AEPGA em Atenor: Visita aos Burros de Miranda desde Mogadouro
Experiência

AEPGA em Atenor: Visita aos Burros de Miranda desde Mogadouro

Mogadouro · 1h · easy

A AEPGA em Atenor reúne cerca de 60 burros de Miranda e abre para visitas guiadas três dias por semana, com bilhete a 7,50€. Da N221 a partir de Mogadouro são cerca de 40 km até ao recinto onde se aprende porque é que esta raça quase desapareceu nos anos 90.

Conduzir de Mogadouro até Atenor leva cerca de 35 minutos por uma estrada que atravessa o melhor do planalto mirandês: campos de centeio, muros de granito, lobos no horizonte que ninguém vê mas todos prometem. O destino é a sede da AEPGA, em pleno centro da aldeia, onde vivem cerca de 60 burros da raça mirandesa em regime de visita guiada. Se há um motivo para ir até ali, é este: poucos sítios em Portugal explicam tão bem porque é que uma raça quase extinta vale a pena.

Quem é a AEPGA e porque existe

A AEPGA, Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, foi fundada em 2001 com um objectivo simples: travar a extinção do burro de Miranda. Nessa altura havia menos de 800 animais registados, hoje há mais de 1.000, e a maior parte deve-se ao trabalho desta associação sediada em Atenor. O Centro de Valorização do Burro de Miranda (CVBM), onde decorrem as visitas, funciona como ponto de encontro entre os burros, os turistas e a investigação científica sobre a raça.

Como chegar a Atenor a partir de Mogadouro

De Mogadouro siga pela N221 em direcção a Sendim, depois corte para a M601 até Atenor. São cerca de 40 km de paisagem aberta, perfeita para parar uma ou duas vezes. Se vier de manhã, ainda apanha a luz a entrar nos campos de cereal pelo lado da Senhora do Naso. Para quem fica em Mogadouro, recomendo dormir em A Casa do Gi e sair cedo, ou prolongar a tarde com um pôr do sol num miradouro do planalto.

O que acontece durante a visita

A visita guiada dura cerca de uma hora e é sempre acompanhada por um técnico da associação. Não há um percurso fixo: o conteúdo adapta-se aos visitantes, ao tempo que faz e aos animais que estão fora do estábulo nesse dia.

A apresentação inicial

Tudo começa no edifício de recepção, onde aparece em poucos minutos a história da raça: por que se chama burro de Miranda, qual a diferença em relação a outras raças asininas ibéricas, e porque esteve perto de desaparecer nos anos 90. Há um pequeno filme em algumas visitas, dependendo do grupo. Se trouxer crianças, peça para verem este momento sem pressa, muda completamente a forma como olham para os animais depois.

O encontro com os burros

A seguir vai ao recinto exterior. Há geralmente entre 15 e 30 burros à vista, divididos por sexo e idade. O técnico apresenta-os pelo nome (todos têm nome) e conta a biografia de pelo menos três ou quatro: a fêmea mais velha, um macho reprodutor com pedigree, alguma cria nascida nesse ano. Pode escovar os animais, dar-lhes cenoura e tirar fotografias à vontade. É o melhor momento da visita, sem dúvida.

Passeios com burro

Em algumas visitas é possível fazer um pequeno passeio a pé com um burro de cabresto, sobretudo se reservar com antecedência. Para passeios mais longos a cavalo do burro ou em carroça, é preciso marcar previamente. Confirme directamente com a AEPGA se está interessado.

Horários e preços confirmados

De Abril a Outubro: terças, quintas e sábados, às 10h00 e 16h30. De Novembro a Março: terças, quintas e sábados, às 10h30 e 15h00. Em Julho, Agosto e fins-de-semana prolongados também abrem ao domingo. O bilhete custa 7,50€ por pessoa, 3,50€ para estudantes em visita de escola, gratuito para crianças até aos 6 anos e para sócios ou padrinhos. Grupos a partir de 25 pessoas pagam 5€ por pessoa.

É essencial reservar com pelo menos um dia de antecedência por email ([email protected]) ou pelo telefone +351 273 739 307. Não há visitas sem guia, e o calendário enche em Julho e Agosto.

Apadrinhar um burro vale a pena?

A AEPGA tem um programa de apadrinhamento (apadrinhaumburro.aepga.pt) que começa nos 25€ por ano. O dinheiro vai para a alimentação, cuidados veterinários e habitação do burro escolhido. Recebe fotografias, um certificado, e tem entrada gratuita no centro durante o ano. Para quem fica encantado na primeira visita, é a forma mais honesta de continuar a apoiar o trabalho da associação.

O que levar e o que vestir

  • Sapatos fechados que não se importe de sujar. No recinto é tudo terra e palha.
  • Casaco corta-vento mesmo no Verão. No planalto sopra sempre algo, e a sombra arrefece depressa.
  • Chapéu e protector solar entre Maio e Setembro.
  • Garrafa de água. Não há máquina nem café junto ao centro.
  • Dinheiro vivo para a loja, onde se encontram pequenos artigos artesanais que financiam directamente a associação.

Quando ir, na minha opinião

O melhor mês é Maio: campos verdes, crias pequenas a saltar no recinto, temperatura agradável. Junho também é excelente. Em Julho e Agosto o calor é forte e os autocarros chegam, melhor reservar a sessão das 10h00. O Outono dá uma luz incrível mas há menos animais fora. Mogadouro em Maio e A Rota do Burro de Miranda no Planalto são bons complementos para planear a deslocação. Para quem prefere quartos mais isolados, Casa das Águas Férreas fica entre Mogadouro e Atenor.

O detalhe que ninguém conta

Pergunte ao guia pela biografia de um dos machos reprodutores mais velhos. Cada burro do centro tem uma história documentada, e ouvi-la transforma a visita: deixa de ser uma observação de animais e passa a ser uma conversa sobre uma raça que sobreviveu a custo. É esse o motivo pelo qual a AEPGA não é um zoo nem um centro de adopção: é uma sala de aula com burros à solta.

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