Funchal e Arredores: 5 Levadas da Madeira Imperdíveis em Maio
Maio é o mês perfeito para caminhar na Madeira: sem multidões de verão, com a laurissilva no seu verde mais intenso. Das 25 Fontes ao Pico Ruivo, estes cinco percursos a partir do Funchal cobrem tudo, floresta, altitude e falésias. Mas atenção: em 2026, sem reserva no SIMplifica, não entra.
Maio é, possivelmente, o melhor mês para caminhar na Madeira. O calor ainda não apertou, as chuvas de inverno já passaram, e a floresta laurissilva está no seu pico de verde, um verde tão intenso que parece inventado. A partir do Funchal, todos estes percursos ficam a menos de uma hora de carro, o que significa que pode caminhar de manhã e estar a jantar no centro antes das oito.
Se já leu o nosso guia de levadas para abril, sabe que a Madeira tem dezenas de trilhos classificados. Mas em maio, com os dias mais longos e a luz a durar até quase às nove, há percursos que ganham outra dimensão. Estes são os cinco que recomendamos sem hesitar.
O que mudou em 2026: reservas obrigatórias
Antes de calçar as botas, o aviso mais importante: desde 1 de janeiro de 2026, todos os trilhos PR da Madeira exigem reserva prévia e pagamento online através da plataforma SIMplifica, gerida pelo IFCN (Instituto das Florestas e Conservação da Natureza). Custa 4,50€ por pessoa, os residentes da Madeira não pagam, mas têm de reservar na mesma. Os slots são de 30 minutos, entre o nascer e o pôr do sol, e quando esgotam, esgotam. Em maio, especialmente ao fim de semana, reserve com pelo menos uma semana de antecedência. Não há pagamento no local, não há exceções, não há "vou tentar a sorte".
1. Levada das 25 Fontes (PR6), O Clássico Que Merece a Fama
Distância: 9 km (ida e volta) · Duração: 3h30 a 4h · Dificuldade: Fácil · Início: Rabaçal
Há quem diga que a PR6 está demasiado turística. E sim, em agosto, a fila para a descida ao Rabaçal é real. Mas em maio, especialmente se reservar o primeiro slot da manhã, vai caminhar durante a primeira hora quase sozinho. O percurso segue uma levada histórica através de floresta laurissilva, esta floresta é Património Mundial da UNESCO, e percebe-se porquê quando a luz da manhã filtra pelas copas cobertas de musgo.
O destino é a Lagoa das 25 Fontes, uma bacia rodeada de nascentes que escorrem pela rocha. Em maio, o caudal ainda é generoso das últimas chuvas de primavera. A cascata do Risco, acessível por um desvio curto (PR6.1), vale os 15 minutos extra, são 100 metros de queda vertical que, a essa hora, apanha com o sol a bater de frente.
Dica prática: O estacionamento no Rabaçal é limitado. Se não quiser depender da minivan que faz o shuttle desde o parque de cima (confirme horários localmente), chegue antes das 8h30. Leve água e lanche, não há qualquer ponto de venda ao longo do percurso.
2. Levada do Caldeirão Verde (PR9), A Mais Cinematográfica
Distância: 10,6 km (ida e volta) · Duração: 3 a 4h · Dificuldade: Fácil · Início: Queimadas, Santana
Se só pudesse fazer uma levada na vida, seria esta. A PR9 parte do Parque Florestal das Queimadas, em Santana, e segue ao longo de uma levada estreita com a montanha de um lado e o vale do outro. Passa por quatro túneis escavados na rocha, leve uma lanterna de cabeça, porque são escuros a sério, e desemboca num anfiteatro natural com uma cascata de 100 metros que cai para uma lagoa de cor esmeralda. O nome não é metáfora: a água é mesmo verde.
Em maio, a vegetação ao longo do percurso está explosiva. Fetos gigantes, musgos, flores silvestres. É o tipo de paisagem que faz os fotógrafos perderem a noção do tempo (e do slot de reserva).
Se combinar este trilho com uma visita a Santana, aproveite para explorar a vila com calma. O nosso roteiro de 24 horas em Santana tem tudo o que precisa, e se quiser trazer recordações com significado, há artesanato local que realmente vale a pena.
Dica prática: O percurso é tecnicamente fácil mas tem passagens estreitas com desníveis laterais. Não é perigoso se tiver cuidado, mas não é o trilho ideal para quem tem vertigens. Botas com sola aderente são essenciais, o piso junto aos túneis é húmido mesmo em maio.
3. Vereda do Areeiro (PR1), O Trilho de Altitude
Distância: 7 km (só ida) · Duração: 3h30 · Dificuldade: Moderada · Início: Pico do Areeiro (1818 m)
Este não é uma levada, é um trilho de crista que liga os dois picos mais altos da Madeira: o Pico do Areeiro (1818 m) ao Pico Ruivo (1862 m). É o percurso mais espetacular da ilha, e também o mais exigente desta lista. O desnível acumulado não é brutal, mas há passagens por túneis, escadas talhadas na rocha, e troços expostos que exigem alguma segurança de pé.
