Guimarães

Guimarães é onde Portugal começou, literalmente, mas o centro histórico de granito, as tascas minhotas e a Penha fazem dela mais do que uma aula de história. Um dia chega para o essencial; dois permitem descobrir a cidade que fica depois dos turistas irem embora.

A inscrição "Aqui Nasceu Portugal" na muralha junto ao castelo não é hipérbole, é facto. Foi aqui que D. Afonso Henriques estabeleceu a corte do condado portucalense antes de se declarar rei, e Guimarães nunca deixou que o país esquecesse isso. Mas reduzir esta cidade ao seu papel fundador é como reduzir o Porto ao vinho: verdade, mas incompleta.

O centro histórico que se vive a pé

O Largo da Oliveira é o ponto de gravidade natural. A partir daqui, as ruas de granito ramificam-se sem pressa, a Rua de Santa Maria, uma das mais antigas da cidade, liga o castelo à colegiada com os seus arcos e varandas de ferro. A Praça de Santiago, ao lado, enche-se ao fim da tarde com quem sai do trabalho e se senta a beber uma cerveja antes do jantar. Não é cenário montado para turistas; é o ritmo real da cidade.

O Paço dos Duques de Bragança e o Castelo de Guimarães ficam a poucos minutos a pé, no topo da colina. O castelo é compacto, não espere Sintra, mas a torre de menagem oferece uma vista aberta sobre os telhados e o Monte da Penha ao fundo. O teleférico até à Penha vale os dez minutos de subida, sobretudo se tiver crianças ou se quiser fugir do granito por umas horas e trocar por floresta.

O que comer sem hesitar

Guimarães está em território minhoto, o que significa que o rojão com papas de sarrabulho não é curiosidade gastronómica, é almoço de terça-feira. Procure-os nas tascas do centro, não nos restaurantes com menu traduzido. O torresmo é omnipresente e a doçaria conventual aparece nas pastelarias sob a forma de toucinho do céu e tortas de Guimarães, estas últimas com recheio de abóbora e amêndoa.

Quanto tempo ficar

Um dia inteiro é suficiente para cobrir o centro histórico, o castelo e o Paço dos Duques. Dois dias permitem subir à Penha, explorar a Zona de Couros, o antigo bairro de curtumes reconvertido em campus universitário e espaço cultural, e jantar sem pressas. Quem vem do Porto chega em menos de uma hora de comboio, o que torna Guimarães uma excursão fácil, mas passar a noite revela uma cidade diferente: mais silenciosa, com o granito iluminado e os largos quase vazios.

A Capital Europeia da Cultura de 2012 deixou marcas visíveis, a Plataforma das Artes e da Criatividade, instalada num antigo mercado, e uma programação cultural que continua activa. Guimarães não vive só do passado medieval, mas seria desonesto dizer que não é esse passado que a torna magnética.