Palheiro Gardens (Quinta do Palheiro Ferreiro)
Visitar

Palheiro Gardens (Quinta do Palheiro Ferreiro)

Comprada pelos Blandy em 1885 e ainda hoje gerida como propriedade de família, esta quinta a 500 metros acima do Funchal guarda uma das maiores colecções de camélias da Europa. Vá em janeiro, leve sapatos a sério, e reserve duas horas.

Um jardim com sotaque inglês a 500 metros de altitude

Os Palheiro Gardens, também conhecidos como Blandy Gardens, ficam num planalto a leste do Funchal, em São Gonçalo, com o oceano a cintilar lá em baixo e a cidade espalhada como um mapa em relevo. A morada oficial é Caminho da Quinta do Palheiro 32, 9060-255 Funchal, mas o que ali se encontra não tem nada de oficial: é uma quinta de família, com história de século XIX, que continua a ser tratada como casa, não como atração.

A propriedade pertenceu primeiro aos Condes do Carvalhal, no início do século XIX, e foi comprada pela família Blandy em 1885. É essa dupla genealogia, aristocracia portuguesa e comerciantes britânicos de vinho da Madeira, que explica a estética do sítio: alamedas de buxo cortadas com rigor inglês, mas plantadas com camélias, jacarandás e árvores raras vindas de meio mundo. Não é um jardim botânico no sentido didático. É um jardim privado que abriu as portas, e isso nota-se em cada canteiro.

O que vir, e quando

Se há uma altura para vir, é entre janeiro e março, quando as camélias estão no auge. A colecção de camélias do Palheiro é uma das mais importantes da Europa, com centenas de variedades, e há exemplares com mais de 150 anos. Em maio, os jacarandás roxos transformam algumas zonas em túneis de cor. No verão, a estrela passa a ser a vista: dali vê-se a baía do Funchal inteira, com os cruzeiros parecidos com brinquedos.

Não tente fazer isto em 30 minutos. Reserve duas horas, no mínimo. As partes a não perder são o Jardim da Senhora, com canteiros formais à inglesa, o Vale dos Helechos com a sua atmosfera mais selvagem, e o pequeno lago central. A capela da quinta, do início do século XIX, abre apenas em certas ocasiões: vale a pena perguntar à entrada.

Comparar com os vizinhos

Funchal tem três grandes jardins, e cada um joga num campeonato diferente. O Jardim Botânico da Madeira – Eng.º Rui Vieira é mais didático, mais geométrico, e oferece a vista mais espetacular sobre o vale. O Monte Palace Tropical Garden é mais cénico, com lagos koi e azulejos portugueses encenados como num teatro. O Palheiro é outra coisa: é o mais discreto, o mais elegante e, para os apreciadores de jardins de família inglesa em terreno português, o mais interessante. Se só puder ver um, e não for fanático por camélias, talvez o Botânico ganhe pela vista. Se gosta de história, plantas raras e atmosfera de casa de campo, é aqui.

Como chegar a São Gonçalo

A quinta fica em São Gonçalo, freguesia a sudeste do centro do Funchal, num percurso de cerca de 15 minutos de carro pela ER102, subindo em direção ao Camacha. De táxi, contar entre 12 e 18 euros desde a baixa, dependendo da hora. Há autocarro da Horários do Funchal (a linha pode variar; confirme diretamente na bilheteira ou no site da operadora), mas a verdade é que o trajecto é íngreme e cansativo a pé, com poucos passeios. Carro alugado ou táxi são as opções sensatas. Há estacionamento gratuito junto à entrada, raramente cheio fora dos meses de pico.

O preço de entrada é moderado, na ordem dos €€, o que está em linha com os outros grandes jardins da ilha. Os horários têm variado ao longo dos anos, com encerramento ao fim de semana, por isso vale a pena ligar para o +351 291 793 044 ou consultar palheirogardens.com antes de subir até lá. Nada pior do que fazer a viagem e encontrar o portão fechado.

Dicas práticas

  • Leve calçado confortável. Os caminhos são em terra batida e calçada irregular, com declives. Saltos altos são uma má ideia.
  • Há um café no recinto, junto à casa principal, com esplanada e vista. É correcto para um chá ou uma sandes, não para uma refeição completa.
  • Não há código de vestuário, mas evite biquíni e chinelos de praia. É uma propriedade privada com sentido de decoro.
  • Levar dinheiro é prudente, mas o cartão funciona na bilheteira e no café.
  • O recinto inclui um campo de golfe e um hotel boutique. Os jardins visitáveis são uma zona separada; não tente passar para o golfe sem ser hóspede.
  • Crianças pequenas adoram correr pelos relvados, mas há lagos sem vedação. Atenção.

Onde comer depois

Depois de duas horas a caminhar, o estômago pede. Se quiser fazer da visita um almoço sério e voltar ao Funchal de barriga cheia, o Il Gallo d'Oro é a opção de duas estrelas Michelin para um almoço degustação. Para algo mais terra a terra, com cozinha madeirense honesta e preços razoáveis, vá ao Casal da Penha: peça o bife em pedra ou a espetada em pau de louro, e não saia sem provar o bolo de mel.

Como encaixar na semana

O Palheiro funciona bem como manhã calma antes de uma tarde no centro do Funchal, ou como segunda visita depois das levadas mais acessíveis em Abril. Se vier em Junho, encaixa naturalmente num programa de cidade: leia o nosso guia de Funchal em Junho para perceber o que está em festival. Em Maio, combinar jardim e levada no mesmo dia é viável, desde que se faça a levada de manhã cedo. E se calhar estar na ilha durante a Festa da Flor, em Maio, o Palheiro é a versão permanente do que a Festa celebra durante uma semana.

Veredicto

O Palheiro não é o jardim mais espectacular do Funchal, nem o mais Instagramável. É o mais bem educado. Tem o ritmo de uma quinta inglesa transplantada para o Atlântico, com botânica séria por trás da elegância. Vá em janeiro pelas camélias, em maio pelos jacarandás, em qualquer altura pela vista. E saia pelo caminho do café, não pelo principal: a perspectiva é melhor.