A recompensa? Caminhar literalmente acima das nuvens. Em maio, é comum partir com céu limpo no Areeiro e ver o mar de nuvens preencher os vales abaixo. Ao meio da manhã, quando o sol aquece, as nuvens sobem e a paisagem muda completamente a cada meia hora.
Logística importante: Este trilho é linear, não circular. Precisa de arranjar transporte no ponto de chegada (Achada do Teixeira, acesso ao Pico Ruivo) ou fazer a mesma rota ao contrário, o que são 14 km e um dia inteiro. A maioria das pessoas resolve com dois carros ou com um táxi combinado previamente. Há operadores no Funchal que fazem transfer; confirme preços localmente.
Dica prática: Mesmo em maio, a altitude significa temperaturas 10 a 15 graus abaixo do Funchal. Leve camadas de roupa, corta-vento, e não subestime o vento nas cristas. Comece cedo, a partir do meio-dia, a nebulosidade tende a subir e a visibilidade cai.
4. Vereda da Ponta de São Lourenço (PR8), O Contraste Total
Distância: 7 km (ida e volta) · Duração: 2h30 a 4h · Dificuldade: Fácil a Moderada · Início: Baía d'Abra
Se os outros trilhos são um mergulho no verde, a Ponta de São Lourenço é o oposto: uma península árida, varrida pelo vento, com falésias vermelhas e amarelas que caem a pique para um Atlântico de azul absurdo. É a Madeira a mostrar que não é só floresta.
O percurso é relativamente curto e sem grande desnível, mas é totalmente exposto ao sol. Em maio, isso é uma vantagem, a temperatura é agradável e a luz é perfeita para fotografias. A vista do miradouro final, com o Atlântico dos dois lados, é das melhores da ilha. Ponto final.
Dica prática: Não há sombra. Chapéu, protetor solar e pelo menos 1,5 litros de água são obrigatórios. O estacionamento na Baía d'Abra enche depressa; chegue cedo ou vá de autocarro (linhas da Horários do Funchal fazem a ligação, confirme horários atualizados localmente). O vento pode ser forte, especialmente na ponta, é espetacular mas segure o chapéu.
5. Levada do Rei (PR18), A Menos Conhecida
Distância: 10 km (ida e volta) · Duração: 3 a 4h · Dificuldade: Fácil a Moderada · Início: São Jorge
A Levada do Rei parte de São Jorge, na costa norte, e é o percurso desta lista que menos gente faz. E isso é parte do seu encanto. Segue uma levada antiga através de floresta densa, com quedas de água pelo caminho e uma vegetação tão cerrada que por vezes a luz mal penetra. O destino final é uma cascata escondida no Ribeiro Bonito, e o nome não mente.
Em maio, este percurso é particularmente bom porque a costa norte tende a ter mais humidade, o que mantém a floresta no seu estado mais exuberante. A contrapartida: pode apanhar alguma neblina ou chuvisco ligeiro, especialmente de manhã. Nada que uma boa capa de chuva não resolva, e a atmosfera ganha com isso.
Dica prática: Se vier do Funchal, combine com uma paragem em Santana pelo caminho. O percurso começa junto à estrada regional em São Jorge; o estacionamento é pequeno mas raramente enche.
Antes e Depois das Levadas
Caminhar na Madeira dá fome. É uma lei da física. E o Funchal tem onde a compensar.
Para um jantar a sério depois de um dia nos trilhos, o Il Gallo d'Oro é a escolha para quem quer a melhor mesa da cidade, é o único restaurante com duas estrelas Michelin na Madeira. Se preferir algo mais descontraído mas igualmente bem feito, o Casal da Penha serve cozinha madeirense contemporânea com uma honestidade que conquistou tanto locais como visitantes.
Se maio coincidir com os últimos dias da Festa da Flor, aproveite, o Funchal fica coberto de instalações florais e há cortejos, exposições e tapetes de flores nas ruas do centro. É um dos melhores eventos da ilha.
E para quem quer variar do trilho, há sempre o mar. Uma aula de surf no Funchal com o Surf Clube da Madeira é uma forma surpreendentemente boa de usar as pernas de forma diferente depois de dias a caminhar.
Kit Essencial para Maio
- Calçado: Botas de trilho com sola aderente. As levadas são húmidas, mesmo em maio. Ténis de corrida são um erro.
- Água: Mínimo 1,5 litros por pessoa. Não há fontes ao longo dos percursos.
- Lanterna de cabeça: Obrigatória para a PR9 (Caldeirão Verde) e útil na PR1 (Areeiro). Os túneis são escuros.
- Camadas de roupa: No Funchal pode estar calor; a 1800 metros de altitude pode estar frio. Leve corta-vento e uma camisola quente.
- Protetor solar e chapéu: Essenciais para a PR8 (Ponta de São Lourenço) e qualquer trilho exposto.
- Reserva SIMplifica: Feita e paga. Sem ela, não entra.
Maio na Madeira é isso: acordar no Funchal com sol, estar dentro de uma floresta pré-histórica às dez da manhã, e voltar a tempo de ver o pôr do sol com uma poncha na mão. Cinco levadas, cinco mundos diferentes, todos a menos de uma hora de distância. Não complique, reserve, caminhe, e deixe a ilha fazer o resto.