Aldeamento Turístico Casas de Campo do Pomar
Santana
Pousada acima da Rocha do Navio, no Cortado, com a Laurissilva atrás e o Atlântico em frente. Não é resort, é um B&B pequeno, na faixa €€, e exige carro: por isso vale a pena.
Há alojamentos em Santana que se vendem como rurais e depois entregam-te um quarto com vista para o parque de estacionamento. O Santana in Nature Bed & Breakfast não é um deles. Fica num sítio chamado Cortado, na Estrada Regional 1, com o número de porta 9230-088 a marcar o fim da civilização tal como a conhecemos: a partir daqui é Laurissilva, falésia e o azul atlântico que cai a pique até à Reserva Natural da Rocha do Navio.
Santana é a vila dos telhados de colmo, mas o concelho é muito maior do que a fotografia que toda a gente tira às casinhas triangulares no centro. O Cortado fica a poucos minutos do núcleo histórico, num daqueles desvios que o GPS resolve com hesitação. Vens da ER101 (a estrada rápida do norte da Madeira), sais para Santana e segues sinalização para a costa norte e Rocha do Navio. Os últimos 500 metros são uma estradinha estreita: cruzes-te com um carrinha agrícola e um de vocês recua. Faz parte.
Se vieres do aeroporto da Madeira, conta com 50 a 60 minutos de carro. Os transportes públicos chegam a Santana centro (Rodoeste/Horários do Funchal), mas para subir ao Cortado vais precisar de carro alugado ou de um táxi combinado com a casa. Não é o género de sítio onde se chega a pé com a mala às costas.
É uma guesthouse pequena, em estilo de B&B, com uma localização que deixa qualquer hotel de quatro estrelas do Funchal a olhar para o tecto. A casa está pousada acima da reserva da Rocha do Navio, com a Laurissilva (a floresta laurissilva é Património Mundial da UNESCO, recordo) a fazer de muro verde e o oceano à frente sem nada a tapar. O preço cai na faixa €€, ou seja, está acima do hostel e abaixo do hotel boutique do Funchal. Para o que entrega em vista e silêncio, é honesto.
Não vais encontrar aqui spa, ginásio ou room service à meia-noite. O que encontras: pequeno-almoço, varanda, e a sensação real de estar a dormir num sítio onde o som dominante é o vento e, à noite, as ondas a partirem-se lá em baixo na Achada do Gramacho. Quem vem para a Madeira fazer levadas, mergulhar com lobos-marinhos na Rocha do Navio ou simplesmente fugir de Câmara de Lobos em agosto, percebe rapidamente o cálculo.
O contacto faz-se pelo site oficial em santanainnature.com. Não tenho número de telefone público para te dar de cabeça, e prefiro não inventar: confirma diretamente pelo site, sobretudo se viajas com necessidades específicas (cama de bebé, alergias, chegada tardia). Os horários de check-in e check-out não estão publicamente disponíveis de forma fixa, por isso combina por escrito o horário de chegada, especialmente se aterras no aeroporto à noite, porque a estrada do Cortado em escuro e com chuva pede paciência.
O pequeno-almoço cobre-te até ao meio-dia. Para almoço e jantar, vais sair, e isso é uma boa notícia. Santana e arredores têm restaurantes onde o bolo do caco chega quente da brasa e a espetada em pau de loureiro é cozinhada como deve ser, com sal grosso e nada mais. Para uma refeição mais formal e com vista de cartão postal, a Quinta do Furão, na vizinha freguesia, tem um restaurante que vale uma visita mesmo para quem não fica lá hospedado. Se preferes o ambiente de casa de campo, o Aldeamento Turístico Casas de Campo do Pomar também tem opções na zona.
Estás a poucos minutos das melhores levadas do norte da ilha, do Parque Temático da Madeira (sim, é turístico, mas para famílias funciona) e de uma costa que muita gente esquece quando pensa na Madeira. Vale a pena planear bem os dias: para começar, lê o nosso roteiro de 24 horas em Santana antes de aterrares, porque a maior parte das pessoas faz Santana em duas horas e perde tudo. Se queres trazer alguma coisa para casa que não seja um íman do frigorífico, o nosso guia de artesanato de Santana resume o que vale o espaço na mala. E para os dias em que o sol abre, a costa esconde algumas das praias mais selvagens e menos cheias da Madeira.
É para casais em viagem lenta, fotógrafos de paisagem, quem caminha levadas de manhã cedo, quem aprecia silêncio e prefere um anfitrião que sabe o teu nome a um rececionista que fala em piloto automático. Não é para quem quer vida noturna, room service, piscina interior aquecida ou um pequeno-almoço de buffet com 40 estações. Sabido isto, dificilmente sais desiludido.
Confirma data, preço e particularidades pelo site oficial antes de fechar voos. A Madeira em alta época não perdoa quem improvisa.