Mogadouro fica no planalto mirandês, a uma altitude que faz diferença: no inverno corta, no verão alivia. É uma vila que não tenta impressionar, e talvez seja por isso que funciona. Quem chega do Porto depois de duas horas e meia de estrada encontra o castelo dos Templários logo ao centro, com a Torre de Menagem a dominar a paisagem de xisto e amendoeiras. Não é cenário de cartão-postal. É pedra, vento e silêncio.
O que justifica a viagem
A razão mais imediata é o Parque Natural do Douro Internacional, que começa aqui ao lado. A Faia da Água Alta, a cascata mais alta do parque, é um espetáculo entre o final do inverno e a primavera, quando leva água a sério. No verão, seca. Quem sobe ao Monte de São Cristóvão tem vista aberta sobre a vila e o planalto, com baloiços gigantes que já se tornaram ponto de paragem obrigatório. E em fevereiro, as amendoeiras em flor transformam o planalto num mar branco e rosa que dura pouco, se vier nessa altura, não vai precisar de mais justificação.
Comer como se come aqui
Mogadouro é terra de carne. A posta mirandesa, vitela de raça autóctone, assada na brasa, é o prato de referência, mas a marrã (porco fresco grelhado) e os chichos merecem atenção igual. A feijoada transmontana aparece nos dias mais frios e é substancial como deve ser. Nos meses de fumeiro, entre novembro e março, as alheiras e os enchidos dominam as mesas. Para fechar, o folar da Páscoa recheado de carne curada é uma tradição que não se discute.
Quando ir e quanto tempo ficar
Fevereiro para as amendoeiras. Julho para o Festival Terra Transmontana, que ocupa o recinto do castelo e a zona histórica com música, gastronomia e artes tradicionais. Outubro para a Feira dos Gorazes, dois dias de feira grande, com posta na brasa e a energia coletiva de um evento que é o mais importante do concelho. Um fim de semana chega para conhecer a vila e explorar o parque natural. Três dias, se quiser fazer trilhos e comer com calma.
Mogadouro não vai aparecer nas listas de tendências. É exatamente esse o ponto.