da vila e merecem uma visita rápida. Não é preciso mais do que meia hora, mas é uma daquelas coisas que convém ver pelo menos uma vez.

Se quer levar alguma coisa para casa, vale a pena consultar o nosso guia de artesanato de Santana, há peças de vime e bordado que são trabalho genuíno, não souvenirs de aeroporto.

E se tem um dia inteiro livre, o nosso roteiro de 24 horas em Santana cobre o essencial com calma, incluindo paragens para comer e os miradouros que realmente valem a pena.

Comer depois da praia

Depois de uma manhã na água (ou a contemplar o mar de cima), vai ter fome. A boa notícia é que a costa norte da Madeira é território de comida honesta e porções generosas. Espere encontrar peixe fresco, espada preta, atum, lapas grelhadas, e a omnipresente espetada em pau de louro que é praticamente religião na ilha.

Nos restaurantes mais pequenos das vilas costeiras, um almoço completo com peixe, acompanhamentos, e uma bebida fica entre 12 e 18 euros. Fuja dos menus turísticos e peça o que os locais estão a comer, geralmente é o prato do dia, e geralmente é melhor.

O bolo do caco, pão de batata-doce cozido em pedra, aparece em praticamente todas as mesas e é viciante, sobretudo quando chega quente e barrado com manteiga de alho. Não recuse.

O essencial antes de ir

  • Leve calçado que aguente rocha molhada, chinelos de dedo em basalto húmido são receita para desastre
  • Protetor solar é obrigatório mesmo com nuvens, o sol na Madeira engana, especialmente refletido na água
  • Traga água e snacks, não há quiosques na maioria dos acessos costeiros de Santana
  • Toalha e roupa seca no carro, a brisa norte seca rápido, mas o caminho de volta pode ser fresco
  • Verifique as condições do mar antes de sair, o site do IPMA dá previsão de ondulação para a costa norte
  • Não deixe lixo, estes sítios continuam bonitos porque pouca gente lá vai. Mantenha-os assim

O veredicto

Santana não é destino de praia no sentido clássico, e qualquer artigo que diga o contrário está a mentir-lhe. Mas se o que procura é fugir das multidões, mergulhar em água limpa rodeado de paisagem dramática, e voltar para casa com a sensação de ter descoberto algo que a maioria dos turistas nunca vê, então a costa norte da Madeira é exatamente onde quer estar.

O segredo não é nenhum segredo, na verdade. É só que a maioria das pessoas prefere areia macia e água morna. Deixe-as na Calheta. Santana é para quem gosta do mar a sério.

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