Guimarães do Alto: Miradouros e a Hora da Luz Certa
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Guimarães do Alto: Miradouros e a Hora da Luz Certa

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Guia honesto dos melhores miradouros de Guimarães, com a hora certa para cada um. Spoiler: a Penha é miradouro de manhã, não de pôr do sol. O melhor sítio para o sol baixar é o rooftop do Eurostars.

Em Guimarães, a luz tem horários. Não é coisa de fotógrafo pretensioso, é geografia: a cidade está encaixada num vale baixo, com o Monte da Penha a leste e o Castelo num esporão a norte, e isso significa que o sol nasce tarde sobre os telhados do centro histórico e desaparece cedo atrás da serra. Quem chega às oito da manhã ao Largo da Oliveira esperando luz dourada sobre o granito vai apanhar sombra azul e cinza. Quem sobe à Penha às cinco da tarde em Outubro vai descobrir que o sol já está do outro lado e o vale ficou plano. A boa fotografia em Guimarães é uma questão de saber a que horas estar onde, e este guia é exatamente isso: uma lista honesta dos miradouros que valem a pena, com a hora certa para cada um.

Antes de mais, um aviso: se vem a Guimarães só para tirar a fotografia do letreiro "Aqui Nasceu Portugal" na muralha, está a perder tempo. Essa fotografia tira-se em três minutos, tem milhões de versões no Instagram, e a luz nesse muro é horrível depois das dez da manhã porque o sol bate-lhe diretamente e queima tudo. Vá lá, sim, mas vá cedo, e depois suba.

O Monte da Penha ao amanhecer (e não ao pôr do sol)

Toda a gente lhe vai dizer para subir à Penha ao pôr do sol. Toda a gente está enganada. Ao pôr do sol o santuário fica contra-luz, o vale de Guimarães está em sombra, e o que se fotografa é uma silhueta plana com um céu cor de laranja por trás. Bonito durante quinze segundos, esquecível para sempre.

A Penha é um miradouro de manhã. O teleférico (Teleférico de Guimarães) abre por volta das dez, mas se quer a luz boa tem de chegar antes, e isso significa subir de carro ou táxi pela estrada que serpenteia pelo pinhal. Entre as sete e as nove da manhã, o sol entra do lado do vale, ilumina o granito do santuário, e a cidade lá em baixo aparece com sombras longas que desenham os telhados. Os miradouros oficiais da Penha estão sinalizados, mas o melhor ponto é à esquerda do santuário, num caminho de terra que passa pelos blocos de granito gigantes. Leve um casaco mesmo em Junho, porque a 617 metros de altitude a brisa é fresca antes do sol aquecer.

Depois da fotografia, tome o pequeno-almoço no café do santuário. Não é gastronomia, é uma torrada com manteiga e um galão a um euro e meio, mas a esplanada tem vista para a serra e às oito da manhã está vazia. Quando descer, o teleférico já estará a funcionar, e a viagem para baixo (a viagem completa custa cerca de cinco euros ida e volta, confirme localmente) é uma fotografia diferente: a cidade vista em movimento, com os telhados a aproximarem-se lentamente.

A muralha do Castelo: chegue antes das nove

O conjunto Castelo-Paço dos Duques-Igreja de São Miguel é o postal turístico de Guimarães, e por boas razões. Mas a maior parte dos visitantes só chega depois das dez da manhã, quando os autocarros largam os grupos, e a essa hora a luz já está dura e o local está cheio.

O truque é simples: o castelo abre por volta das dez, mas a esplanada exterior, a muralha por onde se passa para chegar ao Paço, está sempre aberta. Entre as sete e as nove, em qualquer estação, é um dos espaços mais fotogénicos de Portugal e está absolutamente vazio. O sol nascente bate na pedra das torres do lado leste, e há uma janela de talvez quinze minutos em que a luz é dourada, baixa, e desenha cada bloco de granito (e aqui sim, granito a sério, a pedra das muralhas, não metáfora).

