The Royal Cocktail Club
Porto
A poucos passos da estação de São Bento, o Gare esconde uma pista em túnel com arcos de pedra dedicada a techno e drum and bass. É o Porto eletrónico sem maquilhagem para turista, e funciona melhor depois da meia-noite.
Há uma certa lógica em encontrar um dos clubes mais respeitados do Porto literalmente a poucos passos da estação de São Bento. Saes do comboio, atravessas a Rua da Madeira e, no número 182, encontras uma porta que de dia não diz nada a ninguém. À noite, é outra história. O Gare é um daqueles sítios que define a identidade noturna de uma cidade, e fá-lo sem precisar de néons nem de fila de fotógrafos à entrada.
O que torna o Gare diferente é a arquitetura. A pista principal é um túnel longo, estreito, com arcos de pedra que correm ao longo do teto. Não é cenografia montada por um designer com orçamento: é o próprio edifício. Quando o som enche aquele corredor, o efeito é direto e físico, sem escapatória. É techno e drum and bass na sua forma mais honesta, tocados num espaço que parece ter sido construído de propósito para isso, mesmo não tendo sido.
Esqueçam ideias de clube comercial. O Gare é território de música eletrónica alternativa, com uma programação que privilegia o techno e o drum and bass. O público vem para dançar a sério, não para tirar fotografias. A multidão é uma mistura saudável de habitués portuenses, estudantes Erasmus que ouviram falar do sítio e gente que viaja para a Europa atrás deste tipo de noite. Ninguém liga ao que vestes, desde que estejas ali pela música.
A faixa de preço é acessível, na casa dos €€, o que para uma noite de qualidade neste registo é justo. Não esperem cocktails de autor nem carta de vinhos: aqui bebe-se uma cerveja, um shot, e volta-se para a pista. Se o que procuras é um copo bem feito antes de mergulhares na noite, faz sentido começar mais cedo no The Royal Cocktail Club e só depois descer até à Rua da Madeira.
A localização é das melhores da cidade para quem sai à noite. A morada é Rua da Madeira 182, 4000-303 Porto, em pleno centro histórico, a um curto passeio da estação de São Bento e da Estação de Metro de São Bento (linhas que cruzam o Trindade). Vens de qualquer ponto da cidade de metro ou a pé, e à saída tens a Baixa toda à volta. Para quem fica alojado na zona ribeirinha ou nos Aliados, são dez minutos a andar. Um conselho prático: ao final da noite, o metro já não circula, por isso planeia o regresso de táxi ou app, ou prepara-te para uma caminhada.
A própria zona vale a pena explorar antes de a noite começar. Estás a passos de tudo o que faz o centro do Porto funcionar, e se quiseres comer qualquer coisa rápida e boa antes de entrar, vale o desvio até ao Duarte's Comida de Rua, que resolve a fome sem cerimónia.
O Gare é um clube de noite tardia. Não vale a pena aparecer cedo: o ambiente só ganha forma depois da meia-noite e o melhor da pista acontece nas horas mortas da madrugada. Vem com energia e a expectativa de ficar.
O Gare faz sentido como destino final de uma noite, não como ponto de partida. Janta cedo, bebe um copo num bar da Baixa, e guarda o Gare para o momento em que já não queres ouvir conversa, só baixo e bombo. É o oposto de uma noite turística e polida, e é precisamente isso que o torna essencial para quem quer perceber a cena eletrónica do Porto a sério.
Se estás a montar uma estadia mais longa e queres equilibrar as noites com os dias, o nosso roteiro honesto de sete dias pelo Porto e Norte ajuda a distribuir energias, e há sempre a opção de recuperar a meio da tarde com um passeio calmo pelos Jardins do Palácio de Cristal. E se a tua viagem calha em junho, prepara-te para o caos festivo do São João, a maior festa do Norte, que transforma a cidade inteira numa pista de dança ao ar livre.
No fundo, o Gare é o Porto sem maquilhagem para turista: um túnel de pedra, som a sério, e gente que sabe porque está ali. Não precisa de mais nada.