Ilha das Aves
Ribeira Brava
Ribeira Brava é a porta de entrada para o interior montanhoso da Madeira, com mercado municipal, a histórica Igreja de São Bento e acesso directo à Encumeada e à Fajã dos Padres. Visite no final de junho pelas Festas de São Pedro, com procissão marítima e espetada grelhada na praia.
Na Ribeira Brava, as bananeiras descem em socalcos até quase tocarem o calhau da praia, e um antigo engenho de aguardente guarda a memória do açúcar que pagou a igreja manuelina. Um roteiro doce pela costa sul da Madeira, do museu ao bolo de mel.
Os autocarros turísticos passam Ribeira Brava em cinco minutos. Quem fica para almoçar descobre uma igreja com elementos manuelinos genuínos, um mercado sem teatro para turistas, e a espetada em pau de louro como deve ser feita. Três horas, sem pressa.
Toda a gente passa por Ribeira Brava a caminho da Ponta do Sol e perde uma das vilas mais subestimadas da Madeira. A igreja do século XVI ninguém visita, os bananais sobem em socalcos quase verticais, e a poncha de pescador é uma decisão séria.
A Ribeira Brava não tem parques aquáticos nem insufláveis. Tem uma praia com piscinas gratuitas, um museu que os miúdos não odeiam, e espada preta com banana frita. Às vezes, é tudo o que uma família precisa.
Ribeira Brava deve o nome à torrente que desce da serra e corta a vila ao meio antes de desaguar no mar. Quando chove a sério nas montanhas, o rio faz jus ao nome, uma brava força de água castanha que transforma o centro da vila num espetáculo que nenhum madeirense estranha. Nos dias de sol, que são a maioria, é uma localidade tranquila na costa sul, a menos de 30 minutos do Funchal pela via rápida, e funciona como porta de entrada para o interior montanhoso da ilha.
O Mercado Municipal, na Rua Gago Coutinho e Sacadura Cabral, é o melhor sítio para começar. O edifício é do século XIX e mantém bancas de peixe, fruta, legumes e artesanato regional. De manhã, especialmente ao fim de semana, encontra-se fruta tropical a preços bem abaixo dos do Funchal, anonas, maracujás e bananas da terra que ainda cheiram a campo. Junto ao mercado, a marginal convida a um passeio curto até à praia de calhau, onde o mar bate com força suficiente para impor respeito.
A Igreja Matriz de São Bento, que já está no boa.pt, merece uma visita demorada. É uma das igrejas mais antigas da diocese, com elementos manuelinos e barrocos, e a torre sineira revestida de azulejos azuis e brancos é um marco inconfundível. A poucos passos, o Museu Etnográfico da Madeira ocupa um edifício recuperado e explica, com objectos reais, como se vivia na ilha, da tecelagem à produção de vinho e aguardente.
Ribeira Brava é o ponto de partida para a Encumeada, o passo de montanha a 1007 metros que separa a costa norte da costa sul. A estrada sobe em curvas apertadas por entre eucaliptos e laurissilva, e no topo há um miradouro onde, em dias limpos, se vê o mar de ambos os lados da ilha. Daqui partem trilhos de levada acessíveis, incluindo troços da Levada do Norte. A Fajã dos Padres, acessível por teleférico, oferece uma praia isolada rodeada de árvores de fruto tropical, um lugar fora do tempo, sem estradas de acesso.
A melhor altura para visitar é no final de junho, durante as Festas de São Pedro, padroeiro dos pescadores. A vila enche-se para a procissão marítima com barcos decorados e para a Dança das Espadas, uma tradição local em que sete homens de blusa vermelha e barrete verde executam uma coreografia ao som de pandeiretas. Há espetada no calhau, carne grelhada em espeto de louro junto à praia, e o ambiente é genuinamente local.
Fora das festas, qualquer restaurante na marginal serve espada com banana e maracujá, o prato que define a cozinha costeira madeirense. Peça bolo do caco com manteiga de alho para acompanhar, e não saia sem provar o bolo de mel, denso e escuro, feito com melaço de cana. Meia manhã chega para ver a vila; um dia inteiro se quiser subir à Encumeada ou descer à Fajã dos Padres.