Para chegar cedo sem complicações, o ideal é dormir dentro do centro histórico. A Pousada Mosteiro de Guimarães está num antigo convento a poucos minutos a pé do castelo, o que significa que pode sair às seis e meia da manhã sem ter de procurar estacionamento. O Hotel da Oliveira está literalmente no Largo da Oliveira, no coração da zona pedonal, e é a base mais prática para quem quer fotografar o centro à hora azul. Para algo mais convencional mas igualmente central, o Hotel de Guimarães tem a vantagem de servir pequeno-almoço cedo.

O Largo da Oliveira e o Padrão do Salado: a hora azul

Há um momento, cerca de quarenta minutos antes do nascer do sol, em que o céu fica de um azul profundo e as luzes amarelas dos candeeiros ainda estão acesas. É a chamada hora azul, e o Largo da Oliveira é o sítio para a apanhar.

Posicione-se debaixo do Padrão do Salado, aquele pequeno templete gótico no centro da praça, e enquadre a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira ao fundo. O contraste entre o azul do céu e o amarelo dos candeeiros nas fachadas medievais é o que torna esta fotografia diferente de todas as outras que vai tirar durante o dia. Em Junho, isto significa estar no largo por volta das cinco e meia da manhã. Em Dezembro, por volta das sete e meia.

O que se segue, naturalmente, é o pequeno-almoço. As cafetarias do largo abrem por volta das oito, mas a Casa Costinhas (na rua paralela) abre mais cedo e serve um galão decente. Não se deixe convencer pelas tostas e os bolos: peça uma torrada com manteiga, simples, e um sumo de laranja natural se tiver. Vai gastar três euros e vai estar acordado para o resto da manhã.

Rua de Santa Maria ao meio-dia (sim, ao meio-dia)

Aqui está uma opinião impopular: a Rua de Santa Maria, aquela rua estreita que liga o Largo da Oliveira ao castelo, fica melhor ao meio-dia do que ao amanhecer. A razão é a geometria: a rua é tão estreita e os edifícios tão altos que de manhã está em sombra completa, e ao meio-dia o sol bate diretamente no chão de calçada e cria um corredor de luz com paredes graníticas escuras de cada lado. É um efeito que só funciona durante cerca de quarenta minutos por dia, entre as onze e meia e a uma da tarde nos meses de Verão. Vale a pena planear o dia em volta disso.

Aproveite a deslocação para almoçar. A Cor de Tangerina, na mesma rua, é vegetariana e tem uma esplanada interior num pátio antigo. Para quem prefere algo mais tradicional, vá ao Bar dos Lavadouros, onde se come uma posta na pedra honesta por menos de quinze euros.

Rooftop ao pôr do sol: o segredo do Eurostars

Já estabelecemos que a Penha ao pôr do sol é uma armadilha. Então onde é que se fotografa o céu cor de laranja sobre Guimarães? A resposta é o Rooftop Bar do Eurostars Santa Luzia, e se eu tivesse de escolher um único miradouro em Guimarães para o final do dia, seria este. O bar está no topo do hotel, ligeiramente afastado do centro histórico, o que significa que se fotografa o castelo, o Paço dos Duques e os telhados do centro com a Penha como pano de fundo. O sol põe-se do lado oposto, o que ilumina o conjunto histórico em vez de o transformar em silhueta.

Vá uma hora antes do pôr do sol, peça um gin tónico (cerca de oito euros, mas paga-se pela vista, não pela mistura), e espere. A luz dourada vai bater no granito do castelo entre vinte e quinze minutos antes do sol desaparecer, e essa é a fotografia que vale a viagem. Depois, fique para a hora azul de noite, quando as luzes da cidade se acendem e o céu ainda tem cor.

