Montalegre

Vila de montanha no planalto do Barroso, a quase mil metros de altitude, Montalegre é a capital portuguesa do fumeiro e das sextas-feiras 13. Um castelo medieval do século XIII, cozinha de carne barrosã e a porta de entrada para o Gerês fazem o resto.

Montalegre fica a quase mil metros de altitude, no planalto do Barroso, e é o tipo de vila que a maioria dos visitantes de Portugal nem sabe que existe. Tanto melhor. Quem chega aqui vem pelo frio seco do inverno, pelo fumeiro que se come em todo o lado, e por uma estranheza cultural que não encontra noutro ponto do país, uma terra onde as sextas-feiras 13 se celebram com encenações de bruxaria no castelo medieval, e onde as histórias de superstição não são folclore empoeirado, mas parte da conversa de café.

O castelo e o centro

O Castelo de Montalegre, classificado como Monumento Nacional desde 1910, domina a vila com a sua torre de menagem de 27 metros, coroada por merlões e balcões com matacães góticos. A fundação data de 1273, quando D. Afonso III concedeu foral à vila, mas o local já era ocupado desde tempos pré-romanos, um castro que viu romanos, suevos e visigodos antes de se tornar posição defensiva na fronteira com a Galiza. A vista do topo, sobre o planalto em todas as direcções, justifica a subida.

Em redor do castelo, o centro histórico é compacto e percorre-se em meia hora. A Igreja Matriz, de traços barrocos, e a Capela da Misericórdia completam o núcleo de granito. O Ecomuseu de Barroso, Espaço Padre Fontes documenta as artes tradicionais da região, da agricultura de montanha à fauna do Parque Nacional da Peneda-Gerês, que fica a uma curta distância de carro para oeste.

Fumeiro e cozinha de montanha

Se há uma razão para vir a Montalegre no inverno, é o fumeiro. Alheiras, salpicões, chouriças e presunto do Barroso vendem-se por todo o concelho, mas é na Feira do Fumeiro, habitualmente em Janeiro, que a coisa atinge outra escala, com toneladas de enchidos e um movimento económico que ultrapassa o milhão de euros. Fora da feira, procure carne barrosã: a raça autóctone dá uma das melhores carnes de vaca do país, e aqui come-se em posta, em estufado ou simplesmente grelhada. A truta do rio Cávado recheada com presunto é outra especialidade que vale a pena encomendar.

Quando ir e quanto tempo ficar

Dois a três dias chegam para explorar a vila, fazer uma caminhada nos trilhos da serra e ainda entrar pelo Gerês. A Primavera (Abril a Junho) e o Outono (Setembro a Outubro) são os meses mais confortáveis, mas o inverno tem o seu argumento: o frio morde, mas é a estação do fumeiro e das festas. Se calhar numa sexta-feira 13, não hesite, a Noite das Bruxas no castelo é um espectáculo teatral ao ar livre que transforma o centro de Montalegre, com milhares de visitantes e companhias de teatro de ambos os lados da fronteira galega.