Il Gallo d'Oro
Funchal
Capital da Madeira com mercado autêntico, poncha forte e acesso directo a uma rede de levadas centenárias. Três dias bastam para a cidade; uma semana se quiser explorar os trilhos da ilha a partir daqui.
Enquanto o Funchal marca 26 graus na Avenida do Mar, no Parque das Queimadas estão 16 e a laurissilva pinga água fresca. Do Caldeirão Verde à Levada dos Tornos, sete caminhadas para agosto, com horários espertos, a taxa dos 3 euros e onde jantar depois.
Em julho, a Madeira pede um plano com duas metades: levadas frescas de manhã, mergulhos atlânticos à tarde. Do Caldeirão Verde às piscinas naturais, com paragem na espetada do Casal da Penha pelo meio.
O Verão é, ao contrário do que pensam as brochuras, a melhor altura para andar nas levadas do Funchal. Catorze horas de luz, ar fresco a 1.000 metros, e cascatas onde se pode mergulhar. Mas só se sair de casa antes das sete e meia.
Quatro sábados de fogo de artifício sobre a baía, jardins em segunda explosão, atum na época e levadas no seu melhor mês. Um guia opinativo para fazer Junho em Funchal sem cair nas armadilhas dos terraços de hotel a 90 euros.
O Funchal faz-se de contrastes que só uma capital insular consegue reunir: o mar batido pela corrente quente do Golfo, montanhas que passam dos zero aos mil metros em menos de vinte minutos de carro, e uma cidade que cresceu em anfiteatro virada ao Atlântico. Quem chega de avião e desce para a cidade pela Via Rápida vê logo a dimensão, o casario branco e ocre espalhado pelas encostas, as bananeiras nos quintais, os hotéis do Lido a marcar a linha costeira a oeste.
A Zona Velha é o ponto de partida óbvio, mas não por ser pitoresca, é porque ali se concentra o que de melhor a cidade oferece sem filtros. A Rua de Santa Maria, com as portas pintadas por artistas locais, dá acesso a restaurantes onde o peixe-espada preto com banana ainda aparece no prato sem ironia. O Mercado dos Lavradores, nas manhãs de semana, continua a funcionar como mercado real: vendedoras de maracujá e anonas que sabem exactamente o ponto de maturação de cada fruta. Evite sábados à tarde, quando os cruzeiros despejam passageiros e os preços sobem.
Antes de qualquer roteiro, sente-se e peça uma poncha. A original, com aguardente de cana, mel de abelha e sumo de limão, bebe-se em copos pequenos com razão, é mais forte do que parece. Para comer, o bolo do caco com manteiga de alho é o pão de acolhimento da ilha: massa de batata-doce cozida em lajes de basalto. O atum grelhado com milho frito e a espetada em pau de louro são os pratos que definem a mesa madeirense, e no Funchal encontram-se em quase toda a parte, a diferença está no cuidado.
Três dias é o mínimo para conhecer a cidade e fazer pelo menos uma levada. O Funchal funciona como base para explorar toda a ilha, e quem gosta de caminhar pode facilmente preencher uma semana sem repetir trilhos. A rede de levadas, canais de irrigação do século XVI transformados em percursos pedestres, começa praticamente à porta da cidade. As levadas do Caldeirão Verde e das 25 Fontes são as mais conhecidas, mas exigem deslocação; para algo acessível a partir do centro, a Levada dos Balcões oferece vistas para o vale da Ribeira da Metade sem grande esforço.
Abril e maio trazem a Festa da Flor e temperaturas agradáveis entre os 18°C e os 22°C. O verão é estável mas os hotéis enchem com turismo britânico e alemão. Dezembro tem o famoso fogo-de-artifício de Ano Novo, reconhecido pelo Guinness, mas os preços de alojamento triplicam. Para quem quer o Funchal com menos gente e bom clima, setembro e outubro são a escolha inteligente.