The Royal Cocktail Club
Porto
Aberta em 1986, é a discoteca mais antiga do Porto ainda em funcionamento. Está na Foz, abre de quinta a sábado pela madrugada dentro, e continua a atrair um público adulto que sabe exatamente porque desce até à marginal quando o resto da cidade já fechou.
Há discotecas que abrem com pompa e fecham antes de saberes o nome do barman. E depois há o Industria Club, na Av. do Brasil 843, que abriu portas em 1986 e continua a pôr gente a dançar quase quarenta anos depois. É a discoteca mais antiga do Porto ainda em funcionamento, e isso não é detalhe pequeno numa cidade onde a noite muda de morada a cada estação. Sobreviveu a modas, a crises, a gerações inteiras de portuenses que vieram aqui pela primeira vez aos vinte e ainda voltam de vez em quando, agora com menos energia e melhores sapatos.
Está na Foz, e isso diz quase tudo. Estamos no extremo ocidental da cidade, onde o Douro encontra o Atlântico e o Porto fica subitamente mais calmo, mais residencial, mais caro. A Av. do Brasil corre paralela à costa, é a marginal onde a cidade vem correr de manhã e passear ao domingo. À noite, a mesma avenida ganha outro tom: faróis, casacos bons, gente que estacionou o carro com cuidado. Não esperes a confusão da Galeria de Paris nem a euforia da Rua da Galiza. Aqui a noite é mais discreta, mais adulta, e o Industria há décadas que serve precisamente esse público.
A Foz não é o centro, e convém saberes isso antes de saíres de casa. De táxi ou Bolt a partir da Baixa são uns quinze a vinte minutos, dependendo do trânsito da marginal. De autocarro, as linhas que descem para a Foz do Douro deixam-te perto, mas à hora a que o Industria realmente aquece, depois da meia-noite, já não há transportes públicos que prestem. Faz as contas para a volta: o táxi de regresso à uma ou duas da manhã é parte do orçamento da noite, e a Foz não é propriamente barata para apanhar à saída.
Funciona de quinta a sábado, e entra pela madrugada dentro. Não é sítio para chegar às onze da noite e esperar ambiente. A noite do Porto começa tarde e a da Foz ainda mais. Aparece depois da meia-noite, mais perto da uma, e dá tempo ao espaço para encher.
O preço é €€€, o que para o padrão portuense significa que não é a noite barata de estudante. Estás a pagar a localização, a história e o tipo de gente que isso atrai. Vai com isso em mente e não te vais sentir enganado. Vê o consumo mínimo e a tabela de preços à entrada, porque na Foz as bebidas custam o que custa.
Sobre o dress code: não há tabela oficial pública, mas o bom senso aplica-se. Isto é a Foz, é um clube com nome feito, e aparecer de calções e chinelos é pedir conversa difícil com o porteiro. Vai arranjado. Não precisas de fato, mas deixa o ar de praia em casa.
Para garantir mesa, table service ou entrada em noites cheias, liga antes: +351 220 962 935. Em noites de evento ou DJ convidado, a reserva faz a diferença entre entrar à vontade e esperar na rua. Confirma sempre o programa da noite no site oficial, industria-club.com, porque a programação varia e nem todas as quintas são iguais a um sábado.
O Industria não costuma ser o primeiro copo da noite, é o destino final. A jogada inteligente é começar mais cedo e mais perto do centro. Para um cocktail bem feito antes de descer à Foz, vale a pena passar por The Royal Cocktail Club, onde a coisa é levada a sério e dá para conversar antes de a noite ficar barulhenta. Se preferes algo mais animado e descontraído para aquecer, o Gare Porto faz o trabalho. E se queres comparar a noite mais antiga do Porto com uma das suas casas de dança mais conhecidas, o Pérola Negra Club é a referência óbvia.
Se a noite anterior foi de Industria, o dia seguinte pede recuperação calma. A Foz e o Palácio de Cristal não ficam longe um do outro, e uma manhã preguiçosa nos Jardins do Palácio de Cristal é a forma certa de pagar a fatura da madrugada. Para comer alguma coisa honesta sem grande cerimónia, o Duarte's Comida de Rua resolve a fome com dignidade.
Vale, se souberes o que vais procurar. O Industria não é para quem quer a noite mais barata nem para quem quer o sítio mais novo e instagramável da cidade. É para quem aprecia o facto de um clube ter aguentado quase quarenta anos sem mudar de morada nem perder o público. Há um certo respeito a ter por isso. Vai com expectativas certas, vai bem arranjado, leva dinheiro para o táxi de volta, e vais perceber porque é que tanta gente do Porto continua a descer à Foz quando o resto da cidade já fechou.
Se estás a montar uma estadia mais longa, o Industria encaixa bem numa noite do nosso roteiro de 7 dias pelo Porto e Norte. E se calhares na cidade em junho, prepara-te: a festa de São João transforma o Porto inteiro numa pista de dança ao ar livre, e o Industria é apenas o capítulo coberto da história.