Casa das Águas Férreas
Mogadouro
Na Avenida Nossa Senhora do Caminho, no centro de Mogadouro, A Casa do Gi é o tipo de alojamento que resolve o problema sem complicar: quartos simples, preço honesto, e a poucos minutos a pé de tudo o que interessa. O dinheiro que sobra vai directo para a mesa transmontana.
Mogadouro não é o tipo de terra que aparece nas capas das revistas de viagem. Fica no planalto transmontano, a mais de duas horas de qualquer auto-estrada que se possa chamar de rápida, e quem lá chega fá-lo por escolha deliberada, ou porque conhece alguém que insiste que as amendoeiras em flor valem cada quilómetro. E tem razão.
Para quem faz essa viagem, o problema prático é sempre o mesmo: onde dormir sem rebentar o orçamento. Mogadouro não tem uma oferta hoteleira vasta, e é precisamente aqui que A Casa do Gi entra na conversa. Situada na Avenida Nossa Senhora do Caminho 52, mesmo no centro da vila, é um alojamento local que resolve a equação com simplicidade: quartos limpos, preço acessível, localização central.
Vamos ser directos: isto não é um boutique hotel. Não há amenities de design escandinavo, não há pequeno-almoço com granola artesanal. A Casa do Gi é uma pensão de categoria económica (€) com várias unidades disponíveis, o que faz dela uma das opções mais acessíveis da vila. Os quartos são simples e funcionais, cama, casa de banho, o essencial.
E está tudo bem. Porque quem vai a Mogadouro não vai para ficar no quarto. Vai para percorrer os trilhos do planalto, para ver as amendoeiras em flor que transformam a paisagem em fevereiro, para comer posta transmontana com batatas a murro num restaurante onde o dono serve o vinho da casa sem perguntar se prefere tinto ou branco, porque ali só há tinto.
A morada é central: Avenida Nossa Senhora do Caminho é uma das artérias principais de Mogadouro, o que significa que está a poucos minutos a pé de restaurantes, cafés e do castelo. De carro, Mogadouro fica a cerca de duas horas de Bragança pela N218 e a pouco mais de duas horas do Porto, embora esta última conte com troços de estrada que exigem paciência e algum gosto por curvas.
Não há transporte público frequente para Mogadouro, o carro é praticamente obrigatório. Se vem de Espanha, a fronteira de Miranda do Douro fica a menos de uma hora.
A vantagem de pagar pouco pelo alojamento é óbvia: sobra mais para a mesa. E em Trás-os-Montes, a mesa é sagrada. Mogadouro faz parte da região do fumeiro, alheiras, butelo com cascas, salpicão. Qualquer restaurante local que tenha movimento à hora de almoço é aposta segura. Peça o que os outros estiverem a comer.
Fora da mesa, o Castelo de Mogadouro merece meia hora do seu tempo, e o planalto em redor é ideal para caminhadas. A vila em si é pequena o suficiente para se percorrer a pé numa tarde, com paragens obrigatórias nos cafés da praça para um café e uma conversa com quem estiver disponível, e em Mogadouro, geralmente estão.
A Casa do Gi não é o tipo de sítio que se recomenda pela experiência do alojamento em si. Recomenda-se porque permite que a experiência aconteça, porque dá um tecto digno a quem quer explorar uma das zonas mais genuínas de Portugal sem gastar o que não tem. Às vezes é exactamente disso que precisamos: de um sítio honesto para pousar a mala e sair porta fora.