Monte Palace Tropical Garden
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Monte Palace Tropical Garden

Setenta mil metros quadrados de jardim no alto do Monte, com carpas koi, painéis de azulejo do século XVII ao XX e esculturas Shona da coleção Berardo. Suba de teleférico, desça em carro de cesto, e reserve a manhã inteira: meia hora não chega.

Setenta mil metros quadrados de jardim no alto do Monte

O Monte Palace Tropical Garden fica em Caminho do Monte 174, 9050-288 Funchal, na freguesia do Monte, a cerca de 550 metros de altitude. Subir até cá é meio caminho andado para gostar do sítio: a forma mais bonita de chegar é o teleférico que parte da Zona Velha do Funchal, junto ao Largo do Corpo Santo, e leva cerca de 15 minutos a galgar a encosta. Em alternativa, há autocarros da Horários do Funchal (linhas 20, 21 e 22, entre outras) que sobem ao Monte, e táxis que cobram uma corrida fixa a partir do centro. Quem traz carro alugado vai encontrar estacionamento limitado nas ruas em redor: ao fim de semana, com missa na Igreja de Nossa Senhora do Monte a poucos minutos a pé, a coisa complica-se.

O jardim tem 70.000 metros quadrados, ocupa o que antes foi a propriedade do Hotel Monte Palace, e pertence hoje à Fundação José Berardo. O preço de entrada cai na faixa €€, e vale a pena reservar tempo a sério: três horas é o mínimo confortável, e há quem aqui passe a manhã inteira sem dar por isso. Os horários do dia mudam ao longo do ano, por isso convém confirmar diretamente em montepalacemadeira.com ou ligar para o +351 291 780 800 antes de subir, sobretudo fora da época alta.

O que está realmente cá dentro

A primeira coisa a perceber: isto não é um jardim botânico no sentido académico. É uma coleção, montada com a lógica de quem comprou o que lhe apetecia e teve dinheiro para o fazer. Funciona melhor por isso. O percurso desce em ziguezague pela encosta, com ciclâmens, fetos arbóreos, proteas, cycas, palmeiras de várias famílias e uma quantidade séria de plantas trazidas da África do Sul, do Japão e da China. Os fetos arbóreos endémicos da Madeira aparecem misturados com espécies tropicais, o que é tecnicamente uma heresia botânica, mas visualmente faz sentido.

O coração do jardim é a parte oriental, com lagos de carpas koi, pontes em laca vermelha, leões de pedra e duas pagodes. As carpas são enormes e aparentemente eternas, e dão um bom ritmo à visita: pára-se, olha-se, anda-se mais um bocado. À volta dos lagos, painéis de azulejos portugueses dos séculos XVII a XX estão embutidos em muros, nichos e túneis. Esta é a parte que costuma surpreender: estão à intempérie, em condições nem sempre amigáveis para azulejaria histórica, e leem-se como um pequeno manual de história da azulejaria portuguesa, da policromia barroca aos painéis devocionais oitocentistas.

O museu, e porque é que não se pode saltar

Dentro do jardim há o Museu Berardo, em dois núcleos. Um é dedicado à escultura africana contemporânea em pedra, sobretudo da etnia Shona, do Zimbabué: peças grandes, em serpentina, distribuídas pelo exterior e numa sala interior. O outro é uma exposição mineralógica que inclui ametistas brasileiras de grande dimensão. Pode parecer pouco relacionado com tudo o resto, e é. Pertence à lógica do colecionador. Aceite a regra do jogo e a visita ganha em coerência.

Ordem de visita e dicas práticas

  • Faça o percurso de cima para baixo. A entrada principal fica no ponto mais alto. Descer poupa joelhos, e o final, junto aos lagos orientais, é o mais fotogénico, por isso é bom guardá-lo para o fim.
  • Calçado fechado. Há escadas de pedra molhada, troços íngremes e zonas onde a humidade não levanta. Sandálias de turista em modo passeio são má ideia.
  • Leve água. Há um café à entrada, mas dentro do jardim não há pontos de venda.
  • Casa de banho: à entrada e perto do museu. Planeie em conformidade.
  • Acessibilidade: o jardim é em encosta, com muitas escadas e caminhos irregulares. Não é uma visita amigável para cadeiras de rodas nem para carrinhos de bebé.
  • Bilhetes: pagam-se à entrada, cartão aceite. Não é preciso reservar para visita individual; para grupos, contactar com antecedência.
  • Quanto tempo: reserve duas a três horas. Em dia de muito calor no centro do Funchal, isto vale como refúgio fresco.

Quando vir

O jardim está bonito o ano inteiro, mas há picos. Fevereiro a abril traz a floração das proteas, das camélias e dos jacarandás na Madeira em geral. Em maio, a ilha entra em modo de festa com a Festa da Flor, e o Monte aparece em muitas das fotografias do cortejo. Se vier nessa altura, vale combinar a manhã no jardim com a tarde no centro: ver o que fazer no Funchal em maio ajuda a desenhar o resto da semana. Para quem vem em junho, com o calor a apertar, faz sentido cruzar a visita com as levadas e noites de festival que marcam essa altura do ano.

Descer ao Funchal em carro de cesto

Esta é a parte teatral. À saída do jardim, perto da Igreja do Monte, os carreiros de cesto partem desde 1850. Dois homens vestidos de branco, com chapéu de palha, empurram um cesto de vime sobre patins de madeira encerada pela estrada até ao Livramento, dois quilómetros de descida em cerca de dez minutos. O preço é separado do bilhete do jardim, paga-se ali mesmo, e funciona com tempo seco. Não é transporte: é um número de feira centenário que continua a fazer sentido. Lá em baixo, pode apanhar um táxi ou autocarro de volta ao centro.

O que fazer antes ou depois

O Monte não tem grande oferta gastronómica e o jardim absorve a parte boa do dia. Para almoço ou jantar, conta-se descer ao Funchal. A rede de levadas do Funchal permite atacar o jardim de manhã e a tarde noutro registo. Para uma refeição séria, no nível Michelin, vale a viagem ao Reid's e ao Il Gallo d'Oro. Para algo mais informal e bem feito, com cozinha madeirense de família, o Casal da Penha é uma escolha sólida.

Resumo, sem rodeios: o Monte Palace funciona como um dia inteiro de Funchal arrumado de uma vez. Sobe-se de teleférico, anda-se três horas no jardim, desce-se de carro de cesto, almoça-se no centro. Quem só tiver meia manhã não está a vê-lo verdadeiramente. Reserve a manhã inteira, suba cedo, e leve guarda-chuva pequeno na mochila, mesmo no verão: o Monte recebe nuvens que o Funchal não vê.