Pousada Mosteiro de Guimarães
Dormir

Pousada Mosteiro de Guimarães

Um mosteiro agostiniano do século XII convertido em pousada de luxo pelo arquitecto Fernando Távora, com 51 quartos (22 em antigas celas monásticas), claustros com azulejos setecentistas e vista panorâmica sobre Guimarães. O restaurante Dona Mafalda serve cozinha minhota nas caves originais do mosteiro.

Dormir Num Mosteiro Que Ensinou Reis

Há hotéis com história e há hotéis que são história. A Pousada Mosteiro de Guimarães pertence à segunda categoria, sem discussão. Instalada no Mosteiro de Santa Marinha da Costa, no topo da encosta da Penha que domina a cidade, este é provavelmente o melhor lugar para dormir em Guimarães, se o orçamento permitir.

O edifício tem raízes no século XII, quando D. Mafalda, mulher de D. Afonso Henriques, entregou o mosteiro aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho em 1154, em honra de Santa Marinha, padroeira das parturientes. No século XVI, os Jerónimos tomaram conta do espaço e montaram aqui uma escola de filosofia e teologia onde filhos de reis vieram estudar. A coisa correu bem até à extinção das ordens religiosas no século XIX, seguida de décadas de abandono e um incêndio em 1951 que quase levou tudo.

O que salvou o edifício foi a intervenção do arquitecto Fernando Távora, uma das figuras maiores da arquitectura portuguesa do século XX. O projecto de conversão em pousada, inaugurado em 1985, valeu-lhe o Prémio Nacional de Arquitectura e mais tarde o prémio Europa Nostra. Távora fez o que tantos tentam e poucos conseguem: integrar o contemporâneo no antigo sem que nenhum dos dois perca a dignidade.

Os quartos: celas de monge com minibar

São 51 quartos no total, e vale a pena perceber o que se está a reservar. Vinte e dois deles ocupam antigas celas monásticas, espaços compactos com uma austeridade bonita, paredes grossas e uma sensação de silêncio que nenhum hotel moderno consegue replicar. Depois há os quartos superiores históricos, as suítes e as master suítes, mais generosas em espaço e vistas. Todos têm o essencial moderno, Wi-Fi, televisão, minibar, mas o ponto forte é sempre a arquitectura: tectos abobadados, pedra à vista, janelas que enquadram Guimarães como se fosse uma pintura.

Peça um quarto com vista para a cidade. A diferença é significativa.

Restaurante Dona Mafalda

O restaurante da pousada chama-se Dona Mafalda, em homenagem à rainha que iniciou esta história toda, e funciona nas antigas caves do mosteiro. O espaço é impressionante, arcos de pedra, iluminação cuidada, e a cozinha foca-se nos clássicos minhotos. Estamos no Minho, portanto espere bacalhau bem feito, cabrito assado, e os vinhos verdes da região a acompanhar tudo. Não é comida de vanguarda, é comida de conforto feita com ingredientes sérios num cenário que a maioria dos restaurantes pagaria fortunas para ter.

Convém reservar mesa, especialmente ao jantar e nos fins-de-semana. É o tipo de restaurante que recebe hóspedes e visitantes externos, e enche com facilidade.

Os jardins e a piscina

O parque do mosteiro estende-se por nove hectares de vegetação densa e diversificada, com elementos arquitectónicos e paisagísticos espalhados pelo percurso. Não é um jardim decorativo, é quase uma pequena floresta com tanques, fontes de granito e recantos onde se pode desaparecer por uma hora sem ver ninguém. A piscina exterior está instalada na zona do antigo moinho do mosteiro, e nos meses de verão é o tipo de lugar onde se perde uma tarde inteira sem culpa.

Os claustros e os azulejos

Mesmo que não durma aqui, os claustros e os painéis de azulejos do século XVIII merecem uma visita. Há uma qualidade de luz nos corredores, filtrada pelas arcadas, reflectida na pedra, que muda completamente ao longo do dia. De manhã cedo, antes do pequeno-almoço, os claustros estão vazios e o silêncio é completo. É o melhor momento.

Como chegar e informações práticas

A pousada fica no Largo Domingos Leite de Castro, na zona da Costa, no alto da colina acima do centro histórico de Guimarães. De carro, são cerca de cinco minutos a subir desde o centro. A pé é possível mas é uma subida considerável, bom para quem gosta de andar, menos ideal com malas. Se vier de táxi ou de carro, é directo.

É um hotel de categoria €€€€, e o preço reflecte isso. Não é o lugar para quem procura uma estadia económica, para isso há outras boas opções na cidade. Mas para uma ocasião especial, um aniversário, uma escapadinha que se quer memorável, é difícil competir com dormir num mosteiro do século XII com vista sobre a cidade onde Portugal nasceu.

Para reservas e informações: +351 253 511 249 ou através do site oficial. Reserve com antecedência nos meses de verão e durante a Semana Santa, quando a procura dispara.

Uma última nota: ao fim da tarde, suba ao terraço ou a uma das varandas viradas para a cidade. Guimarães ao pôr-do-sol vista daqui de cima é um daqueles momentos em que se percebe porque é que alguém decidiu, há quase nove séculos, construir um mosteiro exactamente neste sítio. Para explorar a cidade lá em baixo, o nosso guia de Guimarães é um bom ponto de partida.