Bacus Bar
Snack-bar de vila na Rua das Eiras, conhecido pelas francesinhas e por ter mais clientes habituais do que ementa traduzida. Vá ao almoço, peça uma imperial, e leve algum dinheiro em numerário por precaução.
Há lugares em Mogadouro onde se entra para tomar um café e se sai duas horas depois com a conversa por terminar. O Bacus Bar, na Rua das Eiras, é um desses sítios. Não tem cartas plastificadas nem ementa em quatro línguas. Tem clientes habituais que cumprimentam o balcão pelo nome, o ruído metálico das chávenas a baterem nos pires e francesinhas que justificam o desvio até este canto de Trás-os-Montes.
O que é, sem rodeios
É um snack-bar de vila. Um daqueles espaços onde a televisão está ligada em surdina, há sempre alguém a ler o jornal desportivo encostado ao balcão, e o cheiro de pão tostado e molho de francesinha entra-nos pela porta antes de a empurrarmos. Em Mogadouro, terra de planalto, frio que entra pelos ossos e silêncio nas ruas a partir das nove da noite, este tipo de casa é a infraestrutura social que ainda segura a vila junta.
O Bacus Bar é conhecido pelas francesinhas. Esta é a informação prática que importa. Não é uma casa do Porto, não tenta ser, e nem por isso deixa de ter quem ali entre só por causa do prato. O resto do menu segue a lógica do snack-bar honesto: sandes, pregos, tostas, pratos do dia quando o cozinheiro decide, cerveja a sair fria da torneira e cafés a um euro e tal. O preço está na categoria mais simpática (€), o que em Mogadouro significa que se come e se bebe sem fazer contas de cabeça.
Onde fica e como chegar
A morada é Rua das Eiras, 5200-235 Mogadouro. Estamos no centro da vila, a poucos minutos a pé da praça principal e da igreja matriz. Mogadouro é pequeno, daqueles sítios onde se atravessa a vila inteira em quinze minutos sem pressa, por isso a localização não tem mistério: se está alojado em A Casa do Gi ou na Casa das Águas Férreas, faz-se a pé sem suar.
Para quem vem de fora, Mogadouro está no nordeste transmontano, a cerca de uma hora e meia de Bragança e mais de três horas do Porto pela A4 e depois pela N216. Não há transporte público com horário decente para turistas, por isso assuma que precisa de carro. Há estacionamento à volta sem pagar, o que para qualquer pessoa habituada a cidade é uma raridade quase comovente.
O que pedir, o que evitar
Peça a francesinha. É essa a razão por que vai até lá. Em Mogadouro, longe do Porto e da ortodoxia portuense do prato, cada casa faz a sua versão e a do Bacus tem fãs declarados entre quem trabalha na vila ao almoço. Acompanhe com uma imperial, batata frita, e não complique. Se for em grupo, peçam um prego ou uma tosta mista como alternativa para alguém que não esteja com fome de molho, ovo estrelado e queijo derretido.
Como em qualquer snack-bar transmontano, o pequeno-almoço é simples e sólido: galão, torrada com manteiga, e talvez uma sandes de queijo se o estômago pedir. Não vá à procura de bowls de açaí, pão de fermentação natural ou cafés de especialidade, porque não é esse o registo da casa, e os clientes habituais teriam razões para olhar de lado.
Horário e dicas práticas
O horário não está publicado de forma fiável, e nem o telefone está disponível em fontes públicas. A página oficial é a do Facebook (Bacus Bar no Facebook), onde por vezes aparecem fotografias de pratos do dia. Para garantir que está aberto, sobretudo se vier de longe, confirme diretamente antes de se deslocar. Em Mogadouro, muitos espaços fecham um dia por semana e ajustam o horário consoante a estação.
Outras notas úteis:
- Não precisa de reserva. Se chegar à hora de ponta do almoço (entre as 12h30 e as 13h30), pode ter de esperar por uma mesa, mas ao balcão arranja-se sempre lugar.
- Leve algum dinheiro em numerário. Muitos snack-bares do interior aceitam multibanco, mas não é incomum a máquina estar avariada ou "sem rede", e ninguém quer ficar a lavar pratos.
- Roupa: o que quiser. Ninguém olha para os ténis nem para o gorro.
- Vá com tempo. Não é o sítio para comer em vinte minutos e sair. As francesinhas demoram a preparar, e o ritmo da casa não acelera por causa de pressas alheias.
Quando ir, e o que fazer antes ou depois
Funciona bem como paragem de almoço a meio de um dia a explorar o concelho. Se está a planear a viagem com algum cuidado, vale a pena cruzar a ida ao Bacus com um dos guias que temos sobre a zona: o trilho dos lagares rupestres faz-se de manhã e deixa-o no centro a tempo de almoçar; ao fim da tarde, há miradouros para o pôr do sol no planalto que valem o desvio. Para uma visão mais ampla de o que fazer na vila, leia este guia sobre Mogadouro, que cobre desde alojamento até calendário de festas.
Se a viagem coincidir com final de Maio ou Junho, dê uma vista de olhos à Festa da Terra e dos Gaiteiros, em Urrós, a uns vinte minutos de carro, que junta gaita-de-foles, produtos locais e gente da região num formato que ainda não foi reformatado para Instagram.
À noite
O Bacus serve mais bem ao almoço, ao lanche e ao início da noite. Para um copo mais tarde, em Mogadouro a oferta é limitada mas existe: o Via Dupla Bar e o Café Montanha são as duas paragens habituais de quem fica até mais tarde. Vai-se de uns para os outros a pé, sem necessidade de aplicação de mapas.
Vale a pena?
Para quem está a passar dois ou três dias em Mogadouro, sim, sem hesitação. Não é um destino gastronómico de fim-de-semana desde Lisboa, mas é o tipo de paragem que torna uma viagem pelo nordeste transmontano mais real. Coma a francesinha, beba uma imperial, ouça o que se diz no balcão sobre o tempo, o futebol e a feira. É isto que é estar em Mogadouro.