Hotel da Oliveira
Guimarães
Guimarães é onde Portugal começou, literalmente, mas o centro histórico de granito, as tascas minhotas e a Penha fazem dela mais do que uma aula de história. Um dia chega para o essencial; dois permitem descobrir a cidade que fica depois dos turistas irem embora.
Guimarães prova que uma cidade Património Mundial não precisa de custar caro: castelo, Cidadela e centro histórico são grátis, e um dia inteiro cabe em menos de 25 euros. Eis onde poupar e onde vale a pena gastar.
Da Ecopista do Rio Ave ao loop das serras com 2000 metros de desnível, Guimarães tem topografia para todos. Um guia honesto sobre onde pedalar, onde alugar e onde comer rojões depois de oito horas em cima da bicicleta.
Guia honesto dos melhores miradouros de Guimarães, com a hora certa para cada um. Spoiler: a Penha é miradouro de manhã, não de pôr do sol. O melhor sítio para o sol baixar é o rooftop do Eurostars.
Sete da manhã, o vinho verde sai a granel a três euros o litro e as senhoras dos queijos sabem quem tem o melhor bacalhau. Um guia honesto ao Mercado Municipal de Guimarães: o que comprar sem hesitar, o que provar primeiro, e o cesto de vime que não deve levar para casa.
A inscrição "Aqui Nasceu Portugal" na muralha junto ao castelo não é hipérbole, é facto. Foi aqui que D. Afonso Henriques estabeleceu a corte do condado portucalense antes de se declarar rei, e Guimarães nunca deixou que o país esquecesse isso. Mas reduzir esta cidade ao seu papel fundador é como reduzir o Porto ao vinho: verdade, mas incompleta.
O Largo da Oliveira é o ponto de gravidade natural. A partir daqui, as ruas de granito ramificam-se sem pressa, a Rua de Santa Maria, uma das mais antigas da cidade, liga o castelo à colegiada com os seus arcos e varandas de ferro. A Praça de Santiago, ao lado, enche-se ao fim da tarde com quem sai do trabalho e se senta a beber uma cerveja antes do jantar. Não é cenário montado para turistas; é o ritmo real da cidade.
O Paço dos Duques de Bragança e o Castelo de Guimarães ficam a poucos minutos a pé, no topo da colina. O castelo é compacto, não espere Sintra, mas a torre de menagem oferece uma vista aberta sobre os telhados e o Monte da Penha ao fundo. O teleférico até à Penha vale os dez minutos de subida, sobretudo se tiver crianças ou se quiser fugir do granito por umas horas e trocar por floresta.
Guimarães está em território minhoto, o que significa que o rojão com papas de sarrabulho não é curiosidade gastronómica, é almoço de terça-feira. Procure-os nas tascas do centro, não nos restaurantes com menu traduzido. O torresmo é omnipresente e a doçaria conventual aparece nas pastelarias sob a forma de toucinho do céu e tortas de Guimarães, estas últimas com recheio de abóbora e amêndoa.
Um dia inteiro é suficiente para cobrir o centro histórico, o castelo e o Paço dos Duques. Dois dias permitem subir à Penha, explorar a Zona de Couros, o antigo bairro de curtumes reconvertido em campus universitário e espaço cultural, e jantar sem pressas. Quem vem do Porto chega em menos de uma hora de comboio, o que torna Guimarães uma excursão fácil, mas passar a noite revela uma cidade diferente: mais silenciosa, com o granito iluminado e os largos quase vazios.
A Capital Europeia da Cultura de 2012 deixou marcas visíveis, a Plataforma das Artes e da Criatividade, instalada num antigo mercado, e uma programação cultural que continua activa. Guimarães não vive só do passado medieval, mas seria desonesto dizer que não é esse passado que a torna magnética.