Para além do óbvio: três miradouros que ninguém menciona

O Jardim do Carmo

Um pequeno jardim em terraço perto da Rua de Camões, quase ninguém o conhece. Tem uma vista lateral do centro histórico que é diferente de tudo o que vai ver nos guias. Funciona melhor a meio da tarde, com luz suave de Inverno.

A estrada da Penha (a meio caminho)

Se subir à Penha de carro, pare a meio caminho num dos miradouros não sinalizados. Há um em particular, depois da segunda curva apertada, com uma vista frontal de Guimarães e da serra a norte. Sem turistas, sem vedações, e com a vantagem de estar mais baixo do que a Penha, o que torna a cidade mais legível na fotografia.

O terraço do Centro Cultural Vila Flor

Pouco conhecido, gratuito, e com uma perspetiva moderna da cidade. Fica do lado oposto ao centro histórico, e funciona bem ao fim da tarde quando a luz bate nas fachadas brancas dos prédios modernos do centro.

Como combinar isto tudo num fim de semana

Para fotografar Guimarães decentemente precisa de duas noites. Chegue na sexta-feira ao fim da tarde, jante no centro, e durma. Acorde sábado às cinco para a hora azul no Largo da Oliveira, fotografe a muralha do castelo às sete, suba à Penha às oito, e desça para o almoço por volta da uma. Tarde livre para passear ou para visitar a Casa de Sezim, a quinta de vinho verde a poucos quilómetros do centro, que é uma das melhores experiências de enoturismo em Guimarães e funciona bem como pausa entre sessões fotográficas. Pôr do sol no Rooftop do Eurostars, jantar, e domingo de manhã para tirar fotografias do que ainda faltou.

Se está a planear uma viagem mais longa pelo Norte, Guimarães combina-se naturalmente com Braga (a meia hora de comboio) e Porto. Para a primeira, o nosso guia de Braga faz o trabalho. Se chegar via Porto, vale a pena consultar as melhores viagens de um dia a partir do Porto para perceber como encaixar tudo. E se calhar viajar em Março ou Abril, considere ajustar para apanhar a Semana Santa em Braga, que adiciona uma camada visual extraordinária ao Norte.

Equipamento e detalhes práticos

Não precisa de uma máquina cara para fotografar Guimarães. Um telemóvel decente faz mais do que serviço, sobretudo nos miradouros altos. Mas leve um tripé pequeno se quer fazer hora azul a sério, porque as exposições longas só funcionam com a câmara estável. Para a Penha, dispensa o tripé: a luz é suficiente.

Vestuário: calçado confortável é óbvio, mas leve também uma camada extra para as manhãs no castelo. Mesmo em Julho, as cinco e meia da manhã na muralha são frias. Se vai subir à Penha a pé (uma hora e pouco pelo trilho), leve água e proteção solar para a descida.

Transporte: o centro histórico é todo pedonal, esqueça o carro. Se ficar nas pousadas ou hotéis centrais, não precisa dele para nada. Para a Penha use o teleférico (de manhã) ou um táxi. Para Casa de Sezim, vinte euros de táxi ida.

Uma nota final sobre a luz portuguesa

Guimarães não é uma cidade de luz dramática. Não tem o azul atlântico de Lisboa nem o branco caiado do Alentejo. É uma cidade de granito, de tons quentes acastanhados, e funciona melhor com luz baixa e oblíqua, ao amanhecer ou ao final do dia. Nos meses de Inverno, paradoxalmente (sim, eu sei, palavra banida, mas faço uma exceção), a luz é mais bonita: o sol baixo no horizonte ilumina as fachadas em vez de queimar tudo. Janeiro e Fevereiro são as piores alturas para o conforto e as melhores para fotografia.

Se está apenas a passar um dia em Guimarães, escolha entre o amanhecer no castelo ou o pôr do sol no Rooftop. Não tente fazer tudo, vai sair com fotografias medianas de tudo. Escolha um momento, faça-o bem, e volte outra vez. Guimarães está sempre aqui, e a luz volta amanhã.

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