Ribeira Brava

Ribeira Brava é a porta de entrada para o interior montanhoso da Madeira, com mercado municipal, a histórica Igreja de São Bento e acesso directo à Encumeada e à Fajã dos Padres. Visite no final de junho pelas Festas de São Pedro, com procissão marítima e espetada grelhada na praia.

Ribeira Brava deve o nome à torrente que desce da serra e corta a vila ao meio antes de desaguar no mar. Quando chove a sério nas montanhas, o rio faz jus ao nome, uma brava força de água castanha que transforma o centro da vila num espetáculo que nenhum madeirense estranha. Nos dias de sol, que são a maioria, é uma localidade tranquila na costa sul, a menos de 30 minutos do Funchal pela via rápida, e funciona como porta de entrada para o interior montanhoso da ilha.

O que fazer na vila

O Mercado Municipal, na Rua Gago Coutinho e Sacadura Cabral, é o melhor sítio para começar. O edifício é do século XIX e mantém bancas de peixe, fruta, legumes e artesanato regional. De manhã, especialmente ao fim de semana, encontra-se fruta tropical a preços bem abaixo dos do Funchal, anonas, maracujás e bananas da terra que ainda cheiram a campo. Junto ao mercado, a marginal convida a um passeio curto até à praia de calhau, onde o mar bate com força suficiente para impor respeito.

A Igreja Matriz de São Bento, que já está no boa.pt, merece uma visita demorada. É uma das igrejas mais antigas da diocese, com elementos manuelinos e barrocos, e a torre sineira revestida de azulejos azuis e brancos é um marco inconfundível. A poucos passos, o Museu Etnográfico da Madeira ocupa um edifício recuperado e explica, com objectos reais, como se vivia na ilha, da tecelagem à produção de vinho e aguardente.

Para lá da vila

Ribeira Brava é o ponto de partida para a Encumeada, o passo de montanha a 1007 metros que separa a costa norte da costa sul. A estrada sobe em curvas apertadas por entre eucaliptos e laurissilva, e no topo há um miradouro onde, em dias limpos, se vê o mar de ambos os lados da ilha. Daqui partem trilhos de levada acessíveis, incluindo troços da Levada do Norte. A Fajã dos Padres, acessível por teleférico, oferece uma praia isolada rodeada de árvores de fruto tropical, um lugar fora do tempo, sem estradas de acesso.

Quando ir e o que comer

A melhor altura para visitar é no final de junho, durante as Festas de São Pedro, padroeiro dos pescadores. A vila enche-se para a procissão marítima com barcos decorados e para a Dança das Espadas, uma tradição local em que sete homens de blusa vermelha e barrete verde executam uma coreografia ao som de pandeiretas. Há espetada no calhau, carne grelhada em espeto de louro junto à praia, e o ambiente é genuinamente local.

Fora das festas, qualquer restaurante na marginal serve espada com banana e maracujá, o prato que define a cozinha costeira madeirense. Peça bolo do caco com manteiga de alho para acompanhar, e não saia sem provar o bolo de mel, denso e escuro, feito com melaço de cana. Meia manhã chega para ver a vila; um dia inteiro se quiser subir à Encumeada ou descer à Fajã dos Padres.