Sexta 13 em Montalegre: A Noite das Bruxas no Barroso
A Noite das Bruxas de Montalegre acontece em todas as sextas-feiras 13 e atrai cerca de 30 000 pessoas à vila do Barroso. A próxima edição de 2026 é a 13 de novembro, com entrada livre, procissão de bruxas às 22h30 e queimada comunitária junto ao castelo.
Há algo de genuinamente estranho em chegar a Montalegre numa sexta-feira 13. A vila fica a mais de 1000 metros de altitude, rodeada por um silêncio de granito e vento que corta, e durante a maior parte do ano parece um lugar onde o tempo parou. Mas nestes dias específicos, quando o calendário alinha o número maldito com o sexto dia da semana, Montalegre transforma-se. Cerca de 30 000 pessoas sobem a serra para participar na Noite das Bruxas, um evento que gera dois milhões de euros de impacto económico e que esgota todos os alojamentos num raio de 50 quilómetros.
O que é, afinal, a Sexta 13
A ideia nasceu em 2002, por iniciativa do Padre Fontes, uma figura quase lendária do Barroso que percebeu que a superstição podia ser transformada em celebração. Em vez de temer a data, Montalegre abraçou-a. O resultado é um festival de entrada livre, organizado pela Câmara Municipal de Montalegre, que mistura teatro de rua, música celta, gastronomia de montanha e rituais colectivos num cenário que usa o castelo medieval como palco principal.
Em 2026, há três sextas-feiras 13: a de fevereiro foi cancelada por causa de um rio atmosférico que varreu o norte do país, a de março realizou-se com sucesso, e a próxima está marcada para 13 de novembro. Se está a planear ir, é essa a data a apontar.
Como funciona o dia
A animação começa às 13h13, porque em Montalegre até os horários respeitam a superstição. Durante a tarde, centenas de figurantes percorrem as ruas vestidos de bruxas, demónios e criaturas das lendas barrosãs. Há estações de pinturas faciais, música ao vivo e barracas de artesãos e produtores locais. O ambiente é festivo mas não forçado. As crianças adoram, os adultos entram no espírito, e os figurantes levam os seus papéis a sério.
O verdadeiro espectáculo, contudo, é nocturno. Por volta das 22h30, as bruxas reúnem-se no largo principal e iniciam uma procissão pelas ruas estreitas da vila, iluminadas por tochas e fogueiras. Às 23h, acontece a "Queima do Enforcado", um ritual simbólico acompanhado por música e fogo que transforma o castelo num cenário quase cinematográfico. Às 23h30, o momento mais participativo: a queimada comunitária, onde se distribui a bebida tradicional galega preparada enquanto se recita um esconjuro. A aguardente arde no pote de barro, as chamas azulam, e toda a gente bebe da mesma concha. Logo a seguir, o fogo de artifício ilumina o castelo e o DJ toma conta da festa até de madrugada.
O que comer e beber
Não vá a Montalegre sem comer. As barracas de fumeiro do Barroso são a atracção gastronómica do evento: alheiras, salpicões, presunto e chouriças que têm indicação geográfica protegida. Há também caldo servido em panelas de ferro, pão de centeio e, claro, a queimada. Nos restaurantes da vila, o cabrito assado e a posta barrosã são os pratos a pedir, mas reserve mesa com antecedência. Nos dias de Sexta 13, conseguir lugar sem reserva é mais difícil do que encontrar estacionamento.
Dicas práticas
Como chegar
Montalegre fica a cerca de 140 km do Porto pela A7 e A24. O último troço é por estrada nacional, e à noite as curvas de montanha exigem atenção. Se não quer conduzir, a Roma Tours, operador do Porto, oferece excursões de dia com transporte de autocarro por 25€ por pessoa. Partem às 15h30 do Porto e regressam à 1h da manhã. Contacto: +351 225 390 529 ou [email protected] (romatours.pt).
O que vestir
Montalegre em novembro é frio a sério. Estamos a falar de temperaturas que podem descer abaixo dos 5°C à noite, com vento. Camadas são obrigatórias: roupa interior térmica, polar, casaco corta-vento, gorro e luvas. Sapatos impermeáveis, porque o terreno é irregular e pode chover. E sim, fantasie-se. Não é obrigatório, mas faz parte da experiência e os locais apreciam o esforço.
Onde dormir
O Hostel Retiro do Gerês em Montalegre é uma opção económica, mas reserve com semanas de antecedência. Chaves, a 40 minutos, é a alternativa mais prática. Há também casas rurais espalhadas pelo concelho, mas nos dias de Sexta 13 tudo esgota rapidamente.
O melhor momento
A procissão das bruxas entre as 22h30 e as 23h é o ponto alto. Posicione-se perto do castelo, mas chegue cedo para garantir um bom lugar. Depois das 23h30, quando começa o fogo de artifício, a vista a partir do adro da igreja é a melhor da vila.
Porque vale a pena
A Sexta 13 não é um evento turístico fabricado para estrangeiros. É uma festa local que cresceu organicamente, alimentada pela tradição celta e supersticiosa do Barroso, e que mantém uma autenticidade rara. As bruxas não são actores contratados de uma empresa de eventos: são vizinhos, professores, bombeiros voluntários que se fantasiam e se divertem tanto como quem assiste. A queimada não é um cocktail instagramável: é uma tradição partilhada que sabe a aguardente forte e a fumo de lenha.
Se quiser explorar a região com mais calma, combine a visita com um roteiro pelo castelo, o castro e a cozinha de montanha. Montalegre merece mais do que uma noite, mas se só tiver uma noite, que seja numa sexta-feira 13.
Informações essenciais
- Organizador: Câmara Municipal de Montalegre
- Website oficial: sexta13.pt
- Contacto: +351 276 510 200 / [email protected]
- Entrada: Livre
- Próxima edição 2026: 13 de novembro
- Transporte organizado (Porto): Roma Tours, 25€/pessoa, romatours.pt