Hotel de Guimarães
Guimarães
Vinte quartos no Largo da Oliveira, cada um dedicado a uma figura da história de Guimarães, e o restaurante HOOL no rés-do-chão com menus de degustação do Chef Vítor Matos. A melhor localização possível no centro histórico classificado pela UNESCO.
Há hotéis que se situam no centro histórico. E depois há o Hotel da Oliveira, que literalmente é o centro histórico. O edifício ocupa uma posição no Largo da Oliveira que qualquer vimaranense reconhece como o coração da cidade, a poucos passos da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, com o Castelo de Guimarães a 150 metros. Se acordar aqui e abrir a janela, é provável que ouça os sinos antes do despertador.
A morada é Rua de Santa Maria, Largo da Oliveira, 4800-443 Guimarães, uma das ruas mais antigas e fotografadas da cidade, com aquelas fachadas de pedra que servem de cenário a quase todos os postais. Para quem chega de carro, convém saber que o centro histórico é maioritariamente pedonal. Há estacionamento público nas imediações, mas o hotel pode orientar, ligue antes pelo +351 253 514 157. De comboio, a estação de Guimarães fica a cerca de 15 minutos a pé, uma caminhada agradável e praticamente em descida até ao centro.
O Hotel da Oliveira nasceu da reconversão de uma antiga Pousada de Portugal, desenhada pelo designer de interiores Paulo Lobo. O resultado não é nem o minimalismo frio que domina os boutique hotels europeus, nem o excesso decorativo dos hotéis que tentam demasiado. Lobo escolheu uma paleta sóbria, tons nude pontuados por azul-real, que funciona surpreendentemente bem com as paredes de pedra originais do edifício.
Os 20 quartos seguem o conceito "Sentir Guimarães": cada um tem uma light box com uma obra artística dedicada a uma personalidade ou momento da história, cultura, indústria ou vida religiosa da cidade. Não é um gimmick, é uma forma inteligente de dar identidade própria a cada espaço num hotel pequeno. Os quartos têm minibar, TV de ecrã plano, tablet e casa de banho privativa com amenities. Alguns têm varanda. Atenção: sendo um edifício histórico reabilitado, alguns quartos podem ser mais compactos ou com menos luz natural do que o esperado, se isso for importante para si, peça um quarto com varanda na reserva.
Há também uma biblioteca e uma sala de estar comum, que é o tipo de espaço onde acaba por ficar mais tempo do que planeava, especialmente ao final da tarde com um copo de vinho do Douro na mão.
Isto é um €€€. Não é para quem procura o preço mais baixo em Guimarães, para isso há alternativas sólidas como o Hotel de Guimarães. O Hotel da Oliveira é para quem quer dormir no ponto mais central possível, num espaço com personalidade e com um restaurante sério no piso térreo. Se prefere algo com mais história monástica e jardins, a Pousada Mosteiro de Guimarães é outra liga, mas fica fora do centro.
O restaurante HOOL, no rés-do-chão do hotel, merece atenção independente. A direção gastronómica é do Chef Vítor Matos, com a Chef Liliana Moura na cozinha no dia-a-dia. A abordagem é cozinha criativa com raízes na tradição portuguesa e toques mediterrânicos, não esperem bacalhau à Brás, mas antes técnica contemporânea aplicada a produtos regionais que qualquer minhoto reconhece.
O espaço tem paredes de pedra e tectos com vigas de madeira, a decoração do restaurante é mais rústica-elegante do que o hotel em si, e resulta. Para uma refeição à carta, contem com cerca de €55 por pessoa. Os mais curiosos (e com orçamento) devem considerar os menus de degustação: o de 5 pratos custa €110, o de 9 pratos sobe para €160, com harmonização de vinhos disponível. Vale a pena? Se gostam de menus de degustação como experiência, sim, a cozinha é séria e os produtos são bons.
Reservem mesa com antecedência, especialmente ao fim-de-semana e em época alta. O pequeno-almoço do hotel é abundante e bem avaliado, peçam para o tomar no quarto se quiserem começar o dia devagar.
Guimarães é uma cidade para ser percorrida a pé, e não há base de operações melhor posicionada do que esta. Saem do hotel e estão imediatamente no meio de tudo, praças medievais, restaurantes, igrejas, a Rua de Santa Maria inteira ao vosso dispor. É a diferença entre visitar o centro histórico e viver nele, mesmo que por duas noites.